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Que sistema de transportes?


A solução para as necessidades de mobilidade diária da generalidade das pessoas nas sua deslocações entre a residência e o local de trabalho, estudo, fruição ou compras, passa pelo recurso aos veículos individuais/familiares elétricos?

A mobilidade é um direito de cidadania que só pode ser assegurado, de facto, através de sistemas de transportes públicos e coletivos com qualidade, regularidade, segurança e a preços acessíveis. E, principalmente, se os veículos coletivos integrados nesses sistemas de transporte de passageiros forem elétricos ou alimentados a gás natural, e circulem em sítio próprio. Assim, defender-se-à, de facto, o ambiente, a saúde, a eficiência energética e a produtividade social e económica.

Nesse sentido é indispensável, como se pode comprovar em diversos países, haver um sistema tarifário amigável, designadamente nas áreas metropolitanas, ou seja, apoiado parcialmente no orçamento público.

Não tenho nada contra os veículos individuais elétricos em si próprios (os primeiros táxis nas cidades dos EUA, ainda no século XIX, foram elétricos), nem, tão-pouco, contra as bicicletas. Acho as deslocações pedonais muito saudáveis. Apenas não será com base nesse modos de deslocação que se poderá resolver os problemas colocados quanto às deslocações diárias das massas populacionais.

Sobretudo, o que se critica são os vendedores de ilusões que, apoiados em novas crenças, procuram o lucro empresarial oportunista. 

E, mais criticável ainda, são aqueles responsáveis públicos que, confundindo a nuvem com Juno, promovem políticas insustentáveis e alienantes.

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5 thoughts on “Que sistema de transportes?

  1. Uns pontos nos iii, complementados por um comentário claro e preciso.
    Sublinharia apenas que, se as famílias já pagam a electricidade mais cara da Europa em paridade de poder de compra, ainda pagariam bem mais se boa parte do seu verdadeiro custo não fosse escondido no défice tarifário como é!
    Embora uma parte dessa extravagância não advenha do alto custo das novas tecnologias renováveis, mas dos sobre-lucros dos respectivos rentistas.

    • Pedro Mota diz:

      Até agora as baterias duravam pouco e acumulavam pouco. Com as baterias de lítio atingiu-se a autonomia de quatrocentos quilómetros e a duração do carregamento de vinte minutos. Além do mais, a electricidade está por todo o lado: é possível instalar até nas aldeias pontos de carregamento. É um negócio que um bom capitalista pouco metido nos negócios do petróleo não deixa escapar. Os automóveis eléctricos tenderão a baixar de preço – para haver mercado. As economias nacionais que não investirem neste sector estarão tramadas. Se é certo que o crude não serve apenas para gasolina, é bom que se comece a pensar rapidamente que, entre coisas positivas que traz, esta é mais uma arma com que pode contar o imperialismo para derrubar os países produtores de petróleo que não dançarem os passos da dança escolhida pelos EUA. Vamos abrir os olhos, ser objectivos e pensar que a História não é uma questão de anos.

      • Caro Pedro Mota,

        a) As baterias do i3 da BMW já são de iões de lítio. Embora esta tecnologia seja mais eficiente não evita a necessidade de mudanças precoces e muito dispendiosas de baterias.
        b) A autonomia máxima anunciada pela marca são 160km, havendo vários relatos fidedignos a apontar para os 120 km
        c) O preço da viatura base são quase 40 000 €. Repito: 40 000 €. Claro que há viaturas elétricas a valores mais acessíveis, mas sempre na ordem do dobro de outras similares a gás natural ou a gasolina/diesel.
        d) A eletricidade não está “por todo o lado” como se se tratasse de um milagre. A sua captação/geração/distribuição exige equipamentos e redes cujo custo de investimento é alto. O facto de, por exemplo, se ter em Portugal investido intensamente em eletricidade produzida a partir de energia eólica levou a que os consumidores domésticos vissem os preços aumentados em 30% numa determinada fase.
        e) Repito: eu não sou contra o haver produção de viaturas elétricas para vender a quem tenha dinheiro para fazer esse investimento e tenha uma vida profissional e uma casa que lhe permita a opção. Aliás, se tivesse dinheiro gostaria de ter uma viatura elétrica. Como não tenho, optei por um pequeno Fiat híbrido (gasolina+gás natural) que me custou 10 000€ e tem um custo por km 30 % mais baixo do que se fosse a diesel.
        f) Aquilo a que me oponho diz respeito às ideias absurdas e modernaças que fazem crer que a mobilidade futura pode prescindir das redes de transportes públicos coletivos (essas sim alimentadas preferencialmente a eletricidade ou gás natural) e que as pessoas comuns se poderão deslocar em carrinhos elétricos, de bicicleta ou a pé! A isto chama-se enganar e alienar.
        g) Não tenho dúvida de que os derivados do petróleo (gasolina, diesel e GPL) são caros, são poluentes (estou a falar de facto nos gases efetivamente poluentes e não do CO2) e a prazo terão que ser substituídos. Isso não significa que entremos em filmes de ficção pensando estar na vida real.

        De facto, concordo consigo: vamos abrir os olhos!

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