Setúbal, Vitória

Vitória: um século a caminho do futuro

VFC

Uma centena mais cinco anos passaram desde o longínquo 20 de Novembro de 1910. O Vitória Futebol Clube cresceu, enraizou-se na sociedade setubalense, tornando-se uma instituição fundamental da sua cultura desportiva, implantou-se no panorama desportivo nacional, alargou a sua oferta desportiva, reforçando a sua natureza ecléctica.

O Clube moldou fornadas de campeões, conquistou títulos nas mais diversas modalidades, sobe respeitar os seus adversários e merece o respeito que lhe é dedicado quando se desloca a qualquer parte do país ou do estrangeiro. Esse enorme peso que o emblema sadino acarreta, conhecem-no e sentem-no os seus atletas.

O Vitória Futebol Clube tornou-se numa gigantesca realidade na cidade e na região de Setúbal. Por esta escola de formação de atletas e de seres humanos passaram gerações de jovens, mulheres e homens, que se revêm nesta instituição e que são o garante do seu futuro. Bandeira de uma região, e quantas vezes do País, o seu papel vai muito além do plano desportivo. A instituição Vitória é factor de unidade e de identidade dos setubalenses, de elevação da sua auto-estima, é parte inalienável da sua memória colectiva. O Clube assume um destacado papel desportivo, mas também social e cultural.

Ao longo dos seus prestigiantes 105 anos de vida o Vitória fez história. Em Portugal, conquistando 3 Taças de Portugal e inúmeras vezes classificando-se nos lugares cimeiros da divisão primeira do futebol nacional. Alcançando, nas diversas modalidades, títulos nacionais e internacionais, feito que ainda hoje se vai repetindo. No palco do futebol internacional trofeus como a Mini Copa do Mundo – frente aos poderosos Santos, Werder Bremmen, Chelsea -, o Trofeu Teresa Herrera, o Trofeu Ibérico, entre muitos outros que aqui não cabe enumerar, mas que vale a pena honrar. As idas noites europeias em que o Vitória foi enorme face aos senhores do futebol mundial como Liverpool, Inter de Milão, Spartak de Moscovo, espalhando o perfume do seu mágico futebol pelos relvados da Europa, afirmando-se como um verdadeiro tomba gigantes e creditando o respeito e o receio dos adversários.

Na última década, não obstante muitas agitações, o Vitória voltou a escrever a ouro nas páginas do desporto português ao vencer a Taça de Portugal, a Taça da Liga e a Taça Ibérica. O clube voltou também a inscrever campeões nas modalidades amadoras, merecedoras de todo o nosso carinho e atenção.

Setúbal viveu todos esses momentos a par e passo. A história do Clube chega a confundir-se com a própria história da Cidade durante o último século. O Clube, a sua mística, reflectem os traços essenciais da cultura e da identidade da sociedade setubalense. A atitude laboriosa, a humildade, a dedicação, a persistência e a confiança face às adversidades. Em 1910, na aurora da República, numa Cidade profundamente marcada pelas desigualdades sociais e económicas e pela luta de classes – completamente estanques, pois os pescadores e operários viviam nos arrabaldes de Troino e das Fontaínhas, enquanto a burguesia se passeava pelo boulevard da Avenida da Praia (hoje Av. Luísa Todi) – o Vitória constitui-se como o primeiro denominador comum da Cidade, factor de unidade que hoje se mantém.

A actualidade tem marcado as dificuldades em que o Clube e a SAD se encontram. Não me refiro ao recente e público desentendimento entre a Câmara Municipal e a Direcção do Vitória, que estou certo, rápida e tranquilamente se ultrapassará, não merecendo sequer futuro registo na história da Cidade. Reporto-me sim aos enormes constrangimentos e encargos financeiros por cumprir que assolam a nossa colectividade.

Entendo que é fundamental que os associados do Vitória adquiram consciência da gravidade da situação. Urge encontrar as soluções que permitam, não só a resolução dos problemas imediatos, mas também – e sobretudo – a resolução do desequilíbrio financeiro estrutural existente, essencial para garantir o futuro do Clube e do futebol profissional ao mais alto nível.

Em momento de aniversário, quando se impõe a vitoriana exaltação e a valorização dos 105 anos de história e dos seus protagonistas, perguntar-se-ão porventura o porquê de lançar estas questões. É que este é o maior desafio que se coloca ao nosso clube. Parece-me apropriado que este momento de reunião da família vitoriana seja também ele um momento particular de reflexão colectiva sobre o futuro, de congregar vontades e canalizar sinergias para aquilo que nos une e que é o objecto desta nossa associação.

E porque acredito que o futuro do clube, em todos os momentos da sua vida, pertence sempre aos seus associados. É na certeza desta premissa que confio que todos não seremos demasiados e que cada um aporta um importante contributo para viabilizar e engrandecer o Vitória.

Parabéns Setúbal! Parabéns Vitória!

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