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DIA DE REFLEXÃO

Galo-de-Barcelos-all

Hoje 2 de Outubro dia de reflexão. Um dia idiota em que supostamente a comunicação social cala-se sobre o que vai acontecer no dia seguinte onde, depois de 24 horas de ramadão eleitoral, os portugueses irão meter o boletim nas urnas escolhendo quem os irá governar ou desgovernar nos próximos tempos.

Claro que é tudo fingimento, mentira. Hoje, logo a abrir um semanário dito de referência ocupa mais de um terço das suas páginas com notícias, cenários, sondagens, comentários que insidiosamente apontam para uma vitória da direita. Curiosamente no dia anterior, um dos seus colunistas, mercenário direitinha de meia-tigela de serviço ao conservadorismo mais reaccionário, tinha o descaramento de afirmar sem uma ruga de vergonha, “que mais que nunca, é evidente o abismo entre uma elite intelectual e jornalística inclinada para a esquerda e a realidade social inclinada para a direita”. Quando a evidência é exactamente o contrário. Nunca como hoje o jornalismo é uma caixa de ressonância das ideias neoliberais e está ao serviço desse capitalismo terminal que vai sobrevivendo às suas crises de ciclos cada vez mais próximos e profundos. Jornalismo que é pouco mais que propaganda., melhor ou pior, da globalização neoliberal. Mas essa gente não se detém perante nenhum vício lógico. Nega tudo mesmo as próprias evidências!

A mentira, as enormes mentiras debitadas pela parelha Passos-Portas foram acolhidas com maior ou menor benevolência por essa comunicação social estipendiada. São o seu sustentáculo directo. As críticas são sempre de pormenor nunca de fundo a bem de uma estabilidade que garrota Portugal.

E aqui estamos nesta pasmaceira do Dia de Reflexão, embalados por esse paternalismo de pacotilha que nos oferece um dia para, na melhor das hipóteses, ruminar as canalhices que têm sido feitas ao nosso país durante os últimos quatro anos, canalhices lustradas nos media e votar contra elas.  Na pior por continuar a acreditar nas mentirolas, mentiras e mentironas que são servidas a toda a hora, aceitando que o se sofre na carne porque se pensa que é mais seguro viver dentro da sanita do que ir abrir a porta da casa de banho.

Refletir para pensar bem em quem votar? Reflitam no que é o nosso país. O que é há dezenas de anos o nosso país, que não sai da cepa torta, cada vez mais torta, pela mão desses políticos que se renovam com contumácia.

Reflitam lendo o remorso que devemos ter por termos mudado muito, muito pouco quando o poderíamos ter feito e desperdiçamos as oportunidades que o 25 de Abril abriu. Antes de votar leiam e pensem com o auxílio deste poema do Alexandre O’Neill!  Se querem esse Portugal continuem a votar nos partidos ditos do arco governativo. A história julgará a vossa cobardia de continuarmos a viver nesta feira cabisbaixa!

Há outro caminho há outro voto, o voto verdadeiramente útil … é Dia de Reflexão!!! Não digo qual é mas todos sabem qual é!

Digo, claro que digo, que se lixe o paternalismo bacoco do Dia de Reflexão! VOTEM CDU!!!

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,

linda vista para o mar,

Minho verde, Algarve de cal,

jerico rapando o espinhaço da terra,

surdo e miudinho,

moinho a braços com um vento

testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,

se fosses só o sal, o sol, o sul,

o ladino pardal,

o manso boi coloquial, a rechinante sardinha,

a desancada varina,

o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,

a muda queixa amendoada

duns olhos pestanudos,

se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,

o ferrugento cão asmático das praias,

o grilo engaiolado, a grila no lábio,

o calendário na parede, o emblema na lapela,

ó Portugal, se fosses só três sílabas

de plástico, que era mais barato!

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,

rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,

não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,

galo que cante a cores na minha prateleira,

alvura arrendada para o meu devaneio,

bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,

golpe até ao osso, fome sem entretém,

perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,

rocim engraxado, feira cabisbaixa,

meu remorso,

meu remorso de todos nós…

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