Artes, Cultura, Geral, Música Sinfónica, Richard Strauss

Música a antecipar a Páscoa

Pual Klee

Paul Klee Ovo Ab

Em vésperas de Páscoa, a festa maior dos cristãos que celebram o mistério da ressurreição, atente-se como o tema da morte, do fim da vida breve a que todo estamos condenados tem sido tratado pelas artes. Sem esperanças de ressurreição, de voltar a viver uma mais que improvável nova vida, muitos são os artistas que pensam, encaram a morte como um momento final em que num lapso se revisita a vida vivida, os seus sucessos e insucessos, como esse momento é o de uma transfiguração do próprio que já nada poderá recuperar, nada poderá alterar.

Uma das obras maiores com esse tema é a de Richard Strauss, Tod un Verklärung, Morte Transfiguração. Richard Strauss descreve a morte de um artista, as suas lembranças de infância, os episódios da sua vida, as obras que produziu, o seu fim e transformação da sua alma que se vai apagar, por todas essas recordações.

Na altura foi um enorme êxito que o impôs no mundo musical do seu tempo, depois do exuberante sucesso do poema sinfónico Dom Juan. Sessenta  anos depois, no seu leito de morte Richard Strauss relembrará esse seu poema sinfónico dizendo que o estava a viver.

Aqui a ressurreição não existe mas fica a eternidade de uma obra de arte, a única eternidade reservada aos artistas maiores que nos fazem vivê-la. Ouvir Morte e Transfiguração é um desses momentos que nos faz ir além da vida para melhor compreender a vida, que é o que a arte, a grande arte faz por todos nós depois de nos deslumbrar. É a celebração da vida, do trânsito da vida, da sua terrena  reconversão.

Tod und Verklärung  é uma das obras musicais mais tocadas e são inúmeras as suas gravações. No You Tube não encontrei a minha preferida, ser a minhas preferida vale o que vale o meu gosto pessoal e não mais do que isso, a dirigida por Fritz Reiner com a orquestra de Viena. Optamos pela dirigida pelo próprio Richard Strauss também com a orquestra de Viena. Outras há de excepcional qualidade como a de Bruno Walter com a a Filarmónica de Nova York, a mais difícil de encontrar mas que bem merece esse esforço de Hana Knappertsbuch com a Staatskapelle de Dresden ou a de Sergiu Celibidache com  a Orquestra Filamórnica de Munique que, como é imagem de marca do maestro, nos dá uma outra visão.

Antes da Páscoa, esta morte em que a ressurreição é a obra que os artistas nos legam que para eles é a sua transfiguração e para todos nós um elemento para transformar a nossa vida.

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