Comunicação Social, Diário de Notícias, Ferreira Fernandes, Geral, imperialismo, pesamento único, Política, totalitarismo

Lixo Opinativo

lixo

Ferreira Fernandes tem hoje uma crónica no Diário de Notícias que é uma pérola de sofisma com um alvo habitual o Partido Comunista Português. Nada de anormal, portanto, mas…

O título anuncia o argumentário: PCP: Subvenções? São más, mas já agora… Depois a diatribe que se espera, com um pormenor não desprezível que é o de proteger de forma sibilina Maria Belém que subscreveu o pedido de   inconstitucionalidade de suspensão de subvenções vitalícias, com a habilidade manhosa de classificar as subvenções como uma regalia indecente e, paralelamente, reduzir a cisco a indignação de outros partidos, não por acaso os de esquerda, que levantaram a voz contra essa iniciativa da candidata presidencial. A indignação do BE é sumariamente resolvida pelo opinador, porque os deputados bloquistas se a ela não acederiam foi porque essa regalia deixou de existir desde 2005, o que lhes permite darem voz grossa à sua indignação sem passar pelo crivo da tentação. Em relação ao PCP a coisa fia mais fino. Ferreira Fernandes requinta-se nos argumentos, rebolando-se desenfreadamente na demagogia e no populismo.

Os deputados do PCP votaram contra a atribuição de subvenções vitalícias e, como lembrou Edgar Silva, tiveram iniciativas legislativas tanto na Assembleia da República como na Assembleia Regional da Madeira, contra a atribuição dessa regalia. Votaram contra, mas recebem as subvenções, vocifera Ferreira Fernandes e decreta do alto da sua coluna: têm uma prática hipócrita. Por essa linha de raciocínio como o PCP votou contra o corte das pensões e dos salários, os militantes do PCP ficariam isentos dos cortes. Como o PCP votou contra a sobretaxa no IRS, os militantes do PCP, ficavam isentos, Como o PCP votou contra a supressão de feriados, os militantes do PCP poderiam continuar a gozar os feriados embora sem direito a pontes. Militantes, porque os simpatizantes e os votantes não podem fazer prova do seu estatuto, ainda por cima pode ser flutuante.

Deixando de lado o enviesamento do raciocínio de Ferreira Fernandes, cabe perguntar para onde iria o dinheiro das subvenções que os deputados do PCP se recusariam a receber, em linha e coerência com o seu voto contra, como proclama o cronista. Poderia ir para abastecer algum resgaste a um banco ou contribuir para comprar submarinos ou para auxiliar ao pagamento dos trabalhos da troika, ou…com essas e outras aplicações para onde seria canalizado o dinheiro que os deputados do PCP prescindiriam já Ferreira Fernandes estaria de acordo. O azar do escrevente é que os deputados do PCP, para parafrasear Fernando Pessoa, não são parvos, nem romancistas russos, aplicados, e romantismo, sim, mas devagar…sobretudo quando estão a lidar com gente que se atribui a si próprios esses privilégios enquanto vota a favor de leis que atacam direitos económicos, sociais e políticos da esmagadora maioria dos portugueses. Porque raio ou corisco em vez de dar esse dinheiro ao Partido o deveriam ofertar ao Estado para essas malfeitorias?

O que move Ferreira Fernandes é a sorna raiva contra a esquerda em geral e o PCP em particular, espadeirando com uma espada de Dâmocles que é de barro e facilmente se estilhaça no pântano de um argumentário manipulador e rasca. Ferreira Fernandes pertence àquela classe de gente que está à janela lançando um olhar protuberante sobre o mundo que os rodeia para descascar os seus podres, sem notarem que eles é que já estão podres, com o cérebro, sovado por uma suposta realidade que não é de facto a realidade mas uma construção ditada por uma ideologia de direita que se tornou dominante, depois de contaminar os canais de informação, dos mais tradicionais aos mais sofisticadamente modernos, para se plasmar quotidianamente até se tornar trivial e moldar o pensamento, porque se pensa eterna e sem alternativa

As formas como surge são multiformes, desde as verdades das mentiras das noticias, dos discursos dos políticos de direita, dos centros de produção de pensamento, da transmissão de conhecimento, etc às crónicas e opiniões de milhares de ferreiras fernandes em todo o mundo, que se depositam nas ondas cerebrais para as inquinar. Esta crónica de Ferreira Fernandes é um grão minúsculo, mas venenoso, transportado por essas formigas todas bem alinhadas no carreiro do pensamento dominante e que, de forma insidiosa e continuada, atacam tudo o que, até de forma pacífica, o pode por em causa e em causa o sistema que o sustenta e que foi por ele engendrado. Os seus serventuários estão atentos, para isso é que são pagos e ocupam os lugares que ocupam, atiram a matar sem hesitações ou percas de tempo. Já estão tão seguros de si que mesmo os argumentos mais parvoides não os detêm nem procrastinam a emissão de opiniões para não tropeçarem nos vícios lógicos. O terreno, pensam eles, já está tão aplainado e preparado que qualquer semente geneticamente modificada pela ideologia de direita vai florir e ninguém ou quase ninguém se apercebe do seu fedor e da ausência de cor. Assim é esta crónica de Ferreira Fernandes com a xica espertalhice de apelar ao mais sofrível senso comum a tenta fazer-nos passar por parvos, mas já agora…devolve-se a espertalhice e sem dedicatória uma canção que é um hino aos ferreiras fernandes deste mundo, mesmo do outro: le temps ne fait rien à l’affaire.

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