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O primeiro dia da campanha eleitoral para as Presidenciais

 

medusaA campanha da eleição presidencial que hoje  oficialmente se inicia teve nos tempos de pré-campanha algumas curiosidades que se devem registar por desnudarem, mais uma vez, os truques da comunicação social, entrincheirados nos critérios editoriais e jornalísticos. Esventram uma realidade de todos conhecida, por mais sabida, a do mercenarismo aliado à falta de qualidade profissional. O rol, só focado neste tema, seria extensíssimo, algumas notas são relevantes.

A mais notória, desde as primeiras notícias, é a da discriminização entre os candidatos. Todos têm nomes, mesmo títulos. Ele é o professor Marcelo, a imagem de marca muitas vezes dispensa os apelidos, a dra Maria de Belém, o professor Sampaio da Nóvoa, o professor Paulo Morais, o engenheiro Henrique Neto, a deputada Marisa Matias e por aí fora todos alinhados e identificados, até Tino de Rans, menos um raramente referido pelo nome Edgar Silva, sendo mais conhecido como o candidato do Partido Comunista.

O tom dos supostos moderadores e entrevistadores variou da indiferença, da sobranceria, do apoio amigo, à provocação rasca. Reveja-se por exemplo Judite de Sousa com Maria de Belém que aliás disputa o apoio da jornalista com o professor Marcelo, ou Clara de Sousa que, qual árbitro de um combate de boxe, interpôs-se entre os professores Marcelo e Sampaio da Nóvoa, para permitir ao professor Marcelo sair das cordas. No meio das horas de debates e entrevistas não faltou uma baixa provocação. Uma rasteira, pensava o espertalhaço jornalista, a Edgar Silva, querendo saber coisa decisiva num debate daquele teor, se iria visitar a Coreia do Norte. Ninguém se lembraria de perguntar ao candidato Marcelo que país africano escolheria para concorrer com o seu amigo Cavaco a trepar aos coqueiros, ou se Sampaio da Nóvoa, desvelado com o apoio de Mário Soares, iria viajar para cavalgar uma tartaruga ou quando e onde Maria de Belém iria procurar o padre Melícias para obter refrigério espiritual, durante e depois da campanha eleitoral. No mapa mundo só lá estava a Coreia do Norte para ver se o candidato do PC tropeçava num qualquer membro da dinastia Kim. Assim são os altos critérios jornalísticos e editoriais.

Para além dessas curiosidades, os debates tem revelado um professor Marcelo no seu melhor. Diz e desdiz-se com o à vontade de mais de quarenta anos na política activa directa e indirecta, perseguindo os mesmos objectivos, como militante activo, até com responsabilidades máximas,comentador, analista, e essa categoria inventada que faz as delícias da política parola, fazedor de factos políticos. Um faz tudo que tudo faz de vichyssoies políticas. Mesmo quando Sampaio da Nóvoa lhe abriu as defesas e aplicou uns ganchos e alguns uppercuts, não foi ao tapete e andou a fugir pelo ringue simulando uns golpes desapoiados como se fosse um candidato independente. Como bem disse Edgar Silva, o tal candidato do PCP, Marcelo é um mestre do engodo e do disfarce.  Oficioso candidato da direita tanto chora lágrimas de crocodilo pelas consequências das políticas de direita dos últimos anos que sempre amparou, mesmo quando criticava a forma e não o fundo, com jogadas de sumo oportunismo, chegando ao cúmulo de fingir não apoiar o que de facto apoiava. O professor Marcelo continua em todos os palcos, os que lhe oferecem e os que procura, o seu número de palhaço rico, mestre na dissimulação. A sua mais recente prestidigitação é o aparecer como um quase independente político e um interclassista a distribuir afectos. Ainda o havemos de ver mascarado de Francisco a pregar lérias aos votantes,  como se os seus amigos dilectos não fossem a alta finança e a alta burguesia, o seu berço. A comunicação social e as sondagens arrimam o estro e a lábia do personagem com desvelo.

Extraordinário, aliás nada extraordinário, é não houve ninguém que faça contas à campanha do prof. Marcelo. Sem pudor e desfaçatez quase fica roxo de indignação com os gastos das campanhas eleitorais dos outros candidatos. Não irá gastar raspas em cartazes, tempos de antena ou qualquer outro outro tipo de propaganda que não seja o esfolar solas a peregrinar pelo país, a distribuir abraços e beijinhos, a beber e pagar uns cafezinhos. Isto depois de mais de trinta anos a meter ao bolso os honorários principescos com que construiu a sua imagem nas televisões públicas e privadas. São milhares de horas nos chamados horários nobres televisivos É, de longe e em todos os tempos, a campanha eleitoral mais cara de algum partido ou candidato presidencial, com a particularidade de lhe rechear a carteira e demonstrar que, afinal, a banha da cobra é um produto valioso. Durante todo esse tempo, o único português, das dezenas de milhões que vivem em Portugal e na diáspora, que não sabia que o professor Marcelo fazia o seu caminho para Belém, carregado de ouro, incenso e mirra, era o próprio professor Marcelo, enrodilhado nas suas partes gagas, até ficar cansado de esperar que Cristo descesse à terra e  decidisse que era tempo de arrombar as portas do palácio de Belém.

O alfa e o ómega dos debates televisivos foi alcançado quando os candidatos Professor Marcelo Rebelo de Sousa e a dra Maria de Belém, no último debate, concordaram pressurosamente, que não se deveriam fazer julgamentos de carácter aos candidatos. Pudera! Com o currículo de qualquer um deles, um julgamento de carácter seria bastante corrosivo. O bicho comeria toda a maçã.

Com esse histórico, as sondagens, as sondagens valem o que valem e valem também para manipular, tal como a cobertura da comunicação social, o professor Marcelo, com um lastro de dezenas de anos de presença nas pantalhas televisivas, vai à frente e bem à frente de todos os outros candidatos. O grave e grande risco que Portugal corre é depois da múmia paralítica Cavaco trocar o Palácio de Belém pelo Poço de Boliqueime ver emergir das águas do Guincho essa medusa surfista que, ao sabor das ondas, vá fazer companhia aos nenúfares dos lagos de Palácio de Belém. Será constrangedor para Portugal, uma das primeiras nações do mundo ter como Presidente da República um invertebrado jongleur a jogar diariamente com bolas coloridas dos improvisos, das intrigas, dos enganos, das advertências e desavertências, das traições, como se a política fosse um jogo banal e não coisa muita séria na vida das pessoas. Esclareça-se, lute-se para que essa glorieta guiness não aconteça, nem na segunda volta eleitoral e muito menos no dia 24 de Janeiro.

 

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