Política, Trabalho

O mestre meritocrata

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(Imagem)

No jornal do Belmiro, vá-se lá saber porquê, é possível ficarmos a conhecer um tal de Gustavo Sande e Castro que se apresenta como mestre em Gestão pela Universidade Nova de Lisboa e seguidor da meritocracia (seja lá o que isso for).

É claro que esta apresentação do mestre Gustavo é incompleta e esconde muitos outros atributos que as suas crónicas revelam, mesmo ao mais desatento dos leitores.

Numa coisa a que chamou «Adeus e boa sorte!», o ilustre Gustavo aborda a questão da emigração e conta-nos a personagem que: «A mim, não me fazem falta e já deviam ter saído há mais tempo», «Desculpam-se vezes sem conta pelo Governo e a crise serem a causa do seu insucesso», «…os restantes casos de emigração poderão estar associados à falta de esforço e flexibilidade por parte do trabalhador».

Estes exemplos seriam suficientes para lhe ilustrar o pensamento, mas a conclusão do seu texto guarda uma verdadeira pérola: «Sejam estágios do IEFP, uma baixa remuneração, um trabalho fora da formação, tudo é uma razão para não aceitar o trabalho. Mas lá fora, tudo se torna numa razão completamente credível e razoável para aceitar o trabalho. Lá fora sim, em Portugal não. Para esta falta de vontade, não precisamos cá de vocês. Adeus e boa sorte lá fora. Aqui, nós conseguimos cuidar de nós próprios, não precisamos de vocês para crescer». 

Ou seja, para o liberalzeco meritocrata os milhares forçados a emigrar partiram por perguiça, por falta de esforço, por uma estranha e incompreensível dificuldade em aceitar as regras do mercado e em escravizar-se.

O mais grave é que são bestas deste calibre e com este pensamento que nos governam e enchem as universidades e meios de comunicação social, infelizmente o Gustavo não é uma excepção ou uma caricatura, é apenas mais um cretino saído das escolas do pensamento dominante.

A ideologia que ilumina este opinador, o moderno liberalismo arrogante, prepotente e sacana, forma fornadas de Gustavos nas faculdades deste país, pena que os patrões os queiram por perto e não sejam exportados, contribuindo para a inversão da balança comercial do país e deixando mais espaço para que os outros regressem.

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