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EUA votam contra condenação do nazismo

 

 

jh1

fotomontagem de John Heartfield

 

Anda o Prémio Nobel da Paz 2009, Barack Obama, a fazer o seu último périplo europeu como Presidente dos EUA, pregando os valores do mundo livre e da democracia e no Comité dos Direitos Humanos da ONU, os Estados Unidos da América, ainda sob a sua liderança e seguindo as linhas mestras dessa liderança, votaram contra uma resolução que condenava a glorificação do nazismo. Ao seu voto contra juntaram-se a Ucrânia e o Palau.

A resolução tinha o objectivo de  “Combater a glorificação do Nazismo, Neonazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada”. Texto que muito incomodou a administração Obama que na declaração de voto considerou votar contra “Devido ao âmbito excessivamente estreito e natureza politizada desta resolução, e porque exige limites inaceitáveis à fundamental liberdade de expressão, os Estados Unidos não podem apoiá-la”. A hipocrisia, o cinismo não conhecem limites e acabam, mais cedo ou mais tarde, por se revelar em todo o seu esplendor. Compreende-se perfeitamente que um governo dirigido por um Prémio Nobel da Paz que foi dos presidentes dos EUA que mais países bombardeou, o exemplo mais flagrante é a Líbia que tantas alegrias provocou na sua secretária de Estado Hillary Clinton “Viemos, vimos e matámos”, que mais guerras directas ou por procuração provocou, o Médio-Oriente é o caso mais evidente, que mais intervenções em países estrangeiros fez, apoiando e financiando golpes de estado como nas Honduras ou na Ucrânia, não poderia condenar o nazismo. Todos os sofismas seriam válidos para votar contra tal resolução. A memória do apoio que o grande capital, sem nacionalidade nem credos, deu a Hitler não permitia tal desaforo, aprovado por 131 votos a favor, três contra e 48 abstenções. O voto dos EUA causa sérias apreensões. É bem revelador do que está nos alicerces do pensamento único dominante.

Este voto, é um voto que ajuda a impulsionar as direitas mais radicais. Quem se preocupa seriamente com o ascenso dessas direitas mais radicais em todo o mundo devia estar cada vez mais preocupado com o sistema de vasos comunicantes que as aduba. Com o crescimento do capital financeiro parasitário que tem provocado o obscuro enriquecimento de uma minoria cada vez mais minoria que se apoia num poderoso complexo militar-industrial, domina uma máquina brutal de desinformação e alimenta um pântano de descontentamento onde germinam os ovos da serpente fascista.

A preocupação justifica-se plenamente e deve unir todos os que querem combater este estado de coisas, que tem as mais diversas e variadas formas mas uma raiz comum. Muitos preocupam-se mas afogam-se na espuma, sem mergulhar nas águas profundas. As análises e os comentários às últimas eleições nos EUA são a evidência da confusão que por aí anda à rédea solta, gerada por enormes e sinceras preocupações mas sem conseguirem fazer uma radiografia mais fundamentada, ainda que sem tempo de distanciação para prever todas as suas consequências. Sem perceberem porque é que o mundo é cada vez mais um lugar perigoso e mais aberto às agressões imperialistas que não tem pejo em fazer as alianças mais espúrias na luta pela sobrevivência de um sistema mergulhado em profunda crise.

A não condenação do nazismo é bem denunciadora dos estados de alma do imperialismo e da ausência de qualquer travão que ainda salve as aparências. Quem não condena o nazismo acaba por ser seu cúmplice, por mais penas democráticas que cole no alcatrão das suas vestimentas e por mais cores que essas vestimentas tenham. Actualmente, como escreveu recentemente Jorge Cadima “uma coisa é certa: seja nos EUA ou na UE, a palavra de ordem é militarizar. Os povos nada têm a esperar dos defensores do grande capital, a não ser exploração, miséria e guerra.”

jh

fotomontagem de John Heartfield

 

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