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Música de Páscoa, Madalena aos Pés de Cristo

mantegna

A Páscoa, o mistério da morte e da ressurreição, é o tempo por excelência dos cristãos das várias confissões. Isso reflecte-se na música, com tema celebrado pelas Paixões, Lições das Trevas,. Oratórios, mesmo de forma mais pagã como na Grande Páscoa Russa. Mas a Páscoa também deu origem a nuita outra música com aspectos laterais do mistério central.

Uma dessas músicas é o oratório Madalena aos Pés de Cristo, de Antonio Caldara. O núcleo é a luta entre o Bem, o Amor Celeste, e o Mal, o Amor Terreno, em que um pretende que Madalena continue a trilhar o caminho do pecado e do prazer e o outro, resgatá-la para a virtude e para  luz, renegando o passado.

O texto bíblico é curto, muito seco, insuficiente para um drama. No, entanto, no século XVII, em Veneza foram produzidos vários textos sobre a arrependida penitente Madalena. Foi baseado num desses textos ,de um escritor praticamente desconhecido. Ludovico Fomi, que Bernardo Sandrinelli, autor de vários libretos para Caldara, escreveu Madalena aos Pés de Cristo.

O compositor escreve um magnifico Oratório, em que dá ao basso continuo grande liberdade, sobre o que evoluem um grupo de instrumentos, o orgão,o cravo, o alúde e a teorba, como instrumentos “polifónicos”, e os violinos, violoncelos, viola de gamba e contrabaixos, como instrumentos “melódicos”, se assim se podem classificar, o que dá um grande brilho cromático a este teatro de igreja.

O Oratório inicia-se com os apelos do Amor Terreno para que Maria Madalena, não abandone o caminho do prazer que concede ao corpo o repouso maravilhoso que só a lascívia  induz, mesmo que sejam sedutoras mentiras. Ao que o Amor Celeste contrapõe a necessidade de acordar de todas as ilusões mentirosas, sair das horríveis trevas, abandonar o caminho que conduz ao prece

ipício do inferno. Discutem nesse tom frente a Madalena que começa a vacilar, a ficar dividida. O drama vai-se desenrolando até intervir a virtuosa Marta que lhe aponta o caminho do céu. Adensa-se com a entrada de Cristo e do Fariseu, um a querer ganhar aquela alma pecadora, o outro a incentivá-la a não abandonar o caminho do vício.

No final, como se conhece do texto da bíblia e teria que acontecer, o bem triunfa. Madalena arrepende-se, entrega-se a Cristo. O Amor Terreno abandona a luta derrotado pelo Amor Celeste. Uma história moral, típica destes tempos de Páscoa dedicados a lavar o pecado, muito ornamentada neste belo Oratório.

Nota: Pintura de Mantegna (1431/1506) Lamentação da Morte de Cristo. Na pinturam figuram a Virgem Maria e São João, a figura parcialmente oculta é atribuída a Maria Madalena

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