Eleições presidenciais 2016, Geral

Presidenciais: Pode o pelotão apanhar a lebre?

Teofilo Braga a caminho de Belem

Presidente Teófilo Braga dirigindo-se de eléctrico ao Palácio de Belém.(imagem do Museu da Presidência da República)

O candidato Marcelo Rebelo de Sousa sai na frente e com vantagem. Mas é agora que a corrida vai começar a sério. Pode ainda o pelotão da esquerda apanhá-lo e ultrapassá-lo? Para isso um dos seus candidatos terá que chegar à segunda volta – coisa que só aconteceu uma vez, em 1986, quando Mário Soares ultrapassou Freitas do Amaral no sprint final da segunda volta.

Apesar de eleitoralmente maioritária, uma esquerda desacertada tem facilitado a vida ao candidato da direita. Sendo Marcelo o melhor candidato que a direita poderia ter, a batalha marcada para 24 de Janeiro de 2016 é “um osso muito duro de roer” para as esquerdas. Mas nem sempre quem sai primeiro, chega em primeiro lugar.

Marcelo, corredor de fundo ou lebre?

Apesar de não ter sido o “desejado” por Passos Coelho e Paulo Portas, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta-se como o único candidato da direita, no que constitui mais um exemplo do pragmatismo desta área política.

Marcelo dispensa apresentações porque toda a gente o conhece. É certamente dos portugueses com maior projeção mediática, não tivesse ele entrado nas casas dos portugueses, através dos ecrãs televisivos e em prime time, ao longo de muitos anos na qualidade de comentador político. Ou de “catavento” na opinião do chefe do PSD, aquele que é hoje um dos seus mais ilustres apoiantes. Marcelo construiu paulatinamente a sua candidatura fazendo todos os circuitos necessários, não se esquecendo sequer da Festa do Avante! Por isso parte na frente.

Displicência socialista

Mas é também evidente a displicência com que o partido socialista tratou a eleição presidencial. Ao PS competiria dirigir uma estratégia de abrangência do povo de esquerda. Como em 1996 com a candidatura vitoriosa de Jorge Sampaio, apoiada pelas desistências dos candidatos Jerónimo de Sousa (PCP) e Alberto Matos (UDP) antes da primeira volta. Mas os socialistas apresentaram-se agora sem estratégia.

No tempo que resta há pois que “tocar a rebate”, mobilizar e tirar Marcelo do altar.

A esquerda, fragmentada como é habitual, encontra o PS dividido por três candidaturas: duas quase oficiais, sendo que uma delas, a de Sampaio da Nóvoa, é “secretamente” apoiada pelo primeiro-ministro, e ainda uma outra de um franco-atirador, Henrique Neto. A imagem não pode deixar de nos recordar o desastroso panorama, com funestos resultados, que opôs Manuel Alegre e Mário Soares na eleição presidencial de 2006 e que ditou o primeiro dos dois mandatos de Cavaco Silva… com 50,54% dos votos.

Agora que uma nova e esperançosa maioria parlamentar dá os primeiros passos, importa perceber qual o papel que o futuro presidente da república desempenhará. Cavaco Silva, o primeiro presidente oriundo da direita, demonstrou à exaustação e de forma caricata a sua filiação, desprestigiando a função presidencial a um ponto dificilmente prescrutável.

Que poderemos esperar de Marcelo? Que se esqueça da sua origem, do seu percurso e dos interesses da sua família e amigos políticos? Que se esqueça que foi fundador do PPD e seu líder? Que fez todas as campanhas ao lado do Passos Coelho e Cavaco Silva?

Ao comentador que ao longo de anos se equilibrou politicamente (o catavento de Passos Coelho!) nos ecrãs das televisões, sucede agora o candidato que quer fazer esquecer de onde vem e esconder para onde vai. Com respostas redondas e uma simpatia táctica com a actual solução governativa. Há pois que o fazer descer à terra e aos problemas.

O pelotão da esquerda

Sampaio da Nóvoa. Praticamente desconhecido do grande público, é o factor novidade nas presidenciais. Sem credenciais nem passado na vida político-partidária, avançou contando com a bênção do PS de António Costa, adivinhando-se outras simpatias nas esquerdas. Tem-se assim perspetivado como um candidato federador dessas esquerdas, tendo congregado o apoio de todos os antigos presidentes da república. Mas a estratégica, que parecia promissora, foi torpedeada a partir do mesmo PS que lhe indiciou apoio.

Maria de Belém. Está ainda por explicar o que levou esta ex-ministra de governos socialistas a avançar com uma candidatura que sabia ir fraturar, quer o seu partido, quer o eleitorado socialista. Retaliação e pauzinhos na engrenagem do então novo líder A. Costa que acabara de apear António J. Seguro. Não foi ela a presidente do partido durante o consulado de Seguro? Como também é sabido que a sua candidatura foi acarinhada pela direita.

Edgar Silva é a voz do PCP nas presidenciais. Uma presença autónoma perante os grandes blocos que se formam em eleições unipessoais. Diz a história que os comunistas portugueses nunca prescindem de uma presença ativa; a mesma história que diz que a ida a votos na primeira volta depende do que pode ser a melhor opção para uma vitória da grande área da esquerda.

Marisa Matias corresponde à afirmação de uma outra área da esquerda, sendo a tentativa de o BE potenciar nas presidenciais o sucesso registado nas eleições legislativas.

Aos quatro candidatos das esquerdas e às forças políticas que os suportam exige-se a maior dinamização dos seus eleitorados. Só a partir dessa maximização será possível forçar uma segunda volta. É certo que só agora começa a campanha, mas a lebre Marcelo tem que ser confrontado com as opções que o presidente vai ser chamado a fazer.

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One thought on “Presidenciais: Pode o pelotão apanhar a lebre?

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