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Eleições nos EUA

chefes-da-cidade-mova-jersia

Fotografia de Robert Frank, City Fathers,Hoboken, New Jersey in /The Americans

Democracia.Democracias

Democracia é, etimologicamente, o “poder do povo”. Significa literalmente que o povo pode escolher os seus líderes em condições de igualdade e liberdade. Abraham Lincoln proclamava que a democracia se fundava no exercício do voto, era «o governo do povo, pelo povo e para o povo». Um idealismo que outro fundador do conceito moderno de democracia, Jean-Jacques Rousseau, contestava pondo em causa a democracia ficar reduzida ao cumprimento do formalismo eleitoral. Defendia que a democracia não é compatível com minorias muito ricas e maiorias na pobreza. Criticava o parlamentarismo inglês do séc. XVIII: «os ingleses acham-se livres porque votam de tantos em tantos anos para eleger os seus representantes, mas esquecem-se de que no dia seguinte a terem votado, são tão escravos como no dia anterior à votação». Para Rousseau, um opressor não pode representar o oprimido. Um patrão não representa um empregado. Uma questão central no conceito de democracia.

Lénine foi mais incisivo: democracia para quem? Um governo «dos ricos, pelos ricos e para os ricos» não se chama democracia, mas plutocracia.

Debate que continua actual. Sem sequer colocar a questão que, depois de exercer o direito de voto, os cidadãos ficam afastados do exercício do poder político até novas eleições, que entre promessas eleitorais e governação as diferenças podem ser abissais, verifica-se que os sistemas eleitorais, uns mais que outros, distorcem deliberadamente o “poder do povo”. Mesmo nos países em que os votos, pelo sistema proporcional, são próximos da vontade um deputado de um partido maior é eleito com menos votos que um deputado de um partido menor. Comparando sistemas eleitorais as aberrações são muitas. Na Grécia o partido que tiver mais votos, mesmo um só voto, tem um bónus de 50 deputados que escolhe a seu bel-prazer. Nas últimas eleições no Reino Unido os resultados são surpreendentes comparando os deputados eleitos e os que realmente seriam eleitos se o voto fosse proporcional: Partido Conservador Deputados eleitos 330 / Deputados que elegeria 209; Partido Trabalhista 232 / 203; Partido Liberal 8 / 48; UKIP 1 / 78. O Parlamento do Reino Unido está bem longe de representar a vontade do povo. Continuar a ler

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Totalitarismos Democráticos

 

BOLSA

Num mundo ligeiro em que a espessura do pensamento é mais fina que uma folha de papel de arroz, a política um jogo que se quer viciado ao serviço dos grandes interesses económico-financeiros, a comunicação social a voz dos plutocratas seus donos que reproduzem com maior ou menor talento, o controlo de opinião feito por um plâncton de idiotas úteis, alguns inteligentes,  cada cor seu paladar em que o paladar pouco se altera e a cor dominante é o cinzento, multiplica-se a invenção de frases coloridas como bolas de sabão para simular que se vive num mundo muito variado que de facto é composto de poucas mudanças.

Na economia as crises estruturais não são radiografadas. Tudo se escoa pelos sumidouros dos activos tóxicos, dos remédios, bancos bons e bancos maus e por aí fora, numa correria desordenada de frases feitas onde se encontram verdadeiras perolas como aquela do crescimento negativo.

Na política a cada esquina que se dobra tropeça-se no Brexit, no TINA (There Is No Alternative), nas lutas fracturantes, nos efeitos colaterais etc etc para que tudo pareça mudar para tudo continuar na mesma. Eleva-se à categoria de pensamento o thatcherismo, o reganismo, o blairismo como se tudo isso não fossem papeis amarrotados no caixote de lixo da história.

Constrói-se uma realidade de frases feitas que quer impor como realidade o fim da história, o fim da ideologia, o fim do mundo porque para eles não há outro mundo para lá deste. É um processo de pensamento minguante, de retrocesso social, de infantilização da política com um objectivo claro: não ser sequer possível pensar que é possível pensar uma sociedade outra. É o totalitarismo democrático imposto por uma ditadura de medíocres que manipula o presente para manter as rédeas do passado e do futuro nas mãos da plutocracia. Razão tinha Georges Orwell quando lucidamente denunciou que para se ser totalitário não é necessário viver numa sociedade ditatorial porque “quem controla o passado dirige o futuro e quem dirige o futuro controla o passado”.

Deve-se reconhecer que a direita vive um momento de vitória ideológica apesar das vitórias políticas da esquerda. Há que lutar todos os dias contra essa factualidade, mesmo quando vamos entrar no que eles chamam de silly season, como se as lutas sociais e políticas amolecessem com o calor e fossem de férias. Há que fazer entrar pela janela a real realidade que eles atiram com contumácia porta fora.

(editorial do Jornal A Voz do Operário/ Julho,Agosto 2016)

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BANCOS, capitalismo, Durão Barroso, Geral, Goldman Sachs, União Europeia

Fábulas dos tempos actuais

CHERNE

O Cherne sempre teve uma ambição desmedida para o seu parco talento, Nunca olhou aos meios para atingir os fins. Rapidamente percebeu que o MRPP era um charco propício ao desenvolvimento de girinos prontos às mais diversas metamorfoses chegados ao estado adulto. Não se enganou no clube que elegeu. Entre medíocres, medíocre e meio basta. O instinto predador da espécie fê-lo esperar uma ocasião para sair da gruta e abocanhar uma oportunidade dourada. Caiu do céu aos trambolhões. Aí vai ele a nadar vigorosamente para as Lajes, determinado a ser a Mónica Lewinski de Bush, Blair e Aznar. Queridos mandantes políticos há alguma mónica mais capaz que eu? O sistema sabe de ginjeira que há sempre uma mónica qualquer pronta para todo e qualquer serviço que contribua para a manutenção da sua máquina de exploração e especulação. Decidiu recompensar tão solícito e sôfrego mandarete. Puxaram os cordelinhos, meteram eficazes cunhas nas portas da União Europeia para o Cherne ser colocado no topo. Não se exigia muito, só que continuasse com eficiência os exercícios praticados e as quqlidades exibidas nas Lajes. A única alteração era quantitativa. Clientela mais vasta, lustrada e cosmopolita, por vezes com outras exigências. Nada que complicasse a vida do Cherne ou pusesse em causa as suas aptidões certificadas quqndo o anticiclone dos Açores atingiu o Iraque . Em Bruxelas e de Bruxelas para o mundo, esteve sempre pronto a satisfazer a clientela. O espectáculo era público, os paparazzo políticos transmitiam-no em directo ou diferido. O que era menos conhecido, mas que se podia inferir sem grande dificuldade, eram os espectáculos privados que o Cherne dava aos verdadeiros mandantes, satisfazendo todos os seus apetites. Essas marionetas do grande capital estão sempre prontas a mostrar serviço, têm bicho carpinteiro,

Chegou o momento de lhe pagar os trabalhos. O Cherne sabe bem que isso de amor à Europa são lérias e que o poder são degraus que se sobem para chegar ao pote dos maravedis, amealhando o máximo pelo caminho. Sabe também que na indústria do cinema o sector mais lucrativo é o da pornografia, e os mais bem pagos são os filmes exclusivos. A Goldman Sachs paga-os bem caro desde que lucre.  Recompensa os actores que melhor a servem, mesmo que sejam reles. As bitolas são outras nesse mundo obsceno. Antes do Cherne estava lá outro e quando se acentuar o cheiro a fénico do Cherne outro virá. Há que acabar é com as goldman’s sachs deste e de outros mundos que por dinheiro o corrompem sem remissão, com crueldade e sem remorso.

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Panem et Circenses

CIRCO E PÃO

Os chamados Panama Papers agitam a comunicação social ocidental que é parte integrante e muito activa do império, desde que o império em nome da racionalização e da modernização da produção, começou a regressar ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial com uma nova ordem económica que se impõe com violência crescente. O objectivo é a conquista do mundo pelo mercado. Nessa guerra os arsenais são financeiros e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos. Megas pólos do mercado que não estarão sujeitos a controlo algum excepto a lógica do investimento. Uma nova ordem fanática e totalitária em que são de importância equivalente o controlo da produção de bens materiais e o dos bens imateriais. Em que é tão importante a produção de bens de consumo e de instrumentos financeiros como a produção de comunicação que prepara e justifica as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e dos novos, proporcionados pelas redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas. É este o contexto em que se bate tambor com os Panama Papers. Um pequeno tambor à sombra de uma pequena árvore da imensa floresta de corrupção inerente ao sistema.

Em Portugal, basta olhar para o Expresso, esse porta-estandarte da comunicação social independente e do rigor jornalístico. O resto afina, com variações de estilo pelo mesmo diapasão, um eco medíocre do tom maior internacional.

O novel director do Expresso perde a cabeça e intitula um texto de opinião sobre os Panama Papers como O Maior Crime de Sempre. Perdeu completamente a noção da realidade, tal o empenho em sublinhar os objectivos políticos mal ocultos por supostas revelações sensacionais. O ridículo não tem fronteiras, não mata, mas vende. O que ele faz é uma mera operação de marketing para aumentar as vendas no próximo futuro do semanário.

Afinal parece que ninguém sabia nem sabe para que servem os paraísos fiscais. Como são parte intrínseca do sistema capitalista. Ou será que essa gente pensa que, por exemplo no caso português, a offshore da Madeira foi criada para incentivar o cumprimento rigoroso das obrigações fiscais dos países de origem das empresas e das individualidades aí sediadas? Ou que para que Belmiros e Soares dos Santos olhem pra aquele exemplo de incentivo ao rigor fiscal e deixam de fugir a pagar impostos em Portugal, deslocalizando a sede das suas empresas para o mais confortável e amigo, deles evidentemente, sistema fiscal da Holanda?

Nomes e mais nomes desfilam pelos media, dos que lá estão e dos que lá não estando deveriam lá estar, sem que essa troupe de jornalistas se interrogue sobre a natureza do sistema que inventou esse mecanismo de fuga aos impostos. O mesmo sistema que garrota os trabalhadores que, além de serem explorados, não têm meios nem possibilidade de fugir aos impostos por mais brutais que sejam, por mais que sirvam para sustentar os mecanismos de exploração e sustentar o sistema financeiro como por cá tem acontecido com os bancos que faliram ou estavam à beira da falência e foram salvos com o nosso dinheiro, o dinheiro dos contribuintes, sem que cause escândalo nos jornalistas que agora se desdobram em manchetes sensacionalistas.

O Maior Crime de Sempre? Mas não são os países da União Europeia os lideres das offshores? Não é presidente da União Europeia o senhor Juncker que, quando era primeiro ministro do Luxemburgo, inventou um mecanismo legal obviamente para as grandes multinacionais fugirem a pagar impostos nos seus países de origem? E a Irlanda? E a Holanda? E…e quantos bancos, na sequência da crise dos subprime, foram salvos lavando dinheiro do tráfico de droga? Era de tal ordem a lavagem que não era possível cerrar os olhos a tudo. pelo que alguns foram obrigados a pagar multas e a comprometerem-se por um prazo de x anos a não voltar a abrir a lavandaria. Como os grandes bancos têm muitas filiais podem levar as máquinas de lavar para outro local. Um pagode que só provoca uns arranhões de sobressaltos inquisitivos nessa comunidade jornalística agora tão entretida com os Panama Papers. Que não investiga o que se passa no Deustche Bank que tem uma exposição aos derivados e outros produtos financeiros que é 16,4 vezes maior do que todo o PIB da Eurozona. Ou investigue porque é que nos EUA um quinto da capitalização dos bancos Morgan Stanley, Citigroup e Bank of America se evaporou. Ou o mais que por aí anda a sobrevoar ameaçadoramente o mundo.

Offshores, Hedge Funds, Derivados, Futuros, e todas as invenções que favorecem a desenfreada especulação financeira que está a empurrar o mundo para o abismo, que são a corrente sanguínea do sistema capitalista só despertam um relativo interesse jornalístico e investigações superficiais nessa gente que chafurda nos Panama Papers, sem nunca colocar em causa o sistema, quando este, numa linguagem pós-modernaça e ilusionista, fica intoxicado e precisa de remédios. Remédios para quê? Para trepar a montanha dos produtos derivados, do capital fictício, dos activos da banca paralela que, segundo o Finantial Stability Board, representa 120% do PIB mundial e cujo controlo é ainda muito menor do que a generalidade da banca. Para continuar a desenfreada exploração que conduz a que a riqueza de 1% da população mundial seja maior que a dos 99% restantes. Que 60 bilionários tenham tanto capital como a metade mais pobre da população mundial e a tendência é para esses números se agravarem nos próximos anos se o sistema continuar na sua desenfreada correria.

O Maior Crime de Sempre? O maior crime de sempre não será o do caminho feito sobre milhões de vítimas de um sistema que continua a fazer diariamente vitimas em nome dos valores de uma civilização que se consolidou com inúmeros e brutais massacres e genocídios, em nome dos direitos humanos que variam consoante os interesses geoestratégicos, de um estado de direito em que a lei é o direito do mais forte à liberdade. Da democracia em que na suposta pátria da democracia são os super-ricos, os grandes interesses das grandes empresas que decidem quem ganha as eleições, doando somas ilimitadas para influenciar abertamente os seus candidatos. O rol é infindável. Não merece atenção nem ser investigado por essa comunicação social.

O que está a dar, a vender, são os Panama Papers uma espécie de revista cor de rosa onde desfilam nomes dos famosos apanhados nesse reality show. Uma montanha que pare um rato que entra pelos buracos seleccionados do queijo e deixa o queijo quase intacto.

Com pompa, circunstância o director do Expresso depois de proclamar O Maior Crime de Sempre anuncia que o Expresso fez parte dos barões assinalados dessa investigação e vai começar a publicar todos os dados coligidos. Não diz, mas deveria dizer quais os interesses que estão por trás dessa investigação de certo apadrinhada pelo plutocrata seu patrão que tem lugar reservado entre os manda-chuva de Bildeberg. Investigação a sério seria saber  os cruzamentos entre o grupo de Bildeberg e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, sigla em inglês) e a razão de agora se despejarem 11,5 milhões de documentos na rede de comunicação social estipendiada, propriedade dos grandes e dos pequenos, também existem pequenos, olhe-se para o nosso país, o que não os exclui do grupo.  e grandes plutocratas deste mundo. As ligações do ICIJ com quem o financia são obscuras. Mas só os papalvos acreditam que os 190 jornalistas, em mais de 65 países, que buscam desenterrar delitos internacionais, corrupção e abusos de poder, vivem sem fortes e secretos financiamentos que lhes orientam os tiros e apontam os alvos.

Veja-se como por cá se não desenterram abusos de poder, um adjectivo simpático. Querem um exemplo recente? Alguém, algum jornalista quando a Assunção Cristas iniciou o seu caminho imparável para substituir Paulo Portas no CDS foi analisar o que tinha feito como ministra da Agricultura. E o que fez? Deixou um “buraco” de 340 milhões de euros, assumindo que deixou uma herança que incluía o pagamento futuro de 200 milhões, mas que Passos Coelho e Maria Luís sabiam; que esgotou num ano, 2015, os milhões de verbas da UE para cinco anos e até as excedeu em 296 milhões de euros; que da dotação global de 576 milhões para ajudas “agroalimentares”, a gastar entre 2015 e 2019,. “comprometeu” 872 milhões, logo em 2015; que deixou 20 milhões de euros de seguros por pagar; 24 milhões de obras no Alqueva, etc., etc distribuindo milhões em 2015, ano de eleições recorde-se (fonte Foicebook). Em suma que a Cristas é, no mínimo uma irresponsável que ficou ao abrigo da nossa comunicação social tão lesta a levantar ou não levantar lebres ao sabor do vento dos interesses dominantes. Os seus mestres estão no ICIJ.

O Expresso, refere-se e escolhe-se o Expresso pelo lugar destacado que tem no telelixo português da desinformação, vai continuar a entreter-nos com esses derivativos informativos em linha com o que tem feito. Basta folhear as últimas edições para rir desbragadamente com informações sensacionais como aquela, exemplo quase ao acaso tão variado é o leque de escolhas, do Ricciardi dizer em relação aos lesados do BES que “tenho pensado dentro das minhas capacidades encontrar uma solução, mas nunca integral. O projecto que tenho na cabeça, com outras pessoas, passará por pagar essas diferenças, apesar de não sentir qualquer obrigação para o fazer”. O António Costa, em vez de ter promovido um acordo entre os lesados do BES, o Banco de Portugal e a CMVM, deveria era ter telefonado para a cabeça do Ricciardi, agora pronto e disponível para “sem sentir obrigação de o fazer”, fazer um número tipo Evita Peron na varanda da casa rosada em favor dos lesados por uma administração de que fez parte e foi beneficiário durante dezenas de anos.

Nas próximas semanas esperamos que, apoiando a transcrição e as análises aos Panama Papers, no saco do jornal Expresso venha a oferta de uma carcaça, para o Panem et Circenses passar às vias de facto.

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A Austeridade da Geringonça

homer simpson

Vem aí a austeridade!

Vão aumentar os impostos para os carros de maior cilindrada e mais poluentes. Logo agora que estava hesitante entre comprar um Porsche ou um Ferrari, Um automóvel vulgar, nada de Bugatti’s Veron. E esta gente vai obrigar a contentar-me com um Jaguar ou coisa parecida. Não é justo!

Também vão aumentar os impostos às empresas que trabalham por cá mas têm sedes no estrangeiro. Coitados dos belmiros, alexandresoaressantos, amorins e coitado de mim! Que vai ser da minha microempresa? Estava indeciso entre a sediar no Luxemburgo ou na Holanda, num país da Europa connosco não numa offshore das Caraíbas. devaneava cruzar-me com o Alexandre num canal de Amesterdão. Agora…agora eu e as milhares de micro, pequenas e médias empresas do país já não podemos sonhar em seguir o exemplo Belmiro, Soaresdosantos, Amorim. Não é justo!

E os bancos? Coitados dos bancos. Agora vão pagar mais impostos! Se calhar também vão cortar nos benefícios fiscais. Ou obrigá-los a pagar com juros mais altos as ajudas dos últimos anos! Resta a esperança que com a ajuda dos lobosxavier e outros especialistas, mesmo menos capazes, se subtraiam a essa violência fiscal. Ainda mais violenta, porque os apanha desprevenidos e pouco habituados a esse tratamento de desfavor. Nem sequer descontam nos impostos o trombocid para algumas nódoas negras que essas pauladas provoquem. Não é justo!

Aumentam também os impostos no tabaco! Vou ser, vamos ser obrigados a racionar nos bons charutos. Charutos, se calhar agora só açorianos e nem todos os dias. Uma chatice. Como se pode pensar bem sem o conforto do fumo de um puro? Felizmente não vi que aumentassem os impostos sobre o álcool, sobretudo das bebidas espirituosas. Vejam só a desorientação política que desabaria sobre o país se o Pulido Valente fosse obrigado à lei seca por via fiscal! Lá se iam as crónicas pia abaixo. Valha-nos isso!

Que mais irá acontecer? O Camilo Lourenço, um dos idiotas pouco inteligentes de serviço, diz que a austeridade não tem cor política. O gajo é mesmo burro. Tem, claro que tem. Outros desses opinantes todo o terreno vieram, em grande alarido, pregoar: isto é austeridade de esquerda!!! O Camilo nem isso percebe! Que grande bosta !!! Uma minoria dos portugueses afectada e ele nem repara! Julga que esta austeridade é igual à outra? Olhe que não! Olhe que não!

Não é justo! Não é justo! A austeridade nunca pode ser de esquerda.  Desabar em cima de nós desprevenidos e pouco habituados a ela, ainda é menos justo. A austeridade devia ser sempre para aqueles que o preclaro Ullrich dizia: Ai ,Aguentam, Aguentam!

Socorro! A geringonça está a funcionar! O governo centro esquerda com o apoio dos radicais de esquerda está a passar entre os bombardeamentos da Comissão Europeia, FMI, da troika, dos partidos de direita aqui e lá fora, dos mercenários da comunicação social. Esta malta anda a dormir na forma! A insónia alastra-se pela turbamulta de direitinhas que continuam a ladrar com o desespero de ver a caravana a passar

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Terrorismo Financeiro

 

este nunca está satisfeito

gravura de Bartolomeu Cid dos Santos

O Orçamento de Estado 2016 (OE2016) está debaixo do fogo cruzado dos partidos da oposição, de uma série de entidades supostamente dotadas de clarividência técnica e politicamente neutras, contam com o apoio activo de uma comunicação social mercenária ao serviço do grande capital e das políticas económicas neo-liberais.

Os alertas dos tecno burocratas da União Europeia, das agências de rating, da UTAO e do Conselho de Finanças Públicas que colocam em causa as contas do OE2016 têm a extrema curiosidade de nunca terem posto em causa as contas dos quatro Orçamentos de Estado do governo PSD-CDS que estavam tão bem feitas que foram objecto de oito (!), repita-se oito(!), orçamentos rectificativos!!! Não se ouviu alarido algum! Que credibilidade tem essa gente?

O que os alarma é que nos celebrados mercados, a geringonça da financeira especulativa, os juros continuam a cair nos últimos dias. Confiam nas contas do OE2016? Confiavam nas políticas de austeridade e nas contas dos OE’s dos governos PSD-CDS e por isso os juros foram baixando paulatinamente?  Nada disso! Baixaram porque o BCE interviu, continua a intervir, anuncia que vai continuar a intervir nos mercados financeiros para ajudar os países endividados a financiarem-se. Será bom lembrar que mesmo o FMI, o BCE, mesmo alguns membros das comissões e instituições europeias e governos europeus colocam em causa o quadro de forte austeridade imposto à periferia, que o Governo PSD-CDS, por convicção ideológica, abraçou ultrapassando mesmo exigências da troika que já eram desproporcionadsa e despropositadas. Acabaram por conduzir Portugal ao estado miserável actual sem resolver nenhum dos problemas ditos estruturais. Aumentaram a dívida soberana em relação ao PIB, era 91% em 2010, hoje é 137%. Encheram os cofres de dívidas e passivos,empurrando para os anos seguintes a resolução de uma dívida cada vez mais impagável. Aumentaram o desemprego para taxas obscenas mesmo disfarçadas com malabarismos estatísticos. Alargaram drasticamente o fosso entre os mais ricos, cada vez menos e mais ricos, e os pobres cada vez mais e mais pobres, até Portugal ser o país mais desigual da UE. Empobreceram o país, revogaram direitos sociais, económicos e políticos, venderam privatizando empresas ao desbarato, destruiram parte substancial do tecido económico de Portugal maioritaramente composto por pequenas e médias empresas, cortaram salários, pensões e reformas a esmo, asfixiaram a maioria dos portuguese com uma carga fiscal brutal enquanto concediam benefícios fiscais às grandes empresas e bancos, tudo para se vangloriarem de uma saída limpa que é uma ficção feita com buracos financeiros que se vão descobrindo, a procissão ainda está no adro. As malfeitorias são mais que muitas tudo em nome dessa coisa viscosa e falacciosa que é o não haver alternativa.

Agora, comunicação social e partidos da oposição ao XXI Governo Cosntucional andam em grande grita por todos os cantos e recantos atirando achas para a fogueira dos que cosem em lume vivo o OE2016, recorrendo ao argumentário das tecnicidades, uma rede onde se colocam todas as dúvidas sobre a validade das variáveis em que se fundamenta o OE2016. Um trabalho de que se encarregam quatro agências de rating, comissões técnicas da Comissão Europeia,conselheiros do Conselho Económico e Social, do organismo da Assembleia da República para analisar a construção do orçamento, UTAO, Conselho de Finanças Públicas, o organismo cuja missão é avaliar a consistência das políticas económicas e financeiras, como se esses ilustres técnicos estivessem esterilizados por uma dedicação exclusiva à ciência económica, como se a ciência económica fosse uma ciência exacta. Como se não visassem objectivos políticos. Um farisaismo sem fronteiras nem limites.

O que essa gente não diz e oculta é que as expectativas económicas em parte alguma são credíveis  As expectativas dos orçamentos de Estado, dos mercados de matérias primas, das bolsas são o resultado, são criadas pelas agências de notação financeira, pela comunidade de peritos técnicos e pela comunicação social. Tudo isso está sob o controle dos grandes bancos e do grande capital especulativo e financeiro. São os.grandes bancos e o grande capital especulativo e financeiro que encomendam as expectativas “necessárias”.para sacarem lucro. Desde a crise dos subprime à actual crise do mercado petrolífero isso é uma evidência indesmentível. A credibilidade técnica é nula. Trabalham para interesses financeiros específico imediatos e políticos a médio e longo prazo..

Fazer depender um OE das notações das  agências de rating, das avaliações dos tecno-burocratas de Bruxelas, politicamente em linha com as políticas conservadoras e neo-liberais, sem qualquer legitimidade e escrutínio democrático, é querer impor uma diatadura a Portugal. É alinhar com o terrorismo financeiro vigente! É travestir a realidade de o debate sobre o OE2016 ser um debate político, que é o que o governo trava com Bruxelas. É fingir que as análises das agências de rating e as outras comissões técnicas são meramente técnicas e não são também políticas! Um gato que se anda a vender com pertinácia por lebre na comunicação social.

Os partidos da oposição e os media andam deliberadamente a procurar espalhar o pânico. Procuram com afinco provocar efeitos externos pressionando fortemente tanto a margem negocial do governo com Bruxelas como a enviar sinais alarmistas para as famigeradas agências de notação. Há um medo generalizado que explode no meio dessa gente como uma bomba atómica. Receiam que haja por parte da UE alguma flexibilidade que prove ser possível fazer melhor do que eles fizeram, e fizeram sempre mal, e que os sacríficios exigidos durante quatro anos aos portugueses foram excessivos e desnecessários. Foram uma fraude política-económica sem resultados palpáveis, além dos já referidos.

Essa a verdadeira razão que aduba a algazarra dos partidos na oposição e os seus sustentáculos nos media. Gritaria que aumenta o volume quando assistem ao marimbanço de França, Espanha e Itália aos avisos de Bruxelas. Quando os tecno-burocratas de Bruxelas se inquietam com o que possa suceder nos tempos mais próximos em Espanha onde o PP submeteu o país a um resgate, que pudicamente não foi classificado como tal, e eventualmente poderá vir a ter um governo que se oponha, como o nosso, às mais brutais medidas austeritárias. A grande questão é a dimensão da economia espanhola que fará subir e trazer para outro patamar a discusão sobre um atabalhoado Tratado Orçamental, onde se impôs o conceito de défice estrutural, um conceito abstracto e artificial,  que se adicionou ao Pacto de Estabilidade e Crescimento em tempo e favorecendo a desrelugação dos mercados, em benefício da especulação financeira, submetendo as políticas públicas aos interesses privados, esmagando as políticas económicas do sul com a ortodoxia económica do norte.

Portugal é uma economia fraca e com menos peso político. Mas tem os mesmos direitos de qualquer outro país da UE. É um país soberano e a sua dignidade não pode ser enxovalhada. Foi isso que os governos do PSD-CDS nunca fizeram no debate político com as instituições europeias em todos os níveis. Ir e vir com a bandeira na lapela não tem significado algum quando não se defende o país e se passa a vida de cerviz pelo chão, garantindo lá fora o que negavam cá dentro, caso das medidas económicas que eram temporárias ou definitivas conforme os cenários e os interlocutores, gabarolando-se de fazer mais do que lhe exigiam, quando o que lhe exigiam já era bárbaro

O terrorismo verbal em curso arranca de uma vigarice intelectual. Nada que os constranga. O país tem que pagar o que deve arengam, como se as dívidas dos países não fossem renogociáveis e resstruturáveis. Basta olhar para os EUA, a sua gigantesca dívida, o modo, até muito pouco ortodoxo, como a negoceiam e financiam desde que, em 1971, Nixon rompeu o acordo de Bretton Woods, recusando resgatar dólares por ouro, porque não tinha ouro suficiente para entregar e num golpe contabilistico reduziu em 35% a dívida pública dos EUA. Claro que os EUA, são um gigante económico-financeiro, mas abriram um precedente seguido por muitos outros países. As nossas cassandras querem nos fazer acreditar que as dívidas dos países são equivalentes às dívidas domésticas, não distinguindo também entre credores. Pouco lhes importa se esses credores são usurários e especuladores navegando nas ondas dos mercados. É a jacobinice em estado quase puro.

O terrorismo verbal em curso, do não estraguem o que fizemos às tiradas telenoveiras da Cristas, do que se lê, ouve e vê na comunicação social tem que ser activamente combatido. Portugal não pode estar à mercê desses  doutores fonsecas &burnay jihadistas de fato às riscas que fazem atentados com bombas virtuais que tiveram e podem vir a ter consequências devastadoras. Tentam dinamitar o diálogo do governo de centro-esquerda, que procura melhorar razoavelmente a vida dos portugueses no quadro dos tratados europeus, com uma Comissão Europeia, dominada por uma ortodoxia de centro-direita, num momento em que está em curso na Europa, ainda que de forma não muito assertiva, a discussão  sobre essa ortodoxia e os efeitos nefastos da estrita aplicação do Tratado Orçamental.

Não se pode ceder a essa chantagem! É Portugal, são os portugueses que estão em causa. É o nosso futuro colectivo que não pode ser uma miragem.

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Especialistas na venda de banha da cobra

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O título deste post poderia ser o mesmo do último post do Paulo Anjos, porque o assunto é o mesmo: o pensamento único, desprovido de contraditório, que inunda a comunicação social em Portugal, ditando opiniões sob a forma de verdades únicas e indiscutíveis.

A propósito de projectos lei do PS, do PCP e do BE que visam acabar com a penhora de habitações próprias e o despejo de famílias por dívidas, a Antena 1 decidiu ouvir a opinião do «fiscalista» Tiago Caiado Guerreiro.

Os referidos projectos coincidem na proibição de penhoras de casas e despejos de famílias por dívidas fiscais, divergindo no facto dos projectos do PCP e do BE alargarem esta impossibilidade de penhora e despejo em casos de dívida à banca.

Ora, vale a pena ouvir a opinião do especialista e, claro está, perante tal opinião remetermo-nos à nossa condição de ouvintes não especialistas em matérias desta natureza.

Para este ilustre fiscalista, a medida de impedir penhoras e despejos por dívidas fiscais é muito positiva, porque defende os direitos humanos, relembrando-nos que o direito à habitação está consagrado na Carta Universal dos Direitos Humanos e que, em Portugal, com o único objectivo de se obter receita fiscal atropelaram-se todos os direitos, valeu tudo para obter receitas fiscais, destruir famílias inteiras, destruir empresas, em suma, esta medida é um primeiro passo no sentido de criar uma relação equilibrada entre cidadãos e o Estado.

Já sobre as propostas de PCP e do BE, visando alargar este impedimento de penhoras e despejos por dívidas à banca, o fiscalista Tiago Caiado Guerreiro afirma que «metermo-nos nas relações privadas dá origem a um desequilíbrio das próprias relações», mais ninguém teria empréstimo bancário e casa própria, os bancos deixariam de conceder crédito, uma medida «louca de esquerda» que parece defender as pessoas, mas não defende ninguém, pura e simplesmente destrói o mercado.

Eu, que não sou fiscalista, limitando-me à condição de mero ouvinte gostaria de perguntar ao especialista ouvido pela Antena 1: então se for o Estado a penhorar uma casa e a despejar uma família como consequência de uma dívida fiscal estamos perante um atropelo aos mais elementares direitos humanos, mas se a mesma família for alvo da mesma execução por uma dívida à banca é o normal funcionamento do mercado, é resultado do equilíbrio das relações privadas onde o Estado não deve meter a colher?

Para o Estado o direito à habitação é um direito humano, para a banca o direito à habitação são desculpas de mau pagador? É isso?

Aqui, como noutras ocasiões, em nome do sacrossanto mercado e do seu regular funcionamento, em nome do lucro e da segurança do banqueiro lá se vai toda a indignação e defesa encarniçada dos direitos humanos.

Para Tiago Caiado Guerreiro, como para a maioria dos opinadores da moda, o direito ao lucro, o direito à livre iniciativa, o direito à especulação a agiotagem, sobrepõem-se aos direitos humanos.

Para estes especialistas, as relações privadas são equilibradas, aliás, como facilmente se comprova se observarmos a relação entre o cliente e o banco, entre o patrão e o trabalhador… Tudo equilibradíssimo, como pode alguém ousar interferir na ordem natural das coisas?

Tiago Caiado Guerreiro tem direito a ter e dar a conhecer sua opinião e pensamento, a defender as suas concepções políticas e ideológicas, mas que um canal público de rádio, obrigado à prestação de serviço público, me venda essa opinião sob a capa de uma suposta neutralidade ideológica de um especialista, já considero totalmente desonesto e inadmissível.

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