Adolfo Mesquita Nunes, Assunção Cristas, CDS, Geral, Nuno Melo

O Ridículo não Mata!!!

assunção Cristas

Ninguém pára a Cristas! Nem ela nem outra gente CDS género Nuno Melo, Adolfo Mesquita Nunes etc., etc. Vender vigésimos premiados são a sua especialidade. Há quem compre e enquanto houver compradores eles desembestam sem detenças!!!

Agora a boss tira da manga a “carta de marinheiro no 12º ano” para que Portugal tenha “uma geração oceânica”. Um exaltante projecto educativo que já constava no programa do CDS. Devia pensar que estava a embarcar na nau das lutas fracturantes, coisa de que ouviu falar mas não sabe o que é.

Essa ideia destrambelhada lembrou-me uma cena de um filme do Artur Semedo em que ele actor na pele de administrador de um banco, saía do seu luzidio mercedes num parque de estacionamento. Havia um arrumador, um desses técnicos de motricidade urbana presentes por toda a Lisboa, que depois de ter ajudado a estacionar o carro lhe pedia uma espórtula, enquanto o motorista abria a porta ao Artur Semedo, carregando uma daquelas malas ditas de executivo.

O Artur Semedo, muito sério, interpelava o arrumador com um discurso grandiloquente.  Se ele se contentava a estar ali a arrumar carros, ele que pertencia a uma nação que tinha cruzado os mares, dando novos mundos ao mundo e mais umas quantas diatribes sobre as gloríolas de um país de navegadores. Disparava no fim que lhe ia dar um futuro condigno com a história de Portugal.

Plano seguinte: o arrumador, por cunha do administrador bancário, estava na doca de Pedrouços arrumar iates!!!

Não sabia Artur Semedo que o país iria ter uma Cristas. Devia-se rir a bom rir dessa idiota inteligente que se safa e tem eco na comunicação social estipendiada, porque a vigarice intelectual não está inscrita no Código Civil.

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Populismos

populismo

Populismo entrou no léxico da política e da comunicação social. É usado a torto e a direito, nem sempre a direito e muitas vezes bem torto. Um rótulo em que, intencionalmente e com cinismo, se baralha populismo com lutas populares para as desvalorizar. Às políticas do governo PS, apoiado parlamentarmente pelo PCP, BE e PEV, que visam, de forma magra e tímida, repor rendimentos e direitos atirados para o lixo pelas políticas ditas de ajustamento, é inúmeras vezes colado esse rótulo pelos partidos de direita e pelos media ao seu serviço. Procuram e encontram formulações perjorativas, geringoça é das de maior êxito, para fazer chicana. Com a mesma intencionalidade e cinismo não o usam quando o deveriam usar. Exemplo recente são as declarações de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, uma estrutura clandestina que a UE legalizou dando peso institucional, expressão de um populismo pós-colonial, corrente nos países do norte da Europa Connosco. A variante suave e actualizada do pensamento das potências coloniais que justificavam as suas inauditas violências com a missão civilizadora de iluminarem as bestas com os seus valores, exterminando sempre que necessário os que se oponham a receber essa luz. Agora as bestas são mais brunidas, entregam-se aos copos e às mulheres, é preciso metê-las na ordem.

Na raiz do populismo está sempre presente a batalha entre as elites que se dizem esclarecidas e a ignara populaça. Um conceito que surge originalmente dos choques entre Cultura e cultura. As batalhas entre os que alinhavam pelo gosto popular contra o gosto das elites. Entre os defensores do canone e os que se entricheiravam nas veredas das vulgaridades. Em linguagem chã e no rectângulo nacional, guerras entre os devotos de António Lobo Antunes e Herberto Helder e os embasbacados com Teresa Guilherme e Manuel Goucha. As portas dos gabinetes académicos foram arrombadas pela política real, as batalhas já não são entre simples definições culturais, entraram nos territórios da política.

O populismo está no ordem do dia. Os avanços da direita mais extrema nos EUA e na Europa fazem soar as sirenes de alarme que tocam insistentemente e bem alto para apagar os sons de quem andou a alimentar os populismos de Trump, Le Pen, Farage, Geert Wilders, Frauke Petry e todos os outros que aparecem como cogumelos na terra pútrida adubada pelos partidos políticos, da direita à esquerda, que com grande e fecundo populismo andaram e andam a angariar votos vendendo promessas que assim que alcançam o poder rasgam com grande despudor. Exemplos não faltam de Hollande a Renzi, de Tsipras a Obama. Por cá é só folhear os programas eleitorais desde que há eleições. Um espesso rol de ilusões vendidas a pataco que desacredita política e políticos, alimenta o populismo rasca de os políticos serem todos iguais, mudam as moscas a merda é a mesma e demais axiomas em que se afunda a democracia. Mete-se tudo no mesmo saco para fazer o caminho a uma qualquer variante fascista ou proto-fascista. Anular políticos e políticas de esquerda que, quando são mesmo de esquerda, são destratados por uma comunicação social mercenária.

Utiliza-se o fantasma do populismo não é um fantasma é um real perigo para fazer triunfar políticas de direita. Seria rísivel se não fosse assustador ouvir o vento provocado pelos grandes suspiros de alívio que correu pelos areópagos europeus com os resultados eleitorais holandeses, ganhos em cima da meta por escasssos segundos por um bom populista a um populista mau. Espera-se o vendaval de suspiros de alívio que se prepara quando se souberem os resultados eleitorais em França, com idênticos resultados.

Desde que o populismo entrou no léxico da política há populismos para todos os gostos. De alta densidade como Perón e Getúlio Vargas, num continente fértil na emergência de caudilhos populistas, aos de baixa intensidade como Berlusconi ou, com outro estilo e derivas, Pablo Iglésias. Não têm uma ideologia concreta. Apresentam-se como uma forma diferente de fazer política que ultrapasse os impasses da política representativa em que os partidos políticos defraudam com contumácia as esperanças dos que lhes confiam o voto iludidos com as promessas de lhes darem um bem-estar que negam assim que se sentam nas cadeiras do poder.

O populismo alimenta-se com essas fraudes por as pessoas se sentirem abandonadas pela política e pelos políticos, por um crescente sentimento de injustiça que os torna receptáculos de outros meios de exercício da política, onde se sintam com voz. Nesse contexto não devia surpreender ninguém que os populistas tenham êxito, ganhem votos populares, ascendam ao poder. Foi isso que deu a vitória a Trump e na Europa os clones de Trump estejam a ter o impacto que têm. Em Portugal ainda não apareceu uma ou um Le Pen, mas lendo muitos das notícias dos media, ouvindo e lendo muitos dos comentadores encartados que por lá estacionam, lendo os comentários a essas notícias não será extraordinário que acabe por surgir, espere-se mas não se confie numa manhã de nevoeiro, uma qualquer imitação salazarenta de Trump.

Para esse sucesso, um insucesso do Portugal de Abril tão maltratado em quarenta anos de governos com políticas de direita, muito contribuem a propaganda mascarada de informação que deliberada e perversamente confunde populismo com lutas populares.

As justas reinvindações dos trabalhadores e pensionistas, as lutas por direitos sociais económicos e políticos, as organizações sindicais e políticas que as assumem e encabeçam são classificadas, directa e indirectamente, como populistas por irem contra o pensamento dominante e a sua expressão mais acabada o TINA (There Is No Alternative) com o objectivo último de ser impossível pensar que é sequer possível pensar que há uma outra política, uma outra sociedade.

Elencar o que todos os dias se repete com obstinação para desacreditar as lutas contra essas políticas é uma árdua e sempre incompleta tarefa. É de lembrar as barreiras de propaganda disfarçadas de notícias e comentários, com bem ou mal amanhado argumentário, que durante os quatro anos de governo PSD-CDS faziam ruído contra as manifestações e greves desencadeadas pela CGTP e pelos sindicatos contra a barbárie de uma legislação do trabalho que queria reduzir a cisco direitos conquistados palmo a palmo em árduas lutas. Contra todas as outras lutas que durante esses malfados anos foram realizadas. Sem essa resistência, no meio de enormes e violentas dificuldades, os desmandos do governo Passos Coelho/Paulo Portas teriam uma dimensão muito maior, até mais durável. Eram classificados de irrealistas por estarem contra a realidade construída com zelo pela troika e seus mandatários aborígenes. Colavam-lhes o selo de populistas por proporem políticas que defendem as classes sociais mais desfavorecidas, no limite por defenderem medidas que estavam contra o “progresso” do país que não podia viver acima das suas possibilidades, como se o progresso do país fosse o que eles propugnavam e continuam a propugnar e as classes privilegiadas não continuassem a rapinar a riqueza produzida.

Há que distinguir claramente lutas populares de populismo. Os populistas, os duros de Trump a Le Pen, e os moles, de Merkel a Cristas, estão sempre do lado das classes privilegiadas. Aos mais desmunidos reservam um assistencialismo rasteiro que lhes branqueia consciências. Os outros são mão de obra, quanto mais barata e sem direitos melhor, e sobras de vidas que sobreviveram a anos de trabalho. As lutas por melhores condições de vida, de denúncia pelos males do estado de coisas, pela redenção dessas sociedades é-lhes estranha, vai contra a realidade que os alimenta e que querem perpetuar. Nenhum vício lógico os trava. Do outro lado, contra populistas e populismos, está o povo, os partidos políticos, os sindicatos, as organizações populares que os defendem e lhes respondem com as lutas populares.

(publicado em AbrilAbril)

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La Nave Va

barco

o barco que transporta Nosferatu no filme de Murnau

Passos Coelho vocifera empurrado pelo ciclone de dez mil milhões de euros!  Paulo Núncio tropeça em si-próprio até não conseguir negar as evidências! Paulo Portas passeia irrevogável mudez até agarrar de novo os microfones de vendilhão nos templos da comunicação social estipendiada! Assunção Cristas faz queixinhas ao Presidente da República enquanto distribui beijinhos postais aos lisboetas pedindo ideias para encher a sua vazia cabecinha! Luis Montenegro e Nuno Magalhães usam a Assembleia da República para concorrerem aos óscares dos incorruptíveis contra a droga realizando a sua remake em versão filme cómico! Lobo Xavier e António Domingues almoçam e jantam sms nas casas de banho para defesa da sua intimidade que deixam entrever abrindo e fechando a portas dos privados das administrações dos bancos onde as trocam! Maria Luís Albuquerque cala-se para guardar de Conrado o prudente silêncio! A mentira, as mentiras são despejadas, sem selecção de resíduos para reciclagem, no aterro sanitário dos erros de percepção mútua!

Uma ópera bufa que nos toma por basbaques, recuperando um grande final em que contumazes indignidades recuperam prazo de validade rebobinadas pela assunção política das falsidades, retirados os andaimes que as ocultavam. Miserável lavagem pública da imoralidade passada e repassada em todas as máquinas da comunicação social para voltar a dar crédito à miséria de alguma política e de muitos políticos.

No caso das dezenas de milhares de milhões de euros que voaram para offshores que um prestimoso secretário de estado viu mas não permitiu tornar público, o roteiro da viagem do que está em causa não é a ocultação, muito menos o azar de vir a ser objecto de tributação legal, mas o seu significado. O que é substantivo é essa acção ser parte por inteiro do norte político de um governo, as políticas de austeridade que reestruturavam a economia fazendo cortes e ajustamentos que visavam os trabalhadores, as pequenas e médias empresas, passava a ferro a classe média, todos os que eles diziam estar a viver acima das suas possibilidades, enquanto dava rédea solta aos desmandos da banca e do grande capital. Politicas em que ofertavam mais riqueza para os mais ricos a continuarem a acumular enquanto o garrote se apertava aos mais desmunidos que o viam apertar com um fisco de mão mais extensa e mais implacável, com leis laborais que faziam retroceder dezenas de anos de conquistas feitas palmo a palmo, com a degradação sistemática dos direitos sociais, económicos.

O laxismo que deixa ficar nas gavetas do secretário de estado as listas das dezenas de milhares de milhões de euros que legalmente iam estacionar em offshores não é inocente, como não o eram as listas VIP ou a indiferença em relação à fuga ilegal de dezenas de milhares de milhões de euros que só parcialmente são contabilizáveis pelos processos judiciais em curso, é a resultante directa da política do governo PSD-CDS que favorecia a acumulação da riqueza dos mais ricos e o aumento, na melhor das hipóteses, a manutenção da pobreza da esmagadora dos portugueses. A sanha com que atacam o actual governo PS, com apoio parlamentar PCP/BE/PEV, as medidas, mesmo que tímidas, de repor rendimentos a trabalhadores, pensionistas e reformados, de dar melhores condições de crédito às pequenas e médias empresas é a pedra de toque dessas políticas em que se dá liberdade quase absoluta aos que já a têm e aperta a tarraxa a todos os outros que não devem ser piegas por serem metidos na ordem de viverem conforme as suas magras possibilidades.

É repugnante ver esse teatro de sombras em que um forcado corneado pela impossibilidade de continuar nas omissões das verdades, se refugia nas tábuas das meias-mentiras, vai para o meio da arena exibindo a orelha da responsabilidade política para ser aplaudido pela turbamulta dos seus aficionados que agitam freneticamente o manto diáfano da sua mais que esburacada dignidade. São todos iguais por mais tonitruantes declarações que façam. Querem safar-se como se tudo isso tivesse sido um acidente do aparelho fiscal e o governo Passos-Portas não fosse politicamente responsável. A bardinagem, o populismo, a demagogia no seu melhor.

Um peão de brega é obrigado a saltar do barco para aliviar o lastro e o barco continuar a navegar no pântano. Enquanto houver parvos ou parvos fingidores continua acima da linha de água. La nave va, o rumo não se alterou, não se altera nem dá guinadas às quinta-feiras.

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Panem et Circenses

CIRCO E PÃO

Os chamados Panama Papers agitam a comunicação social ocidental que é parte integrante e muito activa do império, desde que o império em nome da racionalização e da modernização da produção, começou a regressar ao barbarismo dos primórdios da revolução industrial com uma nova ordem económica que se impõe com violência crescente. O objectivo é a conquista do mundo pelo mercado. Nessa guerra os arsenais são financeiros e o objectivo da guerra é governar o mundo a partir de centros de poder abstractos. Megas pólos do mercado que não estarão sujeitos a controlo algum excepto a lógica do investimento. Uma nova ordem fanática e totalitária em que são de importância equivalente o controlo da produção de bens materiais e o dos bens imateriais. Em que é tão importante a produção de bens de consumo e de instrumentos financeiros como a produção de comunicação que prepara e justifica as acções políticas e militares imperialistas através dos meios tradicionais, rádio, televisão, jornais e dos novos, proporcionados pelas redes informáticas, como é igualmente importante a construção de um imaginário global com os meios da cultura mediática de massas. É este o contexto em que se bate tambor com os Panama Papers. Um pequeno tambor à sombra de uma pequena árvore da imensa floresta de corrupção inerente ao sistema.

Em Portugal, basta olhar para o Expresso, esse porta-estandarte da comunicação social independente e do rigor jornalístico. O resto afina, com variações de estilo pelo mesmo diapasão, um eco medíocre do tom maior internacional.

O novel director do Expresso perde a cabeça e intitula um texto de opinião sobre os Panama Papers como O Maior Crime de Sempre. Perdeu completamente a noção da realidade, tal o empenho em sublinhar os objectivos políticos mal ocultos por supostas revelações sensacionais. O ridículo não tem fronteiras, não mata, mas vende. O que ele faz é uma mera operação de marketing para aumentar as vendas no próximo futuro do semanário.

Afinal parece que ninguém sabia nem sabe para que servem os paraísos fiscais. Como são parte intrínseca do sistema capitalista. Ou será que essa gente pensa que, por exemplo no caso português, a offshore da Madeira foi criada para incentivar o cumprimento rigoroso das obrigações fiscais dos países de origem das empresas e das individualidades aí sediadas? Ou que para que Belmiros e Soares dos Santos olhem pra aquele exemplo de incentivo ao rigor fiscal e deixam de fugir a pagar impostos em Portugal, deslocalizando a sede das suas empresas para o mais confortável e amigo, deles evidentemente, sistema fiscal da Holanda?

Nomes e mais nomes desfilam pelos media, dos que lá estão e dos que lá não estando deveriam lá estar, sem que essa troupe de jornalistas se interrogue sobre a natureza do sistema que inventou esse mecanismo de fuga aos impostos. O mesmo sistema que garrota os trabalhadores que, além de serem explorados, não têm meios nem possibilidade de fugir aos impostos por mais brutais que sejam, por mais que sirvam para sustentar os mecanismos de exploração e sustentar o sistema financeiro como por cá tem acontecido com os bancos que faliram ou estavam à beira da falência e foram salvos com o nosso dinheiro, o dinheiro dos contribuintes, sem que cause escândalo nos jornalistas que agora se desdobram em manchetes sensacionalistas.

O Maior Crime de Sempre? Mas não são os países da União Europeia os lideres das offshores? Não é presidente da União Europeia o senhor Juncker que, quando era primeiro ministro do Luxemburgo, inventou um mecanismo legal obviamente para as grandes multinacionais fugirem a pagar impostos nos seus países de origem? E a Irlanda? E a Holanda? E…e quantos bancos, na sequência da crise dos subprime, foram salvos lavando dinheiro do tráfico de droga? Era de tal ordem a lavagem que não era possível cerrar os olhos a tudo. pelo que alguns foram obrigados a pagar multas e a comprometerem-se por um prazo de x anos a não voltar a abrir a lavandaria. Como os grandes bancos têm muitas filiais podem levar as máquinas de lavar para outro local. Um pagode que só provoca uns arranhões de sobressaltos inquisitivos nessa comunidade jornalística agora tão entretida com os Panama Papers. Que não investiga o que se passa no Deustche Bank que tem uma exposição aos derivados e outros produtos financeiros que é 16,4 vezes maior do que todo o PIB da Eurozona. Ou investigue porque é que nos EUA um quinto da capitalização dos bancos Morgan Stanley, Citigroup e Bank of America se evaporou. Ou o mais que por aí anda a sobrevoar ameaçadoramente o mundo.

Offshores, Hedge Funds, Derivados, Futuros, e todas as invenções que favorecem a desenfreada especulação financeira que está a empurrar o mundo para o abismo, que são a corrente sanguínea do sistema capitalista só despertam um relativo interesse jornalístico e investigações superficiais nessa gente que chafurda nos Panama Papers, sem nunca colocar em causa o sistema, quando este, numa linguagem pós-modernaça e ilusionista, fica intoxicado e precisa de remédios. Remédios para quê? Para trepar a montanha dos produtos derivados, do capital fictício, dos activos da banca paralela que, segundo o Finantial Stability Board, representa 120% do PIB mundial e cujo controlo é ainda muito menor do que a generalidade da banca. Para continuar a desenfreada exploração que conduz a que a riqueza de 1% da população mundial seja maior que a dos 99% restantes. Que 60 bilionários tenham tanto capital como a metade mais pobre da população mundial e a tendência é para esses números se agravarem nos próximos anos se o sistema continuar na sua desenfreada correria.

O Maior Crime de Sempre? O maior crime de sempre não será o do caminho feito sobre milhões de vítimas de um sistema que continua a fazer diariamente vitimas em nome dos valores de uma civilização que se consolidou com inúmeros e brutais massacres e genocídios, em nome dos direitos humanos que variam consoante os interesses geoestratégicos, de um estado de direito em que a lei é o direito do mais forte à liberdade. Da democracia em que na suposta pátria da democracia são os super-ricos, os grandes interesses das grandes empresas que decidem quem ganha as eleições, doando somas ilimitadas para influenciar abertamente os seus candidatos. O rol é infindável. Não merece atenção nem ser investigado por essa comunicação social.

O que está a dar, a vender, são os Panama Papers uma espécie de revista cor de rosa onde desfilam nomes dos famosos apanhados nesse reality show. Uma montanha que pare um rato que entra pelos buracos seleccionados do queijo e deixa o queijo quase intacto.

Com pompa, circunstância o director do Expresso depois de proclamar O Maior Crime de Sempre anuncia que o Expresso fez parte dos barões assinalados dessa investigação e vai começar a publicar todos os dados coligidos. Não diz, mas deveria dizer quais os interesses que estão por trás dessa investigação de certo apadrinhada pelo plutocrata seu patrão que tem lugar reservado entre os manda-chuva de Bildeberg. Investigação a sério seria saber  os cruzamentos entre o grupo de Bildeberg e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, sigla em inglês) e a razão de agora se despejarem 11,5 milhões de documentos na rede de comunicação social estipendiada, propriedade dos grandes e dos pequenos, também existem pequenos, olhe-se para o nosso país, o que não os exclui do grupo.  e grandes plutocratas deste mundo. As ligações do ICIJ com quem o financia são obscuras. Mas só os papalvos acreditam que os 190 jornalistas, em mais de 65 países, que buscam desenterrar delitos internacionais, corrupção e abusos de poder, vivem sem fortes e secretos financiamentos que lhes orientam os tiros e apontam os alvos.

Veja-se como por cá se não desenterram abusos de poder, um adjectivo simpático. Querem um exemplo recente? Alguém, algum jornalista quando a Assunção Cristas iniciou o seu caminho imparável para substituir Paulo Portas no CDS foi analisar o que tinha feito como ministra da Agricultura. E o que fez? Deixou um “buraco” de 340 milhões de euros, assumindo que deixou uma herança que incluía o pagamento futuro de 200 milhões, mas que Passos Coelho e Maria Luís sabiam; que esgotou num ano, 2015, os milhões de verbas da UE para cinco anos e até as excedeu em 296 milhões de euros; que da dotação global de 576 milhões para ajudas “agroalimentares”, a gastar entre 2015 e 2019,. “comprometeu” 872 milhões, logo em 2015; que deixou 20 milhões de euros de seguros por pagar; 24 milhões de obras no Alqueva, etc., etc distribuindo milhões em 2015, ano de eleições recorde-se (fonte Foicebook). Em suma que a Cristas é, no mínimo uma irresponsável que ficou ao abrigo da nossa comunicação social tão lesta a levantar ou não levantar lebres ao sabor do vento dos interesses dominantes. Os seus mestres estão no ICIJ.

O Expresso, refere-se e escolhe-se o Expresso pelo lugar destacado que tem no telelixo português da desinformação, vai continuar a entreter-nos com esses derivativos informativos em linha com o que tem feito. Basta folhear as últimas edições para rir desbragadamente com informações sensacionais como aquela, exemplo quase ao acaso tão variado é o leque de escolhas, do Ricciardi dizer em relação aos lesados do BES que “tenho pensado dentro das minhas capacidades encontrar uma solução, mas nunca integral. O projecto que tenho na cabeça, com outras pessoas, passará por pagar essas diferenças, apesar de não sentir qualquer obrigação para o fazer”. O António Costa, em vez de ter promovido um acordo entre os lesados do BES, o Banco de Portugal e a CMVM, deveria era ter telefonado para a cabeça do Ricciardi, agora pronto e disponível para “sem sentir obrigação de o fazer”, fazer um número tipo Evita Peron na varanda da casa rosada em favor dos lesados por uma administração de que fez parte e foi beneficiário durante dezenas de anos.

Nas próximas semanas esperamos que, apoiando a transcrição e as análises aos Panama Papers, no saco do jornal Expresso venha a oferta de uma carcaça, para o Panem et Circenses passar às vias de facto.

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