Lamentavelmente, não acompanho com a regularidade merecida a página de Facebook do PS Setúbal.
Daí a demora em reagir às respostas a um texto meu publicado neste blogue sobre a forma como o PS anunciou nas redes sociais a proposta subscrita por PS, PSD, BE, PAN, e CDS na Assembleia Municipal para a transmissão online das reuniões deste órgão autárquico.
Em texto publicado na página da concelhia do PS, assinado por Victor Ferreira, eleito na Assembleia Municipal de Setúbal, o PS tenta habilmente fazer crer que as medidas que têm vindo a ser tomadas com vista à aproximação da Assembleia às populações, apelando à participação dos munícipes nas reuniões, têm origem exclusiva no Presidente da Assembleia Municipal, André Martins, como se este não fosse da CDU e como se essas medidas não fossem fruto da reflexão colectiva dos eleitos da CDU.
Sim, é verdade, o contributo, iniciativa e disponibilidade do Presidente da Mesa da Assembleia são fundamentais, mas as mesmas decorrem dessa reflexão conjunta e da procura de com outros eleitos, de todos os partidos, chegarmos a soluções consensuais para o objectivo comum de reforço da participação popular na vida política local.
Fica, assim, mais evidente que enquanto uns procuram o consenso, outros preferem a demagógica pergunta sobre o que a CDU tem a esconder. É que esta foi e continua a ser a questão que o PS continua a colocar, como se fosse possível às populações do concelho acreditarem que a CDU pretende esconder uma reunião pública que decorre de porta aberta, em que o público é convidado a intervir, em que a sua realização e agenda são previamente divulgadas.
No texto, o autor fala em memória, certamente, a mesma que não permite que o PS se recorde que a CDU alertou em plenário e no momento em que se discutia esta proposta para o facto de o órgão competente para gerir e determinar os meios do município necessários para a realização das reuniões da Assembleia ser a própria Assembleia.
Contrariando o princípio legal da separação entre órgãos deliberativos e executivos, desvalorizando a Assembleia enquanto órgão do Município, insistem na menorização do papel da Assembleia na própria condução e gestão dos seus trabalhos, remetendo para a Câmara a iniciativa de providenciar os meios, como se estes não fossem do Município e não estivessem ao serviço de ambos os órgãos.
A pergunta do PS foi o que tem o PCP a esconder dos Setubalenses e dos Azeitonenses, a resposta foi clara e reafirmo-a: nada, absolutamente nada a esconder, não pomos de parte uma solução que conduza à transmissão online das reuniões, mas queremos que, previamente, se aumente consideravelmente o número de participantes, o número de pessoas que não se limita a ficar atrás de um monitor a assistir passivamente, mas antes se desloca, acompanha e participa nas reuniões.
Para isso temos procurado, no âmbito da Comissão Permanente onde estão representados todas as forças políticas, promover uma reflexão que conduza a medidas concretas visando esses objetivos, maior presença da Assembleia nos meios de comunicação do Município, realização de reuniões descentralizadas, alterações ao funcionamento das próprias reuniões, entre outras.
É esse primeiro passo que para nós é imprescindível, é para esse objectivo que temos vindo a trabalhar, é esse objectivo que em nossa opinião pode ser prejudicado com uma leitura, mesmo que errada, do sinal dado pela transmissão das reuniões de que não queremos as pessoas presentes, basta que acompanhem online.
Esse trabalho, que temos procurado ser consensual e aberto ao contributo de todos os Partidos, merecia, em nossa opinião, que o PS, a propósito de uma matéria sobre a qual não acompanhamos no imediato, tivesse evitado cair na tentação do populismo barato e da insinuação de que alguém tem alguma coisa a esconder.
Aliás, na sequência da pergunta lançada pelo PS, foi interessante ver os diversos comentários, alguns de conhecidos dirigentes e eleitos do PS local, que aproveitaram para destilar ódio e num estilo mais próprio dos demagogos e populistas que inundam as caixas de comentários das redes sociais insinuarem que a CDU tem algo a esconder, mesmo que em reuniões públicas e abertas a todos.
É este exercício que, insisto, me parece miserável e nada coincidente com o objectivo anunciado pelo PS de dignificação da vida política local, antes constitui um contributo para a ideia de que são todos uns bandidos e escondem coisas às populações.
Por considerar que Victor Ferreira é um eleito que, apesar das nossas naturais divergências, tem contribuído com a sua inteligência e bom senso para a construção de soluções, não respondo ao tom, nem às considerações pessoais que fez, pois, ainda que reveladoras, não merecem comentário, entenderei-as como uma questão de estilo.
Limito-me a perguntar-lhe, na sua opinião, tendo em conta as discussões em que participa na Assembleia Municipal, conhecendo as propostas da CDU e a intervenção dos seus eleitos na procura da dignificação da Assembleia, considera que, por não acompanharmos nesta fase a proposta de transmissão das reuniões, temos algo a esconder?