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Ravel

Ravel morreu há 77 anos. Compositor que é sobretudo conhecido pelo Boléro, obra a que ironicamente se referia como “a minha obra prima infelizmente vazia de música”, embora não ficasse indiferente às interpretações. É bem conhecido o episódio em que interpelou Toscanini depois de o ouvir reger o Boléro à sua maneira, duas vezes mais rápido e sempre acelerando.

Ravel, que muito cedo se interessou por música, manteve com o Conservatório uma relação particular, entrando e saindo até completar o estudo de composição com Gabriel Fauré. Completou também o curso de piano, mas não foi concertista que se notabilizasse, ao contrário do seu contemporâneo Rachmaninoff. Dizia que o piano era um instrumento pesado para ele, uma frágil figura, muito afectado por várias doenças ao longo da sua vida. A sua obra para piano, a solo, de camera ou concerto é das mais importantes na história da música, em particular da música francesa. Começou por ter uma forte influência de Debussy, mas rapidamente as diferenças entre as suas obras tornaram-se muito significativas. Raízes de música popular da sua terra de origem , o País Basco francês, o orientalismo que conheceu na Exposição Universal de 1889 e que depois explorou, mesmo o jazz, são decisivas na obra de Ravel. Durante os seus quarenta anos de actividade, distingue-se pela subtileza e por um agudo sentido criativo.

As suas relações com os interpretes eram de grande exigência. Além do episódio com Toscanini, também ficou conhecida a sua fúria ao ouvir as ornamentações do pianista austriaco Paul Wittgenstein, a quem tinha sido amputado o braço direito e que lhe tinha encomendado uma obra para a mão esquerda, de que resultou essa obra prima que é o Concerto para a Mão Esquerda. No pólo oposto muito apreciava o modo como Pedro de Freitas Branco sabia ler as suas obras. Considerava mesmo que La Valse, não conheceria melhor maestro.

Ravel escreveu várias obras primas como o quarteto Xerazade, a fantasia lírica, que é uma ópera L‘Enfant e les Sortileges sobre um poema de Colette, poetisa que não apreciava especialmente, a ópera Dafnès e Chloé, os dois Concertos para Piano, as inúmeras peças para piano, algumas quase em formato miniatura, mas que são notáveis como Gaspard la Nuit,, Le Tombeau de Couperin, Minueto sobre um tema de Haydn. Obras orquestrais com Rapsódia Espanhola, Ma Mére l’Oye, Pavana para uma Infanta Defunta As Valsas Nobres e Sentimentais, só para citar algumas obras.

Sobre Ravel, com esse título, Jean Echenoz escreveu um interessantíssimo romance, reportando-se aos seus dez últimos anos de vida. Não um romance em que se descreve esse período de vida de Ravel, mas um romance em que a vida do compositor se enche de vida, de inquietudes, de fantasias, tudo com uma grande humanidade e ternura.

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