economia, Política

PT France , EDP 中华人民共和国 … Salvé capital!

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Com a compra da PT Portugal pelos franceses da Altice estará preenchido mais um ponto e quase completa a agenda néo-liberal que tem prevalecido nos Governos do centrão. A irreflectida fúria ideológica que preside a privatizações ao desbarato arrisca-se a deixar-nos sem palavra em questões da maior importância para todos nós.

Junte-se à PT, as já vendidas a preços de saldo EDP, REN, CTT, EGF (recolha e tratamento de lixo), Fidelidade e acrescente-se-lhes as ainda previstas vendas da Águas de Portugal, TAP, empresas de transportes… e aí teremos praticamente entregue a privados, quase todos estrangeiros, tudo o que é de interesse estratégico para o dia-a-dia dos portugueses.

A situação torna-se ainda mais grave com a progressiva saída para o estrangeiro dos até há poucos anos famosos “centros de decisão”, que acompanha a aquisição das empresas por capitais internacionais.

Seria também interessante perceber o que se está a passar com a prestação de cuidados de saúde pelo Serviço Nacional de Saúde a ser contratualizada com entidades privadas – o que nada teria de errado se não o fosse à custa do sub-financiamento e desarticulação das unidades públicas.

As decisões sobre importantes aspectos da vida dos portugueses, como a água, a energia, os cuidados de saúde, os correios, as ligações aéreas às comunidades lusófonas passam assim a ser tomadas em capitais longínquas, obedecendo a critérios que, conflituando com o interesse público nacional, certamente se lhe sobreporão.

Partilho a concepção  de que o Estado não tem que estar presente em todos os sectores. Mas tem que estar presente, ou ter uma palavra forte (golden share, por exemplo) em nome do interesse publico, naqueles sectores que são fundamentais para a soberania do país e para o interesse comum dos seus cidadãos. E estão nesse caso a água, os cuidados de saúde, a eletricidade, as telecomunicações, as ligações aéreas entre os espaços nacionais e com a diáspora.

Querem agora fazer-nos crer que condições inscritas em “cadernos de encargo” condicionarão as prestações dessas empresas no futuro. Determinada a propriedade dessas empresas que prestam serviços públicos, entregues aos seus órgãos de administração e direção a novos proprietários sedeados no estrangeiro, que meios restarão aos Governos? Tanto mais quando estamos perante políticos e Governos que anseiam por desresponsabilizar o Estado de todas as suas obrigações perante os seus cidadãos?

É certo que a agenda nacional conduzida pelos Governos do centrão tem sido néo-liberal  e privatizadora. Mas também é certo que essa é a agenda imposta pela ideologia dos poderes dominantes na União Europeia – sejam socialistas ou conservadores. E corresponde à visão imposta pelas grandes potências que determinam a política comunitária, nomeadamente a imperial Alemanha, a quem a generalidade dos Governos nacionais dedica um temor reverencial. 

Por isso é imperiosa uma mudança política na Europa – mesmo que ela tenha que ser provocada pelo cisma grego e as ondas de choque que daí  poderão resultar. E que retire o carácter sacrossanto que foi atribuído aos mercados financeiros e que tem vindo a transformar os Governos nacionais em pouco mais que espectadores que ratificam as decisões do centro.

Será que dentro de alguns anos teremos voltar a nacionalizar empresas que prestam serviços públicos estratégicos?

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