Setúbal

Cuspir para o ar…

O PS setubalense continua a praticar e a acreditar na velha máxima que garante que a memória é curta. E se tal pode ser verdade a maior parte do tempo, seguramente a máxima não se aplicará a todos, e são muitos, os que recordam bem o que fez, e não fez, o PS enquanto poder autárquico em Setúbal.

Um artigo do militante socialista Manuel Fernandes publicado hoje no jornal “O Setubalense” é a melhor prova de que por aquelas bandas se acredita convictamente na escassez de memória e, por isso, há que lançar para a conversa temas que acreditam poder ser prejudiciais à gestão camarária, mas que, na verdade, e que me perdoem a imagem, mais não são do que cuspir para o ar, com as inevitáveis consequências que sofre quem pratica o arremesso aéreo.

Por entre um arrazoado que pretende dar a ideia que o autor é portador da boa nova de uma estratégia autárquica fenomenal, que pouco comentário merece, a não ser o de que, com as referências que faz ao “betão” quer, com pouquíssima imaginação, fazer esquecer as políticas de Mata Cáceres, também conhecido por Manuel do “Alcatrão”, e compará-las com as atuais sem qualquer sustentação.

Por merecer pouco comentário, vale a pena passar aos factos, ou melhor, ao cuspo para o ar.

Para evidenciar o que diz ser a incapacidade que a autarquia setubalense tem de investir, dá o autor do artigo como exemplo o imaginado fim do destacamento dos Bombeiros Sapadores em Azeitão, que, conclui-se da leitura do artigo, põe em causa a segurança das populações e do Parque Natural da Arrábida. Há, porém, dois “pormenores” que esquece: primeiro, nunca o que existiu em Azeitão foi um destacamento formalmente constituído, mas sim um quartel com bombeiros; o segundo “pormenor” é que não deixou de haver bombeiros nem quartel em Azeitão, já que hoje estão lá em permanência os Bombeiros Voluntários de Setúbal, que, além de integrarem formalmente o dispositivo municipal de socorro e proteção civil, asseguram com qualidade e rigor a prestação do socorro e garantem a segurança do PNA.

Uma vez mais, o PS, para fazer política barata, ofende os Bombeiros Voluntários de Setúbal, dando a entender que não têm capacidade nem competência para prestar socorro às populações, tal como já tinha feito em 2011, quando, a propósito do início dos serviços dos BVS naquelas freguesias, colocou em causa as capacidades técnicas deste corpo de bombeiros que, manifestamente, não merece tanto desprezo e desconsideração.

Muito se poderia aqui falar dos bombeiros sapadores de Setúbal, do caos em que estavam em 2001, do desinvestimento em viaturas e outros meios de socorro nessa época e do que são hoje os meios disponíveis, mas não vale a pena, porque o que existe hoje é mais do que visível e resulta de um investimento candidatado a fundos comunitários de mais de dois milhões de euros, valor que torna ainda mais incompreensível o comentário deste militante do PS.

A seguir, o autor derrapa e despista-se na questão da Feira de Santiago, mostrando, uma vez mais, problemas de memória. Esquece-se de que foi o PS, com Mata Cáceres, quem apontou, pela primeira vez, no Plano Estratégico do POLIS (a história está toda AQUI), as Manteigadas como alternativa mais do que certa para a realização do certame. Para lançar a confusão, dá ainda a entender que uma alteração introduzida recentemente na tabela de taxas do município significa que este ano se pagará entrada na feira, o que, além de abusivo, é manifestamente falso.

O mais interessante é, porém, o ataque feito a propósito do Festroia e a ideia de que a autarquia deveria apoiar ainda mais a realização do festival, depois de a organização ter anunciado a impossibilidade de realizar este ano o certame, face à redução de apoios do Poder Central e outras entidades de que depende.

Uma vez mais, o PS navega ao sabor das oportunidades e do que lhe parece dar proveitos imediatos e esquece-se de que foram também os eleitos socialistas que, em 2009, propuseram, na câmara municipal uma redução do subsídio anual destinado ao Festroia de 150 para 120 mil euros, ou seja, menos trinta mil euros num momento em que havia já despesas e compromissos assumidos com base naquele valor.

Em 2009, pouco preocupou o PS a redução do apoio ao Festroia. Agora, o ágil pensamento estratégico do PS mudou, e mudou muito, pois até defende que a câmara apoie mais o festival, ignorando, até, que foi esta a autarquia que mais apoiou, desde sempre, a iniciativa, financeira e logisticamente. Só em subsídios diretos, desde 2002, a CMS atribuiu ao Festroia mais de 1.644.000 euros, valor que sobe consideravelmente se lhe somarmos a cedência de salas, transportes, refeições, promoção e divulgação e muitos outros apoios difíceis de contabilizar.

É difícil encontrar palavras publicáveis para descrever o comportamento do PS setubalense. À falta de melhor, apenas se poderá dizer que tudo isto é lamentável…

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