BE, CDU, Comunicação Social, Edgar Silva, Eleições Legislativas 2015, Eleições presidenciais 2016, Geral, PCP, Política

Arrancar olhos

olhos

Na sequência das últimas eleições presidenciais, a pretexto do resultado de Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP, ter ficado aquém das expectativas, a direita lançou um novo ataque ao PCP, desta vez acrescentando o ingrediente de tentar criar divisões nas forças que viabilizaram o actual governo PS.

Estranho, ou talvez não, é que alguns, dentro destas forças, provavelmente por terem uma longa tradição e vasta experiência em atacar o PCP, tenham servido de amplificadores de tal ataque.

Nos últimos dias, foi possível assistir a uma série de notícias e artigos de opinião que conseguiram misturar o veneno anti-comunista com as habituais doses de mentira, deturpação e caricatura, o cocktail do costume servido pelos melhores especialistas em cozinhar verdades laboratoriais sobre o PCP.

À semelhança do que era escrito em 1989, voltam a anunciar o fim do PCP, a erosão fatal do eleitorado comunista, o acumular de derrotas, a perda de influência política e social.

Analisam o PCP da mesma forma que analisam qualquer outro partido, sem compreender que para o PCP a participação em actos eleitorais não esgota a sua intervenção e acção política.

Mas, mesmo olhando só para as eleições, falham, porque analisam a participação do PCP em actos eleitorais, não à luz dos resultados reais, mas dos seus desejos e leituras que a partir deles fazem.

Por exemplo, falam em derrotas eleitorais sucessivas (há mesmo que consiga ver que o PCP perdeu votos nas últimas legislativas) quando o PCP, desde 2002, sucessivamente, vê o seu resultado em eleições legislativas melhorar, esquecem que o PCP tem vindo a aumentar a sua influência autárquica (veja-se o vómito de Vasco Pulido Valente que em sóbria e lúcida análise vê o PCP a perder influência desde o fim da II Guerra Mundial), sendo a força política com maior número de presidências de Câmaras Municipais na Área Metropolitana de Lisboa, ou que o PCP nas últimas eleições para o Parlamento Europeu elegeu mais um eurodeputado.

Mas na sequência dos resultados das eleições presidenciais, novas teses vêm juntar-se à do fim próximo do PCP, entre elas as que referem que o eleitorado do PCP castigou o Partido pela viabilização do Governo PS ou que o PCP terá de fazer prova de vida e, portanto, sair para a rua, rasgando a posição conjunta assinada com o PS, fazendo oposição ao Governo.

Tamanha preocupação com o PCP chega a ser comovedora, provando que temos muitos e bons amigos, sempre disponíveis nas ocasiões mais difíceis para dar um conselho sábio.

Sei que no domínio das ciências ocultas, a PCêpologia é uma das mais rentáveis e decretar o óbito do PCP, pelo menos, uma vez por mês faz parte do contrato de muitos analistas e comentadores encartados, mas desta vez surpreendem pela criatividade, pela manipulação de resultados eleitorais, pela criação de uma competição virtual entre PCP e BE (a mesma competição que não viram quando o BE quase desapareceu do mapa), pela confusão entre eleições legislativas e presidenciais, pela ideia de que a viabilidade do Governo pode estar comprometida por causa do resultado do candidato apoiado pelo PCP nas presidenciais.

De facto, para analisar o PCP tudo é permitido, todos os argumentos são válidos (mesmo os falsos), vale tudo, até arrancar olhos!

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