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A Intelligentsia nos seus labirintos

o-grito

O Grito, Munch (fragmento)

 

A  intelligentsia norte-americana está em guerra aberta com Trump. Na Europa, alguns classificam essa intelligentsia, escritores, artistas das artes visuais, teatro e cinema, músicos, como de esquerda, sabendo bem de mais que a grande maioria são liberais com muito pouco de esquerda. Fazem bem em invectivarem Trump um reacionário proto-fascista, com tiques de caudilho sul-americano, mas não deixa de ser uma curiosa posição que merece alguma reflexão quando, muitos até com boas intenções melhor dizendo ilusões democráticas, objectivamente escoram uma oligarquia, agora corporizada por Hillary Clinton e antes por Obama. O cerne da questão é a decadência dos EUA. Trump é tão neoliberal como os Clintons’s, os Obama’s, os Bush’s. Os confrontos a que estamos a assistir pouco tem a ver com democracias e muito com uma guerra entre interesses divergentes de grupos de plutocratas. Trump e os seus sequazes reconhecem a decadência dos EUA, consideram-na uma consequência das políticas dos oligarcas que se acantonaram atrás da Sra. Clinton,nas últimas eleições. Para uns e outros os mecanismos democráticos são uma ferramenta para defenderem os seus interesses. A intelligentsia norte-americana e  as outras em muitas partes do mundo, principalmente na Europa, estiveram até agora caladas perante todos os desmandos “democráticos”. É de perguntar onde estiveram durante os oito anos de mandato de Obama, quando a divida pública dos EUA passou de 11 para 20 milhões de milhões de dólares (aumento de 1 250 mil milhões por ano, 3 mil milhões /dia!) procurando fazê-la pagar à força ou com persuasão, que não deixa de ser violenta, ao mundo onde se impunha unipolarmente. Dívida que aumentou exponencialmente por essa administração ter uma política que defendeu os interesses da finança e do grande capital, pelos custos das guerras que fomentou. Onde estava essa gente quando, durante os oito anos de administração Obama as desigualdades aumentaram, os salários reais baixaram, mais de 90% do aumento da riqueza nacional foram enfiados nos bolsos dos 1% mais ricos. Quando os serviços públicos e sociais se degradaram. Quando mais de 46 milhões de cidadãos – a maioria negros e hispânicos, a situação dessas minorias e a violência que sofrem agravou-se – estão abaixo do limite de pobreza. Quando o desemprego é de 21%  com os critérios dos anos 80 (Paul Craig Roberts). A população prisional atingiu os 2 milhões. O Obamacare é um seguro médico pago pelo Estado aos privados, redigido per representantes das seguradoras e farmacêuticas, com uma franquia de 6 500 dólares por família em 2015. Onde estavam? Que protestos fizeram? Todos mudos e quedos como sempre estiveram surdos às bombas que esse Nobel  da Paz despejou pelo mundo ao ritmo de 3 bombas/hora, número revelado nno jornal bi-mensal do Foreign Affairs, do CRF (Council on Foreign Relations), http://blogs.cfr.org/zenko/2017/01/05/bombs-dropped-in-2016/ que é considerado pelo Departamento de Estado como uma espécie de “how-to”, um guia para a condução da política externa. Quando com Obama, os EUA e aliados lançaram 100 000 bombas e mísseis, em sete países, contra  70 000 em cinco países pelo Bush da invasão do Iraque. Os gastos militares superaram em mais 18,7 mil milhões os de George W Bush. Quando as forças militares dos EUA estão presentes em 138 países, em comparação com os 60 quando tomou posse. A utilização de drones aumentou 10 vezes, atingindo toda a espécie de alvos e vítimas civis e Obama,  informe do New York Times, https://www.nytimes.com/2014/06/26/world/use-of-drones-for-killings-risks-a-war-without-end-panel-concludes-in-report.html?_r=0 seleccionava pessoalmente aqueles que seriam assassinados por mísseis disparados de drones. Um senador republicano, Lindsey Graham, estimou, sem qualquer desmentido, que os drones de Obama mataram 4.700 pessoas. “Por vezes atingem-se pessoas inocentes e odeio isso”, disse o nobelizado com o cinismo que o caracteriza, “mas removemos alguns altos membros da Al Qaeda”. Quando foram recrutadas e treinadas forças mercenárias para combaterem na Líbia e Síria, pagaram-se a esquadrões da morte para abaterem no Iraque alvos políticos incómodos. O total de mortes infligidas em guerras, directas ou por procuração, terá atingido 2 milhões de pessoas. Onde estavam quando os bombardeamentos são mais intensos que os anteriores, contabilizando-se 65 730 ataques de bombas e mísseis nos últimos dois anos e meio. Com Obama ampliou-se o apoio às agressões de Israel ao povo palestiniano, os crimes da Arábia Saudita contra o povo do Iémen, financiou-se e armou-se o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, John Kerry dixit em entrevista de fim de mandato. Obama também aconselhou e financiou e golpes de estado das Honduras à Ucrânia. Nomeou para a CIA, chefias militares e para o governo conhecidos falcões como a secretária de Estado Hillary Clinton, a embaixadora na ONU Samantha Power a secretária de Estados para os Assuntos Europeus e Euroasiáticos Victoria “Que se Foda a Europa” Nuland. http://www.bbc.com/news/world-europe-26079957

Tudo isto tem coerência interna: a General Dynamics, grande fabricante de armamento pesado, submarinos, navios de guerra, financiou a carreira política de Barack Obama, desde que concorreu às primárias em 2008, quando demagogicamente fazia promessas parecidas com as de Jesse Jackson uns anos antes, antecipando algumas que vieram a ser feitas por Bernie Sanders, deixando a sua opositora Hillary Clinton boquiaberta de espanto, derrotada pela lábia desse grande vigarista que tinha garantido os apoios financeiros do complexo-militar e industrial que deviam rir a bom rir das suas tiradas Yes You Can’t, conhecendo o seu verdadeiro significado.

Intelligentsia que não mexeu uma palha quando Obama desalojou violentamente os Occupy Wall Street, http://www.weeklystandard.com/obama-on-occupy-wall-street-we-are-on-their-side/article/598251 fazendo um discurso em defesa dos especuladores bolsistas, sustentando-os com milhares de milhões de dólares.

As políticas de Obama e a cumplicidade silenciosa da intelligentsia são um triunfo da pós-verdade, o conceito escolhido pelos Oxford Dictionaries, um canone dos dicionários, para palavra do ano 2016, como o “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais factos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. A pós-verdade em que cimenta a gigantesca fraude Obama, como se pode ler e ouvir no seu discurso de despedida. A colossal vigarice que é Obama, bem retratada por José Goulão no AbrilAbril. http://www.abrilabril.pt/o-polimento-da-tragedia-obama

Agora, com a eleição de Trump, não menos perigoso que Obama, saltam para o terreiro enterrando os pés no pântano de uma democracia esclerosada, expressão política muito clara do fracasso e da crise estrutural do modelo neoliberal nos Estados Unidos, em que quem se senta na Sala Oval, chame-se Bush ou Clinton, Obama ou Trump, prossegue políticas na defesa dos interesses imperiais dos EUA, seja sob a bandeira do excepcionalismo teológico dos Estados Unidos da América em que Obama acredita”com toda a fibra do meu ser”, ou do demagógico “Make America Great Again” de Trump.

Quais as razões por só agora as mulheres organizarem a Marcha das Mulheres contra Trump, bem oleada com milhares de dólares por esse filantropo que é Georges Soros, http://www.ceticismopolitico.com/bilionario-soros-esta-ligado-a-mais-de-50-grupos-que-participaram-da-marcha-das-mulheres-em-washington/ e nunca o terem feito contra, pelo menos contra algumas, das políticas da administração Obama? Porquê é que ninguém esfrega na cara de Madeleine Allbright a justificação do assassínio de 500 000 mil crianças, meio milhão de crianças no Iraque, mais do que as que morreram em Hiroshisma, como efeito colateral, o preço certo a pagar disse ela, https://youtu.be/RZLGQ83KoOo quando com grande descaro declara que se vai inscrever como muçulmana, em denúncia dos propósitos xenófobos de Trump?   Porquê só agora milhares de escritores, reunidos no Writers Resist, manifestam a sua indignação porque desejam ”superar o discurso político directo, em favor de um enfoque inspirado no futuro e nós, como escritores, podemos ser uma força unificadora para a protecção da democracia”(…) “instamos organizadores e oradores locais a evitarem utilizar nomes de políticos ou a adoptar linguagem “anti” como foco no evento do Writers Resist. É importante assegurar que organizações sem fins lucrativos, que estão proibidas de fazer campanhas políticas, se sentirão confiantes em participar e patrocinar estes eventos”. Nada disseram quando Obama alterou a lei para possibilitar que os grandes consórcios financiassem sem limites e sem escrutínio as campanhas políticas, distorcendo ainda mais claramente a democracia que assim ficou ainda mais dependente das cornucópias de dólares que impossibilitam de facto candidaturas, como a dos Verdes ou dos Libertários, que reduzem o debate de ideias aos rodeos das primárias e das finais ente Democratas e Republicanos, diferentes na forma, iguais nos objectivos. Ou será por esses milhares de escritores terem ficado confortáveis numa falsa ignorância fabricada pelos discursos indirectos, fingindo que não os conseguem decifrar mesmo quando as realidades se perfilam para não deixar uma brecha de dúvida?

Não se quer, nem é desejável, que se meta no mesmo saco de lixo o ogre Trump e o contrabandista Obama. Cada um no seu saco mas ambos atirados para o mesmo aterro sanitário. Isso é o que deveria ser feito por essa intelligentsia, tanto nos EUA como na Europa.

“A acção de todos deverá ser totalmente impessoal– de facto não deverá orientar-se por quaisquer pessoas que sejam, mas por regras que definem os procedimentos a seguir,”(Zigmunt Baumann). Príncipio esquecido por essa gente que anda aos baldões das emoções. Orientam-se erráticamente, nessa deriva a razão torna-se coisa descartável. É o que está agora a acontecer sepultando bem enterrado o que Martha Gelhorn disse num Congresso de Intelectuais em Nova Iorque em 1932 contra o ascenso do nazi-fascismo na Europa e também nos EUA, recordem-se os apoios que lhe davam Lindberg, Allen Dulles, John Rockfeller, Prescott Bush, John Kennedy (pai), as grandes corporações financeiras e industriais, http://www.rationalrevolution.net/war/american_supporters_of_the_europ.htm. Congresso que juntou, de viva voz ou por comunicações enviadas,  os maiores intelectuais da época, de Steinbeck a Thomas Mann, de Einstein a Upton Sinclair: “Um escritor deve ser agora um homem de acção… Um homem que deu um ano de vida a greves siderúrgicas, ou aos desempregados, ou aos problemas do preconceito racial, não perdeu ou desperdiçou tempo. É um homem que sabe a que pertence. Se sobrevive a tal acção, o que diria posteriormente acerca da mesma é a verdade, necessária e real, e perdurará”. (Martha Gelhorn). Até agora onde tem estado, por onde têm andado esses milhares de escritores? No conforto dos seus lares, das suas tertúlias, das bolsas concedidas por fundações que também financiam acções menos louváveis.

Escrevem, filmam, realizam obras de arte onde se apagou a política, a vida das pessoas, as vidas dolorosas dos explorados e oprimidos. Em linha são celebrados por uma crítica que os aplaude, suporta, divulga. Óscar Lopes, com a clarivência e o conhecimento que tinha, anotava que a classe operária, os dramas dos explorados tinha sido rasurado das artes desde meados do séc. XX. Essa a regra, as excepções quase passam despercebidas, são mesmo invectivadas, acusadas de contaminarem a arte pela política. É um fenómeno universal que Terry Eagleton, afirma em Depois da Teoria,” hoje em dia tanto a teoria cultural quanto a literária são bastardas” (…) “pela primeira vez em dois séculos não há qualquer poeta, dramaturgo ou romancista britânico em condições de questionar os fundamentos do modo de vida ocidental”. Um dos últimos, não estava sózinho mas estava pouco acompanhado,  foi Harold Pinter, nas suas peças teatrais e no discurso que fez na aceitação do Prémio Nobel, em 2005. http://cultura.elpais.com/cultura/2005/12/07/actualidad/1133910005_850215.html. Hoje não se encontram, ou raríssima se encontram um Alves Redol, Carlos Oliveira, José Cardoso Pires, José Saramago, para nos fixar em território nacional. Não se escrevem As Vinhas da Ira(Steinbeck), Jean Christophe(Roman Rolland) Manhatan Transfer(John dos Passos), Oliver Twist(Charles Dickens), Germinal (Zola), A Profissão da Sra Warren(Bernard Shaw), Mãe Coragem e os seus Dois Filhos (Berthold Brecht), O Triunfo dos Porcos(Georges Orwell), referências rápidas a que se poderiam agregar muitas mais. Raríssimos os filmes sobre temas sociais e políticos como os de Kean Loach, Recursos Humanos(Laurence Cantet), Blue Collar (Paul Schrader), para nos circunscrever aos tempos mais próximos e não enumerar os neo-realistas italianos, franceses, russos.

Ninguém, quase mesmo quase ninguém fala dos pobres, dos sonhos utópicos, da imoralidade do capitalismo, ataca a classe dominante, a corrupção que espalha. Foi todo um trabalho feito nos anos da guerra fria pela CIA, leia-se Who Paid de Paper, The CIA and the Cultural Cold War, de Frances Stonor Saunders. Trabalho bem sucedido dessas tarântulas tecendo as teias onde a cultura e as artes se debatem no caldo de cultura pós-moderna em que “a ideia moderna da racionalidade global da vida social e pessoal acabou por se desintegrar em mini-racionalidades ao serviço de uma global inabarcável e incontrolável irracionalidade”(Lyotard). Para sobreviverem e viverem comodamente, dissociam-se da política, dos dramas sociais, das guerras para encobrirem, o caos, o abismo, o sem fundo de que falava Castoriadis, para onde se é atirado sem remissão. Trabalho que teve tanto êxito, olhe-se para os paradigmas culturais do pós-modernismo, que só tem paralelo com o  controlo dos meios de comunicação social enquanto  em nome da racionalização e da modernização da produção, se regressa ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial. Uma guerra em que os arsenais são financeiros e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos impondo uma nova ordem fanática e totalitária. Nova ordem são de importância equivalente o controlo da produção de bens materiais e o dos bens imateriais. É tão importante a produção de bens de consumo e de instrumentos financeiros como a produção de comunicação que prepara e justifica as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e dos novos, proporcionados pelas redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas, as revistas de glamour, a música internacional nos sentimentos e americana na forma, os programas radiofónicos e televisivos prontos a usar e a esquecer, o teatro espectacular e ligeiro, o cinema mundano medido pelo número de espectadores, a arte contemporânea em que a forma pode ser substituída por uma ideia, a sua bitola é o seu do valor de mercadoria artística.

É nessa nova ordem que se inscrevem os Writters Resist, em que mesmo os que se aproximam de uma ideia de esquerda europeia estão contaminados e enquadrados pela ideologia de direita dominante. Alarmam-se com Trump mas nunca se alarmaram com Obama ou os seus antecessores. Têm razão numa coisa: estamos mais perto de uma nova versão do fascismo, como se vê no alastramento da mancha de óleo da direita e extrema direita na Europa e nas Américas. Um clima de guerra real que se avoluma-se no horizonte a par da guerra ideológica. Têm agora um sobressalto. Um alarme tardo, uma cortina que tapa o silêncio em que, sem qualquer vergonha, envolveram as políticas que agravaram desigualdades económicas e sociais, as agressões norte-americanas em todo o mundo por anteriores administrações, democratas e republicanas. É chocante, obsceno ver, ler e ouvir como muitos desses obsecados com Trump, bajularam e bajulam Obama. Como se assemelham aos ratos que seguem, sem uma ruga de dúvida, essa moderna versão do flautista de Hamelin. Têm razão em invectar Trump, em se preocuparem com o abubar dos campos da direita e extrema-direita. Com o estado de guerra latente que se vive, que já se vivia. Deviam sentir-se culpados, miseravelmente culpados por terem fechado ou na melhor das hipóteses semi-cerrado os olhos aos desmandos que prepararam a sua ascensão.

Como escreve William I. Robinson, professor na Universidade da Califórnia,  um dos raros não contaminados pelo pensamento dominante da ideologia de direita: “O presidente Barack Obam pode ter feito mais do que ninguém para assegurar a vitória de Trump(…)Ainda que a eleição de Trump tenha disparado uma rápida expansão de correntes fascistas na sociedade civil dos EUA, uma saída fascista para o sistema político está longe de ser inevitável.(…) Mas esse combate requer clareza de como actuar perante um precipício perigoso. As sementes do fascismo do século XXI foram plantadas, fertilizadas e regadas pela administração Obama e a elite liberal em bancarrota politica”. http://www.telesurtv.net/english/opinion/From-Obama-to-Trump-The-Failure-of-Passive-Revolution-20170113-0011.html

A direita exulta. Mesmo a que inicialmente foi reticente em relação a Trump, agora vai deixando cair as máscaras. progressivamente alinhando com as sementes proto fascistas que ele vai plantando.  Ler ou ouvir a comunicação social mais alinhada à direita sobre Trump, durante as primárias republicanas e a campanha eleitoral e depois da sua vitória é assistir a um pouco árduo e cínico exercício de rotação. Do outro lado, muita esquerda permanece vacilante amarrada ao ter louvado ou ter depositado irracionais esperanças em Obama. Ler o que por aí se escreveu e disse quando foi eleito presidente ou agora quando não há razão para qualquer dúvida, é muito instrutivo sobre algumas esquerdas, as velhas e as novas. As que repetem os vícios do radicalismo pequeno burguês usando estilistas modernaços ou de antanho,  as que metem com contumácia o socialismo nas gavetas abertas ou fechadas pelas terceiras vias e suas variantes. Nas suas derivas não encontram o fio de Ariadne que lhes aponte o caminho de saída do labirinto por onde deambulam confusos. O Minotauro espera-os. O mundo continua a arder.

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Há uma visão do terrorismo pequena, que vive de sobressalto em sobressalto a cada atentado. Condena-se o terrorismo, glorifica-se a dignidade dos que sobrevivem, socorrem e perseguem os terroristas, glorificação variável em função da geografia em que acontecem, com a mesma facilidade com que se menorizam ou mesmo esquecem as suas raízes. As vidas são de primeira, de segunda ou mesmo terceira categoria conforme os lugares em que as bombas rebentam e as ceifam. Os mais recentes acontecimentos são disso uma demonstração brutal. A distância mediática entre Bruxelas e Lahore ultrapassa em muito a sua distância real. Põe em evidência a farsa das teorias da aldeia global e como funciona em benefício do pensamento único.

Ler vários textos opinativos no último Expresso é um retrato implacável de uma comunicação social medíocre, de dois pesos e duas medidas, bem representativa da cobertura jornalística e os comentários produzida ao longo dos anos, desde que o terrorismo entrou no quotidiano de muitos países com a sua barbárie brutal.

Há que condenar sem qualquer hesitação o terrorismo seja feito por quem for, aconteça onde acontecer. Essa não é a orientação dos media internacionais e muito menos dos nacionais. Estão mais empenhados em defender, com graduações diversas, as estratégias geopolíticas dos EUA e seus aliados europeus, desviando o olhar dos seus efeitos devastadores para se focarem pontualmente nos atentados em si, menorizando uns em favor de outros.

A listagem dos mais graves atentados terroristas depois do primeiro mais visível e simbólico de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, é eloquente. Veja-se a cobertura mediática dos ataques terroristas mais violentos nos últimos anos, do Boko Haram na Nigéria, 310 vítimas em Agosto de 2007, 178 em Janeiro de 2012, 188 em Abril e 143 em Setembro de 2013, 219 em Março de 2014, 780 vitimas em Julho de 2009 e 700 em Janeiro de 2015, no Iraque 188 em Março de 2004, 182 em Setembro de 2005, 153 em Março, 193 em Abril e 192 em Julho, 502 em Agosto. de 2007, 155 em Outubro de 2009. E de outros que aconteceram no Uganda, na India, no Paquistão, no Quénia, no Iémen, na Indonésia, na Somália, todos com número de vítimas superior à centena, sendo que alguns desses países sofreram vários os atentados.

Compare-se essa cobertura mediática e os comentários que produziram nos media com os sucedidos em Espanha, em Madrid em Março de 2004, 191 vítimas, em França com o massacre na redacção do Charlie Hebdo em Janeiro e as 120 vítimas dos ataques armados em Novembro de 2015. Ficaria tudo dito ou quase se não se referissem os atentados perpetrados na Rússia com 334 vitimas no ataque aos terroristas ao fim de três dias de sequestro de 1100 reféns numa escola em Beslan, na Ossétia do Norte, em Setembro de 2004, as 170 vítimas em 2002, na tomada de reféns num cinema em Moscovo ou um atentado bombista no metropolitano. A imprensa ocidental tratou benevolamente os terroristas como nacionalistas, uns padecedores da desaparecida União Soviética e do actual governo da Rússia. Nunca referem que são os os mesmos que agora engrossam as fileiras do Estado Islâmico (EI), alguns com cargos importantes e que também estão na Ucrânia com os seus companheiros de armas nazi-fascistas. Os mesmos que têm por seus antecessores os talibãs, esses combatentes pela liberdade no Afeganistão, treinados, municiados e financiados pelos EUA seus aliados e o Paquistão, que derrubaram um governo que tinha proibido o uso da burka, que tinha dado às mulheres afegãs o direito de vestirem o que quisessem, de casar com quem queriam, de estudar e participar na vida pública e política, de iniciar uma reforma agrária que queria erradicar a plantação de plantas opiáceas. Crimes contra os valores tradicionais na região e, pelas alianças espúrias que apoiaram os mujahedin, os guerreiros de deus que derrubaram esse novo poder afegão, também contra alguns valores da civilização ocidental que estavam a ser implementados.

A duplicidade, a hipocrisia atinge o quase inimaginável quando, de algum modo se justifica a bomba que fez explodir um avião de passageiros russo sobre o Sinai, 235 mortos, como uma vingança do EI contra a intervenção da aviação russa na Síria que, em alguns meses,  obteve mais resultados na luta contra o EI e os vários braços armados da Al-Qaeda do que cinco anos de intervenção da coligação liderada pelos EUA que o cientista político Robert Pape, também na última edição do Expresso, diz, contra todas as evidências, sem se rir, com grande descaro e sem que a jornalista se sobressalte, ser a responsável pela perca pelo EI de 40% das áreas povoadas na Síria e no Iraque. Diz isto quando o exército sírio apoiado pela aviação russa tem feito recuar significativamente o EI e a Al-Nustra, cortando as suas linhas de abastecimento e de financiamento e quando acaba de recuperar a cidade de Palmira, o que deveria envergonhar o Ocidente, como escreveu Robert Fisk no The Independent, prevendo esse desfecho, sobre o que já escreveu.

Essa doblez, esse cinismo não conhece fronteiras. Atinge o seu alfa e ómega se compararmos como foram noticiados e comentados os ataques terroristas nos aeroportos de Domodedovo, Moscovo 2011 e Zaveventem, Bruxelas, ocorrido na semana passada. A diferença entre o número de páginas, tempos de noticiários radiofónicos e televisivos, espaços na internet e redes sociais é abissal. Mas o que mais indigna e é inquietantemente grave é a diferença de tratamento entre os terroristas suicidas nas duas ocorrências que, note-se, tiveram um número de vítimas idêntico. Enquanto os que fizeram o atentado em Bruxelas são universalmente tratados como as bestas criminosas que são e nunca como combatentes do Estado Islâmico, as duas mulheres suicidas do atentado em Moscovo são nalguns casos, como no Huffington Post, que se distingue pelas posições de direita, umas quase heroínas lutando pela independência das suas regiões de origem no Cáucaso. Se isso até pode não causar admiração vindo de quem vem, já se pode estranhar como o atentado foi noticiado por imprensa que empunha as bandeiras da independência, do rigor informativo, de serem de referência, até mais à esquerda como o The Guardian ou o Liberation que as tratam como viúvas negras vingadoras dos supostos lutadores pelos direitos humanos nas suas regiões que teriam morrido nessa nobre luta contra o Kremlin. Os outros media afinaram pelo mesmo diapasão. Uma ignóbil manipulação que só se compreende pela submissão mercenária desses media ao pensamento dominante e ao imperialismo euro-atlântico.

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Tão viscosa, viciosa e dúplice maneira de tratar dois atentados terroristas em tudo semelhantes, não alvoroçou nem perturbou os monteiros e os tavares agora tão lépidos a condenar a intervenção do deputado Miguel Tiago que, admitamos com alguma ligeireza, começou por apontar o dedo “às políticas de direita, o capitalismo e o imperialismo” antes de condenar o terrorismo na sua cega barbárie. Ligeireza porque deveria sem peias, nem outros mas, ter condenado o terrorismo venha de onde vier, seja utilizado por quem for mesmo que a razão lhe assista e assiste. Num caso destes, em que a intervenção tem o tempo contado, a explicativa pode ser maliciosamente confundida com uma justificativa. Os considerandos, perante actos deste jaez que procuram pela instalação do medo e do terror de forma cega, deveriam ter sido secundarizados porque nunca teriam tempo para ser fundamentados.

Os monteiros e os tavares e outros idiotas que se julgam inteligentes e poluem os espaços mediáticos, percebem pouco do que está a acontecer e porque está a acontecer. São obtusos perante a história próxima que desagua nos cenários de guerra e terror actuais. A sua miopia nada inocente apaga a realidade para defenderem não os valores da liberdade e da civilização, mas de uma certa liberdade e de uma certa civilização que espalha a bestialidade, e dela acaba por ser tornar vitima, para garantir a sua sobrevivência ameaçada como está pela decadência. As chacinas provocadas pelos atentados terroristas desde que não aconteçam nos países ocidentais praticamente não existe, é quase natural. Pouco lhes importa que o número de vitimas dos atentados no Médio-Oriente, em África ou na Ásia sejam mais numerosos e atinjam mais pessoas inocentes do que na Europa, exceptuando a Rússia. Que, apesar de tudo, a Europa ainda é um lugar mais seguro que os outros países. Subliminarmente são o prolongamento do pensamento da expansão colonial que se fez na base de exterminar todas as bestas, todos os que se opunham à missão civilizadora do homem branco e assim justificava o saque que praticavam. São a expressão de um pensamento pós-colonial.

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O que hoje se configura tem contornos e fronteiras diferentes. Mas devemos recordar Hanna Arendt quando considerou que “os terríveis massacres” e os “assassínios selváticos” perpetrados pelos imperialistas europeus “são os responsáveis pela introdução triunfante de tais meios de pacificação em políticas estrangeiras comuns e respeitáveis, dando origem aos totalitarismos e aos seus genocídios”. O Estado Islâmico e de outro modo a Al-Qaeda e as suas variantes, têm uma mentalidade totalitária com raiz no Islão radical.

Quando Nixon, depois de desindexar o dólar do ouro, negociou com a Arábia Saudita, na altura de longe o maior produtor de petróleo e o fiel da balança do mercado petrolífero, o dólar como moeda única na transacção do ouro negro, deu o primeiro passo na direcção actual. A Arábia Saudita, garante dos petrodólares e do seu futuro, ficou com a liberdade e a possibilidade de instalar e multiplicar as mesquitas que divulgavam e divulgam o wahabismo, o fundamentalismo islâmico. É nessas mesquitas que se radicalizam, em todo o mundo, os muçulmanos o que ainda é mais fácil e rápido quando na Europa as populações árabes e magrebinas, de primeira ou segunda geração, são fortemente atingidas pelo desemprego, que se vai agravar com a crise dos refugiados É esse o caldo de cultura que políticas geoestratégicas desvairadas dos EUA e dos seus aliados, em que as invasões do Afeganistão e do Iraque decididas por Bush, as Primaveras Árabes um caminho directo para o Inferno, a invenção de uma oposição moderada síria para derrubar um ditador que é quase um democrata quando comparado com o rei e os dignatários sauditas e os emires do Qatar ou do Bahrein, que lançaram o caos e a desordem, possibilitando a instalação de um Estado que ocupa um território extenso, tem estruturas administrativas e militares, meios financeiros obtidos por generosas dádivas sauditas e qatares e as angariados pelo roubo do petróleo e bens patrimoniais que contrabandeiam através da Turquia, um membro da NATO, enquanto exportam o fundamentalismo e o terror para todo o mundo.

O estarem actualmente em recuo no Iraque e na Síria, sublinhe-se o papel importante e decisivo da Rússia e dos curdos, sistematicamente bombardeados pela Turquia, amplifica o seu desespero na luta pela sobrevivência, continuando respaldados sobretudo pela Arábia Saudita e pelo jogo duplo da Turquia que chantageia com êxito uma Europa desorientada.

Fingir ou ocultar os problemas dessas geoestratégias, como fazem os monteiros e os tavares deste e do outro mundo, que Miguel Tiago enunciou correndo todos os riscos da simplificação, é condenar-nos todos a ficar reféns da barbárie. Do terror fundamentalista na Europa, em África, na Ásia no Médio-Oriente, porque o que está a acontecer não é uma guerra entre civilizações, nem uma guerra religiosa. A história está cheia de processos de miscigenações e aculturações que desmentem essa visão.. Quem pensa assim está a alimentar a xenofobia e o ódio. A não ter qualquer horizonte de futuro, continuando com os pés enterrados no pântano a que nos conduziram essas políticas. É não ver que tudo isto acontece por objectivos pré-estabelecidos, mesmo quando salta fora dos eixos e do controle de quem os traçou.

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Os Ovos da Serpente

 

OVO da SerpenteA política cega dos Estados Unidos e da NATO no Médio-Oriente continua em ritmo acelerado, contra todas as evidências. As mentiras multiplicam-se para justificar a intervenção na Síria, feita pelo modelo que teve e tem as consequências catastróficas que se conhecem em outros países da mesma área geográfica.

Kerry insiste numa solução que não terá outro resultado a não ser tornar a Síria num novo Iraque ou pior numa nova Líbia. Espera que em eleições Bashar Al-Assad seja substituído por quem? Por dirigentes da Al-Nusra, o braço da Al-Qaeda na Síria? Por homens do ISIS disfarçados de democratas rendidos aos valores ocidentais? Cala-se, como se cala a Europa, com as cumplicidades entre os terroristas, gerados pelos ovos da serpente que andaram a plantar no Médio-Oriente e no norte de África, e os seus aliados sauditas, bem mais ditadores que Assad, do Qatar, dos Emiratos e desse país, exemplar membro da NATO, que é a Turquia. Fazem descobertas espantosas como a do chamado Exército Livre da Síria ter nas suas fileiras 70 000 soldados, como afirmou Cameron numa tirada de fazer inveja aos Monty Python. Apoiam uma cimeira organizada pela Arábia Saudita para promover a unidade do Médio-Oriente e onde estão representados todos os que opõem a Assad, incluindo todos os grupos terroristas excepto, alguém acredita nisto? o Estado Islâmico, o seu aliado preferencial. Sobre o assunto leiam o artigo de Robert Fisk no Independent. Sabem, como toda a gente sabe e como os Serviços Secretos da Alemanha esclarecem num detalhado relatório, leiam-no que é bastante esclarecedor, o que acontece no terreno e quem manobra nos bastidores com a cumplicidade dos EUA, da Europa, da NATO. A ler os bem documentados post’s, aqui e aqui, de José Goulão no seu blogue Mundo Cão e ouvir o general Pezarat Correia na televisão, fora dos horários ditos nobres como convém.

Depois dos atentados em Paris, a coligação liderada pelos EUA, decidiu bombardear o Estado Islâmico na Síria, violando o espaço aéreo desse país. O inefável Cameron em nome dos valores da democracia, incluiu nos objectivos da forca aérea britânica o exército sírio. A hipocrisia e o cinismo dessa gente não conhece fronteiras. Os resultados desse empenho contra o terrorismo, que ajudaram activamente a fomentar e de que agora são por vezes vítimas, começam a ser visíveis. Em vez de bombardear o Estado Islâmico, os aviões norte-americanos bombardearam forças do exército sírio, com a agravante de estarem a violar o espaço aéreo desse país. Desmentem o facto, com a mesma veemência com que mentem desde sempre, lembram-se de Colin Powell no Conselho de Segurança da ONU a desdobrar mapas das armas de destruição maciça no Iraque? Bombardeiam quem no terreno luta contra o Estado Islâmico seguindo as práticas da Turquia, um país da NATO, onde se treinam e armam os terroristas por onde circula o petróleo roubado no Iraque e na Síria pelo Estado Islâmico e que é a sua principal fonte de financiamento, Turquia que bombardeia sistematicamente a outra força no terreno, os curdos, que combate o Estado Islâmico.

Afinal que política é esta? Que gente é esta que, por tudo e por nada, invoca os valores da civilização ocidental?

Entretanto os ovos da serpente que andaram a plantar começam a abrir-se em plena Europa. Olhem-se os últimos resultados eleitorais em França, mas também no reforço das direitas mais radicais noutros países da União Europeia. Olhe-se para a Ucrânia onde partidos nazi-fascistas já estão no poder e onde batalhões do Estado Islâmico combatem ao lado do exército ucraniano e das milícias fascistas.

Os resultados dessas políticas criminosas, com os resultados que se conhecem, estão à vista de todos. Com o apoio da comunicação social mercenária, todos os dias nos são vendidas mentiras que as justificam, enquanto nuvens bem negras se acumulam no horizonte e os atentados terroristas estão ao pé da nossa porta. Há que dizer um vigoroso NÃO a essa gente sem escrúpulos, nem honra que quer governar o mundo.

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comemorar os 70 anos da derrota do nazi-fascismo

Berlim

Há 70 anos o IV Reich foi derrotado. A aventura nazi-fascista inicialmente apoiada pelo grande capital, chegava ao fim às mãos e ás armas da União Soviética, aliada das potencias ocidentais, Reino Unido, Estados Unidos da América e França, cujos interesses económicos começaram a partir de certa altura a serem ameaçados pelos interesses económicos apoiantes do Eixo. Isto apesar de grandes magnatas norte-americanos como Rockfeller, Rothschild ou Prescott Bush, avô dos Bush que esteve implicado num golpe fascista nos EUA, terem sido grandes financiadores de Hitler e várias empresas norte-americanas terem participações significativas nas maiores empresas alemãs que beneficiavam largamente com o trabalho escravo recrutado nos campos de concentração. Sinais claros do prestígio que Hitler e o partido Nazi tinham nos meios do grande capital.

Num outro plano, a II Guerra Mundial foi também o palco para resolver a crise de 1929. Foi a II Guerra Mundial que possibilitou que a crise financeira de 1929 se resolvesse. O New Deal de Roosevelt, iniciado em 1932, no pico da crise, introduziu uma forte intervenção do Estado na economia. Procurando regular os mercados e o funcionamento da Bolsa, impedindo investimentos especulativos e de alto risco. Impulsionando uma forte política de investimento na construção civil com um programa intenso de obras públicas, a New Deal começou em força, foi perdendo fulgor e estava a avançar muito devagar. Um novo pico dessa crise foi atingido em 1932. A guerra resolveu os problemas dessa crise capitalista. Obrigou os governos a fazer encomendas gigantescas de aço, máquinas, peças, artefactos que mobilizaram toda a indústria. O problema do desemprego, há que o dizer com toda a brutalidade, resolveu-se com a mobilização de milhões de desempregados e com os milhões de seres humanos mortos nos campos de batalha e fora deles com a fome e a destruição que uma guerra provoca.

Há 70 anos o nazi-fascismo foi derrotado, hoje na Rússia comemoraram-se esses 70 anos, lembrando bem o papel central, decisivo da União Soviética na derrota da barbárie nazi. Para vergonha universal quase todos os países ocidentais não se fizeram representar nessas comemorações a pretexto da situação na Ucrânia. Mais uma vez demonstraram a sua natureza. São hoje tão complacentes com o regime terrorista ucraniano como o foram inicialmente com os nazis Aceitam, sem qualquer reticência que o governo que está no poder na Ucrânia tenha entre os seus ministros e quadros superiores, nazis assumidos. Não se envergonham por ontem, na presença do secretário geral da ONU e outros dignitários ocidentais, o Presidente da República da Ucrânia tenha comemorado o fim da II Guerra Mundial, celebrando simultaneamente o sanguinário bandoleiro, Stepan Bandera, um dois mais brutais colaboradores dos alemães, em todos os territórios ocupados pelo IV Reich. Chefe e guia de um bando de facínoras responsável pela morte de centenas de milhares de russos, polacos e ucranianos, fossem ou não fossem judeus.

O ocidente, ausente das comemorações na Rússia como “castigo” pela situação de guerra na Ucrânia, esteve presente e apoia activamente a Ucrânia/Kiev, onde batalhões de nazis do Sector Direita, que os media ocidentais apelidam com ternura de ultranacionalistas, têm no terreno, a lutar a seu lado, batalhões do Estado Islâmico, seus aliados e aliados da NATO que cada vez se compromete mais naquela frente de batalha que abriram com um golpe de estado financiado pelos EUA, como proclamou Victoria “Que Se Foda a Europa” Nuland.

Nada trava essa gente sem princípios que diz combater o terrorismo, corporizado pela Al Qaeda e pelo Estado Islâmico e é seu aliado no Iemen, na Síria, na Ucrânia.

Ao comemorar os 70 anos do fim da II Guerra Mundial, da derrota do nazi-fascismo, devemos erguer a nossa voz, fazer ouvir a nossa indignação pelo ressurgimento dessa besta apocalíptica em todo o mundo com o apoio, umas vezes oculto outras vezes descarado, das forças do império e do seu braço armado a NATO.

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