Setúbal

O Forte da Albarquel e os especialistas das redes sociais

IMG_20150129_152810Tenho lido tantos, tantos, mas tantos disparates nas redes sociais sobre a recente cedência do Forte da Albarquel à Câmara Municipal que já lhes perdi a conta. Há sempre uns especialistas encartados, com muita dificuldade em esconder a dor de cotovelo, a pronunciarem-se sobre o que sabem, mas, em especial, sobre o que não sabem.

As tentativas de retirar mérito a quem resolveu o problema têm sido variadíssimas e mal engerocadas, mas, ainda assim, irritantes. A mais disparatada, veiculada por gente ressabiada, é a de que a Câmara Municipal se está a aproveitar politicamente da mecenas que se disponibilizou para pagar a requalificação do forte, ideia que se associa a outra tese, mais estranha, que defende que a câmara municipal omitiu este apoio para ficar com todos os louros para si. Facilmente se comprova que não é assim em toda a comunicação que foi produzida sobre a matéria, na qual é sempre referido o apoio do Helen Hamlyn Trust. Ainda assim há quem insista em esbarrar contra a realidade. E quem faz esta confusão são exatamente os mesmos que desconheciam que este Trust apoia o Festival de Música de Setúbal há vários anos, provavelmente porque nunca lá puseram os pés e nem sequer sabiam que existia.

Tudo gente bem informada, portanto…

Outra engraçada que li foi que a autarquia omitiu que o representante da mecenas seria o Sr. Hugo O’Neill, isto quando a maior parte das pessoas que diz estas parvoíces nem sequer imaginava, até à data em que saiu a notícia no DN sobre a matéria, em que o senhor era citado, quem era ele e o papel que desempenhou no processo, E nem sequer são capazes de imaginar que, se os jornalistas chegaram ao nome do senhor, talvez tenha sido via da própria câmara municipal que lhes quis disponibilizar essa informação.

Porém, há algo que é preciso clarificar: a cedência do forte da Albarquel só acontece porque a autarquia se empenhou no processo nos últimos cinco anos, realizando contactos discretos com o Ministério da Defesa para se resolver o problema, assim como se empenhou na aquisição do Quartel do Onze, do Banco de Portugal, da Casa das Quatro Cabeças, do edifício da Casa da Cultura; assim como se substituiu ao Estado na realização das obras do Convento de Jesus para que o monumento não se degradasse mais e pudesse ser devolvido aos setubalenses.

Sejamos claros: sem a autarquia não haveria cedência; sem a autarquia não haveria mecenas.

Depois, aparecem uns iluminados que lêem um despacho no Diário da República em que se refere que a cedência é onerosa e encontram logo aí uma conspiração. Basta ler a proposta de cedência que foi a reunião de câmara para se perceber que é assim porque há um compromisso municipal de investir um milhão e oitocentos mil euros, o tal dinheiro que vem da mecenas, que é assumido como uma contrapartida para a cedência e assim permite ao Estado afirmar que o imóvel não é cedido a custo zero. Mas na proposta aprovada pela Câmara também se clarifica quem vai pagar todas as despesas de manutenção e de funcionamento do monumento e quem as vai pagar não é, claro, a mecenas, mas sim o município.

Por este episódio percebe-se bem o ressabiamento que vai para aí, dor que até atinge alguns ex-autarcas municipais, lestos no comentário, mas que se revelaram totalmente incapazes de resolver o problema quando tiveram oportunidade para isso na década de noventa.

Enfim…

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2 thoughts on “O Forte da Albarquel e os especialistas das redes sociais

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