Geral, S.N.S., saúde

Um bem raro

saúde

 

 

 

Tudo aconteceu num repente… e todos os minutos contam, para o bem e para o mal.

Depois de alguns exames é para o hospital – lugar de vida e de morte – que o levam. Atónito, com tantas alterações na sua vida em tão pouco tempo, o que queria era sair dali, o mais rapidamente possível. A sua expectativa, porque é uma pessoa positiva, é que o inesperado aconteça e que as boas notícias dêem lugar às más e, como que num passo de magia, a vida volte ao seu curso habitual, longe deste meio invasivo e acético, onde tudo é impessoal, dos cheiros… aos paladares de sempre.

Quando, finalmente, se abeirou da porta do quarto, sentiu um tremor forte por todo o corpo que o deixou em “pedaços”, tal qual um copo de vidro que, ao cair, se despedaça. Era assim que se sentia. Em “cacos”.

A entrada deu-se a medo, muito assustado e pouco convencido da necessidade deste seu ”novo espaço/quarto”. Sentia-se bem, sem nada a assinalar, só os exames o desmentiam. Aos poucos, ainda que vagarosamente, deixou cair o corpo sobre a cadeira que estava junto à mesa, a um dos cantos do quarto, apoiou a cabeça entre as duas mãos e fechou os olhos… como quem dorme. Sentia-se cansado.

Entorpecido, de olhos molhados e sem interesse em ver ou ouvir, só tinha o desejo de acabar com aquele tumulto. A cabeça sentia-a “vazia”, a imaginação, sempre tão viva, estava agora totalmente paralisada. Só podia estar doente… ou seria do desconcertante medo?

A noite já descia dos céus e tomava de assalto, com o seu manto negro, todos os espaços e cores, que tudo submerge.

– Pareço estar num poço sem fundo – dizia de si para si.

Tudo aqui é novo e frio, como frias são as noites de invernia, com a chuva a plagiar o choro das fontes.

Os dias, esses, são vividos um de cada vez, na esperança de que aconteçam muitas vezes, para manter acesa a chama da vida.

Quando saiu pela porta principal do hospital, naquela manhã de Janeiro, e acedeu à liberdade, um pequeno sorriso iluminou o seu rosto e aceitou (como lhe tinha dito a mulher) que tinha renascido… outra vez.

Não há nada de melhor… do que ter saúde!

 

 

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One thought on “Um bem raro

  1. Tão próximo do que eu vivi muito, muito recentemente… o medo, nessas situações, existe mesmo e só hiper-racionalizando o meu quadro clínico o consegui vencer… fui comparando, segundo a segundo, os “meus” parâmetros interiores com os que me iam chegando vindos das maquinetas e das caixinhas de Pétri. Para mim, funciona e tem um forte efeito catalisador sobre a medicação administrada, como se lhe fosse complementar…

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