Eleições presidenciais 2016, Geral, Política

Eleições presidenciais: contributo para um balanço

PRESIDENCIAIS 2016

Foram os resultados das eleições presidenciais surpreendentes? Não. Mas tiveram algumas meias surpresas. A possibilidade de uma segunda volta, não sendo impossível era muito difícil. Ficam os erros que as esquerdas teimam em repetir.

Sampaio da Nóvoa (22,89% dos votos expressos) atingiu valores apenas razoáveis. Maria de Belém (4,24%) e Edgar Silva (3,95%) ficaram muito aquém do que seria expectável. Marisa Matias (10,13%) foi além do que se esperava. Dos candidatos mais “pequenos” apenas a meia surpresa Tino de Rans. Ou seja, a soma de todos eles (48%) foi incapaz de evitar que a campanha de Marcelo Rebelo de Sousa (52%) quase que fosse um “passeio pelo parque”.

Ficará a pairar a dúvida sobre se uma candidatura que dinamizasse as várias sensibilidades da esquerda não seria a melhor estratégia. Constatou-se, mais uma vez, que as esquerdas não só não conversaram entre si, como se combateram. Perante um PS estrelhaçado e na ausência de um “peso pesado” multiplicaram-se os candidatos das esquerdas. E a história registou uma repetição do que já víramos acontecer na primeira eleição presidencial de Cavaco Silva em 2006: um país politicamente à esquerda elege um presidente oriunda da direita.

A candidatura de Maria de Belém foi “abalroada” pelo escândalo das subvenções vitalícias – com a deliberação do Tribunal Constitucional a ser divulgada num timing muito (in)oportuno. Também é verdade que Belém conseguiu confirmar e exponenciar pela negativa a “falsa frágil” (vide debates televisivos) que Manuel Alegre já prenunciara em Agosto do ano passado.

É verdade que Edgar Silva e o PCP/CDU fizeram uma campanha activa e recheada de iniciativas, como sempre é timbre do Partido Comunista Português. Mas o que falhou? Para onde foi o mais de um quarto de milhão eleitores que em Outubro de 2015 votou na CDU e que agora não escolheu o candidato apoiado pelo PCP? Parte importante deste eleitorado ter-se-á distribuído por outras candidaturas, porventura não tão afirmadas partidariamente, numa eleição que não é, em última instância, entre partidos.

A votação de Marisa Matias indicia o que poderá ser uma certa recomposição no voto das esquerdas, já que quase confirma a votação do Bloco de Esquerda em Outubro passado. Não há que duvidar que as “novas” caras femininas do Bloco lhe tem conseguido emprestar um notável poder comunicacional. Não só pela sua competência, mas também pelo facto de o serem. Atenção a Assunção Cristas, quase a chegar ao CDS!

Esta eleição presidencial volta a demonstrar que numa eleição uni-pessoal há outros factores em jogo para além dos políticos. O reconhecimento mediático e a notoriedade pessoal, a projecção do afecto (“a marmita” de Marcelo!), o percurso pessoal…

É certo que Marcelo Rebelo de Sousa partiu com grande vantagem. Mas teve a vida facilitada.

(Também sobre este assunto, ver aqui)

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