Política

As dez palavras que abalaram o mundo

IMG_0166Afonso Luz, da Comissão Executiva do Partido Ecologista Os Verdes e um dos membros da comissão negociadora que participou nas discussões que conduziram a um governo que nos poderá devolver alguma esperança, explica, no texto que se segue, a que a Praça do Bocage abre, com gosto, as suas portas, como podem apenas dez palavras mudar o (nosso) mundo.

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“O Partido Socialista só não é Governo se não quiser”

Foram estas dez palavras, proferidas por Jerónimo de Sousa, em nome do PCP, no rescaldo dos resultados das eleições legislativas de 04/10/2015, que abalaram o (nosso) mundo.

No mesmo momento em que, contados os votos, a direita gritava vitória e, no PS, uns se afirmavam em choque e outros viam chegada a oportunidade de avançarem para a liderança, as palavras de Jerónimo de Sousa, secundadas pelas posições logo assumidas por PEV e BE, tudo abalaram.

O PS perdedor, passou a vencedor.

O António Costa vencido, passou a possível primeiro-ministro.

Os socialistas chocados, tal como os putativos futuros líderes, ainda estrebucharam, mas acabaram por meter a viola no saco.

A direita, surpreendida, desorientada, sentiu-se perdida. Apelou a fantasmas. Como era possível? O mesmo PS que lhes tinha dado o colo na Fonte Luminosa e com quem sempre tinham contado, agora deixava-os cair. E logo juntando-se à esquerda! A esquerda radical. Os estalinistas, com os maoistas, mais os trotskistas e ainda os ecologistas. Todos juntos. Que medo!

O mundo deixou de ser o que era.

O Presidente da República, figura cuja falta de cultura e tato político só encontra paralelo em Américo Tomás, encurralado nas suas próprias decisões e depois de afirmar que sabia bem o que tinha de fazer, deu-lhe para “chutar para fora”, tentando ganhar tempo, na esperança de que alguma mãozinha milagrosa aparecesse e o acordasse do pesadelo.

Foi nomeando um governo de direita sem apoio parlamentar. Foi ouvindo tudo e todos de que se foi lembrando, especialmente aqueles de quem já conhecia os discursos. E ainda fez um intervalo par ir até à Madeira.

Completamente perdido, acabou a pedir esclarecimentos sobre o que estava, há muito, esclarecido.

Sem opção, a 24/11 (certamente para evitar o 25), “indicou” o Secretário Geral do PS como primeiro-ministro. Mais uma vez, mostrando desprezo pela Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir, achou que devia “indicar” e não nomear o primeiro-ministro, como lhe compete nos termos do nº 1, do artº 187º, da Constituição Portuguesa.

Enquanto tudo isto se passava, PS, PCP, BE e PEV entendiam-se e o povo saiu à rua, concentrou-se junto ao Palácio de S. Bento, aguardou o derrube do governo de direita e celebrou a sua queda logo que anunciada.

Entre palmas e abraços, ouviu-se nessa concentração dizer, emotivamente, que “valeu a pena lutar”. Vale sempre a pena lutar.

O que aí vem não é nada fácil e estar atento é exigência para cada um de nós.

A luta não pode parar, “enquanto houver estrada para andar”.

A estrada que temos pela frente é estreita, mas é a da alternativa às políticas de austeridade, de empobrecimento do povo, dos privilégios só para os grandes grupos económicos e financeiros, da constante perda de soberania, dos crimes económicos, sociais e ambientais.

Estão agora criadas condições para melhorar a vida dos portugueses e voltar a colocar Portugal no caminho do desenvolvimento.

Vamos a isso!

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