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Pesadelo Climatizado

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Os Estados Unidos da América elegeram para presidente um dos piores males. O outro pior dos males perdeu. O mundo e os EUA que se cuidem. Alguns idiotas úteis andavam muito alegres e satisfeitos com a hipótese de uma mulher ser eleita pela primeira vez presidente dos EUA. Facto histórico diziam com a mesma inconsciência com que celebraram um afro-americano ter sido eleito pela primeira vez presidente. Um afro-americano a quem foi atribuído o Nobel da Paz e foi quem mais guerras directas ou por procuração espalhou pelo mundo. Um afro-americano que aumentou as desigualdades económicas e sociais e a violência racial nos EUA durante os seus mandatos. São esses os factos históricos para essa gente cega por uma visão medíocre e mundana que se preparava para comemorar se Hillary Clinton fosse eleita, esquecendo ser ela a candidata preferida por Wall Street e pelo grande capital. Ser ela uma das principais responsáveis pelo caos que se vive no Médio-Oriente e pelo ambiente de apocalipse que os seus aliados ocasionais da Al-Qaeda, do Estado Islâmico e outros grupos terroristas ad-hoc espalham. Trump é melhor ou é pior? Não se sabe e não é certamente melhor! Trump é um proto-fascista com errático sentido de Estado, de quem se pode esperar tudo ou nada.

Facto histórico nestas eleições é a traição de Bernie Sanders que, depois de ser uma forte lufada de esperança para milhões de norte-americanos sobretudo jovens, atirou na Convenção Democrática essa esperança para o caixote de lixo da senhora Clinton, mesmo sabendo as vigarices e os truques sujos que ela usou para o derrotar. Traição por não ter tido a coragem de romper com um sistema bipartidário corrupto, manipulado pelo grande capital e pelo complexo industrial-militar. Teve todas as condições para o fazer, recuou cobardemente encurralando os seus apoiantes nas baias clintonianas do Partido Democrático.

Esse é o grande facto histórico destas eleições em que os norte-americanos ficaram obrigados a escolher não entre o menor dos males mas entre os dois piores dos males. Qual dos dois era o pior, é o que não iremos saber nos próximos quatro anos por um ter perdido e o outro ganho. Com Clinton ou Trump o mundo fica mais perigoso e imprevisível. Os EUA são cada vez mais um pesadelo climatizado, como lhe chamou Henry Miller, com os norte americanos a puderem ir à Califórnia aliviar-se das dores com a canabis agora legalizada para fins recreativos.

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2 thoughts on “Pesadelo Climatizado

  1. Guilherme da Costa Ferreira diz:

    Estando de acordo com muitas passagens da análise do Manuel Augusto Araújo, fico surpreendido com o rótulo de traidor colocado a Bernie Sanders. Tal rótulo baseia-se em quê? Infere-se do artigo que é por não ter lançado um novo partido, mais de esquerda, alternativo ao Partido Democrático Mas num país como os EUA isso é uma coisa que se pode lançar em meses? É um absurdo. E ainda que isso fosse possivel, viria a acusação de traição, aí sim fundamentada em divisionismo.

    A haver algo de errado no comportamento de Sanders foi não se ter empenhado mais no apoio a Hillary, apesar de eu me identificar mais com as mensagens dele do que dela. Só que a vida real é feita de escolhas e entre Hillary e Trump, teria sido melhor atrair a juventude de Sanders para o voto em Hillary do que permitir que eles ficassem em casa, deixando o campo aberto a Trump com a sua (deles) abstenção. Agora por muito que a juventude se manifeste tal vai servir para muito pouco. Oxalá na Europa acordemos a tempo de evitar o vento “trumpista”- nazista que aí vem, com as Marine Le Pen e Cª.

    Quero acreditar que os resultados das eleições nos EUA possam servir para questionar o modelo de globalização vigente, moldado aos interesses do capitalismo financeiro internacional e das multinacionais. Essa sim é uma bandeira que a esquerda devia agarrar e dela se tem apartado, pugnando por uma globalização regulada:
    – fazendo o capital pagar direitos nas passagem de fronteiras (implementar a taxa Tobin sobre as transacções financeiras),
    – impondo aos paises regras laborais idênticas,
    – defendendo nos vários países sistemas tributários iguais,
    – etc.

    Porque devem os recursos humanos ter de usar passaportes na passagem de fronteiras, as mercadorias pagar direitos e sujeitar-se a burocracias e os “senhores recursos financeiros” (a arma do capital internacional) estar online e movimentar-se internacionalmente sem pagar direitos e sem ser submetida a burocracias? Todos os recursos constituintes da produção social devem estar sujeitos às mesmas regras. Ora a globalização vigente, baseada no capitalismo financeiro, contem uma discriminação em favor dos recursos financeiros.

    Não pode haver sã competitividade sem um quadro de regras universal ou pelo menos nos países subscriptores da OCM/Organização Mundial de Comércio. O forrobódó vigente começou com a integração da China, Índia e outros asiáticos na OCM, aportando práticas concorrenciais ilegais (segundo os padrões ocidentais).

    Respeitosos cumprimentos.

    Guilherme Ferreira

    • Manuel Augusto Araujo diz:

      O seu comentário dava para uma longa resposta até porque tem algumas contradições de raiz. Se é e e bem contra o modelo de globalização vigente moldado aos interesses do capitalismo financeiro se, na sua opinião, o mundo é feito de escolhas e de facto é, então não se percebe porque opta por Hillary Clinton contra Trump. Hillary Clinton é que era a figura de proa desse modelo de globalização e dos diktats de Wall Street, do grande capital e do complexo militar e industrial. isso é inegável tanto pelos apoios financeiros, a administração da Goldman Sachs, por exemplo, proibiu todos os seus qaudros de darem apoio material ou imaterial a Trump bem como pela campanha de apoio desbragado a Clinton, feita pela comunicação social ao serviço da plutocracia, desde as primárias até ao ultimo dia.Leia o meu post https://pracadobocage.wordpress.com/2016/11/13/a-cacofonia-anti-trump-uma-carat-ao-meu-amigo-ze-teofilo/ onde muitos desses aspectos são referidos. A “traição” de Sanders é exactamente o ter-se rendido ás tramóias da Clinton e não ter rompido com ela e com o Partido Democrata quando tinha todas as razões e mais uma para o fazer dado todos os truques sujos que o establishement desse partido lhe fizeram desde o primeiro dia. Havia inclusivamente estudos, que rapidamente foram apagados, que logo ao principio o davam como o candidato mais bem posicionado para bater Trump. Quer dizer o efeito poderia ser o contrário e muitos que votaram em Clinton tivessem votado em Sanders contra os desejos das cúpulas e dos barões do Partido Democrata. Aliás foi o que aconteceu com Trump que não era candidato nem das cúpulas nem dos barões do partido Republicano. Sanders teria ainda condições para fazer alianças com os candidatos dos verdes e dos libertários, de que ninguém fala e que apesar disso obtiveram quase seis milhões de votos. Por último apesar de todo o folclore, incluindo o apoio que o KKK publicamente lhe dá, quem lhe garante que para o mundo em geral e para a Europa em particular Trump é mais perigoso que Hillary Clinton? Mesmo para o modelo de globalização defendido por Wall Street e pelo grande capital Clinton era a garantia que se iria agravar e intensificar, com Trump não se sabe. isto não é nenhuma defesa ou alguma bruxuleante esperança nas políticas de Trump, um proto fascista errático. mas a constatação da realidade que o Guilherme Ferreira me parece não vislumbrar em toda a sua extensão.Leia sff o psot que indiquei e tem por lá várias pistas para decifrar a realidade.

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