Geral

Os transportes públicos foram usados como instrumento da especulação financeira

 

Durante muitos anos diversos governos de direita (com vários partidos) empurraram as empresas públicas de transportes para formas de gestão erradas e danosas.Uma das vias passou por lhes cortarem financiamento publico sustentável empurrando-as, através de administrações dóceis ou oportunistas, para as mãos dos “mercados financeiros”.

Estes agentes financeiros, designadamente bancos de investimento e fundos sem rosto, inventaram, com grande e frenética imaginação, sucessivos “esquemas” para multiplicar exponencialmente mais-valias especulativas que puseram o mercado financeiro mundial no caos.

Os swaps que, quando surgiram, há muitos anos, até tinham alguma lógica financeira, converteram-se em mais uma das armas dessa especulação que faz alguns ganharem fortunas sem produzirem nada.

Através desta metodologia, ao mesmo tempo que reduziam artificialmente a despesa em sucessivos orçamentos de estado, os governos de direita foram criando as condições propícias para o seu objetivo principal – a privatização das empresas deste setor estratégico.

Disseram eles: As empresas públicas funcionam mal e dão prejuízo! Não se pode por os contribuintes a pagar a má gestão pública! Há que privatizar para que os cidadãos tenham melhores serviços e mais baratos!

Esconderam sempre, ardilosamente, a verdade objetiva: os contribuintes e os utentes acabam por pagar muito mais através deste esquema.

A mobilidade sustentável é um direito de cidadania incontornável que, além disso, está na base de uma economia saudável e de um melhor ambiente.

Em nenhuma parte, designadamente nas metrópoles europeias e americanas, os transportes públicos coletivos podem dar lucro, a não ser à custa de tarifas altíssimas que afastam ainda mais as pessoas. Em todo o lado há financiamento público na ordem de 40 a 60%.

As forças neoliberais que, em sintonia com os donos da Europa, se apossaram de Portugal, nos últimos anos, puseram a fórmula capitalista extrema em funcionamento de forma, além de tudo o mais, desavergonhada.

Vejamos:

empurraram as empresas públicas de transporte de passageiros para formas de gestão erráticas e danosas, forçando-as a recorrer aos imaginativos financiadores externos que, sempre atentos, se disponibilizaram a “dar ajuda”;

como era de esperar a rotura estrondosa ocorreu; os contribuintes, que também são utentes, são agora obrigados a cobrir os enormes buracos que vão surgindo como cogumelos; e, os de sempre, arrecadam mais-valias astronômicas e indecorosas.

No fim da estória, aqueles que permitiram e estimularam o processo, acabam, quando terminam as suas funções governativas, a ganhar chorudas remunerações em casa dos especuladores!

O que é isto se não grosseira corrupção?

Onde anda a ética que, apesar de tudo, havia numa certa direita que, defendendo a liberalização e a privatização, tinha vergonha na cara?

Temos estado, nos últimos anos, ao dispor de um bando neoliberal com muita lábia e sem escrúpulos!

Há que os manter afastados do poder, por via democrática, mas com grande firmeza.

E isso não se faz só com bicicletas e carrinhos elétricos.

Sem ofensa para as bicicletas, claro!

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