Desporto, Setúbal

Setúbal é Cidade Europeia do Desporto 2016

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A ACES Europe – Associação de Capitais e Cidades Europeias do Desporto, na sequência de uma candidatura apresentada pelo Município, reflectindo o desporto no concelho e um ambicioso programa para 2016, atribuiu a Setúbal o título de Cidade Europeia do Deporto 2016.

Aproveitando as potencialidades oferecidas pela ligação de Setúbal à serra e ao rio, utilizando e valorizando os equipamentos desportivos existentes, continuando a apostar na dinâmica própria do movimento associativo desportivo, reafirmando a capacidade organizativa de provas internacionais, procurando concretizar uma política desportiva assente na lógica do desporto para todos, garantindo o direito à prática desportiva, Setúbal apresentou uma candidatura vencedora, comprometendo-se a fazer mais e melhor, também, na área do desporto.

Setúbal tem passado por um profundo processo transformador e é inegável que a cidade e o concelho estão diferentes. Hoje, dispomos de um conjunto de equipamentos públicos de excelência, designadamente de âmbito cultural, a cidade reaproximou-se do rio, com espaços públicos qualificados e imediatamente apropriados pela população e, em 2016, sob o pretexto da Cidade Europeia do Desporto, Setúbal dará continuidade a esse processo de transformação, afirmando, também, no domínio do desporto essa dinâmica.

A realização da FINA Olympic Marathon Swim Qualifier, de apuramento para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o regresso a Setúbal da Volta a Portugal em Bicicleta, a realização da edição de 2016 dos Jogos do Futuro da Região, são apenas alguns exemplos da intensa e importante actividade desportiva, a que importa juntar o vasto conjunto de actividades promovidas pelo movimento associativo do concelho.

Num país em que as autarquias locais substituem um Estado omisso em matéria de garantia do direito de acesso à prática desportiva, o Município de Setúbal, apesar de dificuldades e constrangimentos que lhe são impostos, afirma claramente o seu compromisso com o princípio do “Desporto para Todos”.

No desporto, como em todas as áreas, o Município de Setúbal procura fazer mais e melhor e há a consciência de que haverá sempre muito por fazer, no entanto, num momento em que Setúbal vê internacionalmente reconhecido o seu trabalho e as suas potencialidades desportivas, é triste verificar a pequenez de alguns que, manifestando uma profunda ignorância sobre aquilo que é feito e as condições existentes, em vez de festejarem esta conquista de Setúbal, limitam-se a um exercício de crítica destrutiva sem qualquer sentido (provavelmente, o único desporto que conhecem).

Felizmente, a história de Setúbal Cidade Europeia do Desporto 2016 não se fará destes tristes episódios, serão os homens e as mulheres que organizam, praticam e ou assistem a desporto neste concelho a escrever essa história.

Setúbal é Cidade Europeia do Desporto 2016, está de parabéns Setúbal e a sua Câmara Municipal mas, sobretudo, estão de parabéns os Setubalenses, o movimento associativo desportivo, os desportistas e todos aqueles tornam possível a prática do desporto neste concelho.

Nota: texto originalmente publicado na edição de ontem, dia 2 de Dezembro, do jornal O Setubalense.
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Artes, CDU, Cultura, Desporto, PCP, Revolução

Fim-de-semana na Terra dos Sonhos

«Na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos,escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar»

Abrem-se hoje as portas da cidade de três dias feitos de alegria, cultura, convívio, fraternidade e camaradagem.

Regresso à Terra dos Sonhos, à minha, à nossa Festa do Avante!

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Desporto, economia, Geral

O Estranho Planeta Futebol

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Aviso prévio: gosto de ver um bom jogo de futebol, tenho preferência débil mas preferência pelo Benfica, provavelmente por causa da cor das camisolas. Se o Benfica joga mal acho muito bem que seja derrotado, se ganhar acho uma injustiça para a outra equipa. Fico indignado e muito inquieto quando percorro rapidamente os comentários doentios, quase dementes, que gente psicologicamente desequilibrada faz nos jornais desportivos on-line. É este o povo do meu país? Dito isto o mundo do futebol é estranho! Muito estranho!

Acabou o campeonato. O FC Porto é campeão. A alegria de uns, a tristeza de outros. Fúrias clubísticas que se exacerbaram oito dias atrás. Fúrias clubísticas de adeptos que tem o emblema do seu clube no coração. O seu clube que é uma empresa falida, algumas com hipóteses de recuperação impossíveis ou quase impossíveis como o Sporting CP, que continua a obter crédito da banca que não abre os cordões à bolsa com a mesma facilidade às pequenas e médias empresas. Falidas apesar dos milhões que a sua marca movimenta, como o S L Benfica muito à frente de todos os outros mas tal como os outros com uma dívida colossal que as receitas estão longe de equilibrar mesmo com vendas bem lucrativas de jogadores. Clubes que pagam salários milionários a jogadores, por causa do pouco tempo de vida útil. Aos treinadores muitas vezes não se sabe bem porquê. Têm dirigentes principescamente remunerados, directa e indirectamente, com prémios monetários mesmo quando os resultados da equipa não são famosos como no FC Porto. Que têm jogadores seus emprestados aos meus diversos clubes, o S L Benfica e o FC Porto lideram com grande avanço essa lista reduzida, o que de uma maneira ou de outra acaba por influenciar embates entre essas equipas e aquelas onde militam os emprestados. Um mundo que se movimenta entre acusações de todo o jaez com o maior à vontade apesar de escutas telefónicas, que acabam por não servir para nada, mostrarem a sua face mais negra. Que ocupa tempos televisivos extensíssimos com banalidades de todo o género. Que, num país com alta taxa de iliteracia, tem três jornais diários cheios de frases feitas. Um mundo de equipas tecnicamente falidas apesar dos apoios do Estado, perdões fiscais, terrenos das câmaras, bombas de gasolina para explorar, licenças disto e de mais aquilo e continua a pagar salários ainda mais obscenos com a crise que o país atravessa. Enquanto outras equipas continuam a jogar com salários em atraso aos seus jogadores e equipas técnicas. Sem cumprirem as suas obrigações fiscais. Um mundo impune e pestilento.

Continuam os adeptos com o emblema do seu clube gravado no coração, festejando em largos folguedos vitórias e campeonatos enquanto os outros arrepelam-se, choram e sangram derrotas e troféus perdidos como se jogadores, equipas técnicas, mesmo dirigentes ardessem em campo, comessem a relva por amor à camisola. Não ardem, nem comem relva, são máquinas de contar dinheiro. de fazer negócios, alguns estranhíssimos, quase incompreensíveis. Como se cada golo não valesse mais que um golo, não fosse um saco cheio de euros que entra na contabilidade dessas empresas desses espectáculos, muitas vezes com traços de violência no campo e nas bancadas. Muitas dessas pessoas que estão a comemorar, que arrepela os cabelos pela derrota na última jornada, ou já estava a viver no limbo de nada ter para se alegrar, vive neste momento com enormes dificuldades, enfrenta situações de vida no limite da sobrevivência e não se dana com os gastos obscenos do seu clube. Com os dinheiros que também lhe saem do bolso para alimentar essas máquinas de espectáculos e diversão.

Estranho planeta do futebol que continua a gravitar opacamente em volta de Portugal, movimentando milhões geridos por empresas tecnicamente falidas que continuam a obter crédito e ter benesses escandalosas num Portugal garrotado por um governo iníquo, esmagado por uma troika de incompetentes. Planeta em que a austeridade é desconhecida e o dinheiro aparece nem se sabe bem como.

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Desporto, Política

O Governo Compra Medalhas

Os jogos olímpicos já lá vão. Muitos comentários foram feitos sobre os resultados de Portugal. Nos jornais, pagos por quem de direito, fizeram-se contas e mais contas sobre os custos de cada medalha. Valha-os Deus, como diria a minha avó! Pois é, o governo compra medalhas! Como quem compra coentros ou cebolas!

Fazem-se contas, mas contas falaciosas e turvas como, de resto, é turvo e falacioso o que faz este governo! Relvas e afins devem julgar que obter uma medalha nos jogos olímpicos é como obterem licenciaturas e outras afins: sem qualquer esforço senão o de explorar os velhos explorados de anos, talvez deva dizer de séculos!

Mas quem ficou decepcionado com os resultados de Portugal? Verdadeiramente, quem?

Em primeiro lugar, este pobre governo que está tão desgovernado ele próprio que gostaria de fazer demagogia actual com aquilo que não fará nos próximos quatro anos. Outros que o antecederam, também nada fizeram com o beneplácito da oposição de então que é o governo de agora. E sempre este círculo fechado de governo-oposição a fazerem o mesmo quer como oposição quer como governo.

A seguir, o presidente do Comité Olímpico, Vicente Moura! Este não fez a crítica aberta, mas as suas palavras são-no de forma encapuçada ou assim-assim.

“Estivemos ao nível do desporto português“, disse ontem Vicente Moura ao Correio da Manhã, sobre a prestação nacional na capital britânica. O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) afirmou ainda que a participação lusa “esteve ao nível da de Pequim em 2008“.

Isto é, após 4 anos nada se evoluiu, pelo contrário : “Se nada mudar, daqui por quatro anos teremos menos modalidades e atletas nos Jogos, além de nos tornarmos irrelevantes em termos de resultados.”

O que será necessário mudar? “Um pouco de tudo“, indica, “a começar pela mentalidade do panorama desportivo nacional. As alterações têm de partir logo do desporto escolar, no fundo onde tudo começa, antes da prática do desporto a nível associativo.”

Pois bem, Vicente Moura pôs o dedo na ferida e deixou o alerta.

Não há uma política desportiva no País. Não existe uma estratégia, um plano de desenvolvimento do desporto. O Estado/Governo demitiu-se da sua responsabilidade da planificação na consolidação e garantia do direito constitucional ao desporto.

E tudo começa na escola! Este ano a educação física vai ver diminuída o número de aulas. E onde fica o desporto escolar? Como se costuma dizer em bom português, fica entregue à bicharada!

A educação das crianças e dos jovens não contempla o desporto e a sua prática. As escolas não têm instalações nem professores que possam levar a cabo uma mudança positiva neste campo.

Sem uma base radicada numa prática desportiva sistematizada, o surgimento de atletas não se fará e muito menos se conseguirá a substituição dos atletas de alto rendimento.

O Estado pode subsidiar estágios e treinos, mas tal não chega. E também retirar a bolsa aos atletas que não conseguiram os resultados almejados nos jogos olímpicos é comprar medalhas e não apoiar atletas.

Por exemplo, Telma Monteiro perdeu a bolsa de nível 1 (1.375 € mensais). Será justo? O esforço que a atleta desenvolveu e o nosso interesse “olímpico” não exigiriam manter a mesma bolsa? Condicionar assim os atletas é mercantilismo puro, é comprar medalhas uma a uma.

Não sei qual será a bolsa com que os atletas que decepcionaram Passos Coelho & Cia vão ficar, mas as bolsas de nível 2 são de 1100€ euros e as de nível 3 são de 825€ mensais.

Será preciso debitar aqui os valores que os outros países gastaram com os seus atletas?

O presidente da Associação Olímpica Britânica, Colin Moynihan defendeu o aumento do financiamento para o desporto escolar e melhoria do acesso às instalações desportivas. Referiu ainda que nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, metade dos medalhistas britânicos tinha vindo de escolas particulares. Com o impulso dado pela realização do maior evento desportivo do mundo em casa, os números mudaram e 75% das medalhas de ouro do Super Sábado foram conquistadas por atletas de escolas públicas.

A prática desportiva do nosso país está entregue aos clubes que, claro, têm prioridades a que dedicam os parcos subsídios que o Estado lhes dá. (De passagem, vale a pena recordar que estas verbas são provenientes das receitas do jogo, cuja percentagem destinada está prevista por lei). Contudo, temos também de lhes agradecer pelo pouco que se faz que é muito neste contexto de pobreza financeira.

 As autarquias têm apoiado as associações desportivas e têm fomentado e mantido um desporto para todos, mas isto não é de modo algum suficiente para se poder ter atletas de alta competição a competir com os restantes países que gastam substancialmente mais com os mesmos nem mesmo uma política e prática desportiva nacional e universal.

Os atletas de alta competição (e apesar de todo o esforço que fazem com bolsas que não lhes permite viver de maneira a poderem treinar as 6 ou 7 horas diárias) não se compram em cada quatro anos! E muito poucos têm a possibilidade de se custear. Muito poucos são ricos!

Recordo Rosa Mota que dizia que treinava nas estradas do Porto e assim foi durante anos até conseguir a pista de que necessitava. Contudo, outras modalidades não se compadecem com essas soluções.

No desporto,  para o sucesso tem de se começar a trabalhar muito cedo, com as crianças e isto só é possível com uma verdadeira política desportiva em que o Estado tem de assumir as suas responsabilidades, sob pena de cada vez mais nos afastarmos dessa máxima de mente sã em corpo são.

Saúdo todos os atletas os quais, certamente, mais do que ninguém terão ficado tristes e decepcionados e, sobretudo, preocupados com o seu futuro, porque não conseguiram ganhar a medalha que o governo queria comprar para os continuar a apoiar e promover.

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