Geral

Os ventos bonançosos habitam Setúbal

Zefiro_01

As inúmeras rotundas que pontuam as estradas dos itinertários principais ou circulares e os principais eixos viários das cidades e vilas de Portugal, são muitas vezes objecto de intervenções artistícas. Como é natural, e quase obrigatoriamente acontece, umas são mais bem sucedidas que outras.

A rotunda da Avenida Álvaro Cunhal, na zona do Montebelo, tem caracteristícas que tornam qualquer intervenção escultórica um desafio de grande complexidade. A poluição visual que a envolve, além de ser intensa é particularmente dissonante. Um desafio que nem todos os escultores, sublinhe-se que independentemente da sua valia, conseguiriam, com êxito, resolver.

A escolha de Sérgio Vicente foi particularmente acertada. A sua obra pública, de que é exemplo em Setúbal a realizada no Fórum Luísa Todi, tanto no exterior como no interior,demonstra a sua aptidão para desconstruir e descodificar os sinais circundantes positivos e negativos para os integrar por contraposições ou analogias.

Esta escultura, a que chamou O Zéfiro,é um exemplo especialmente feliz.

Sobre um plano horizontal, raso, sem sobressaltos, de relva cortada curto, erguem-se várias vigas de ferro cujas curvas em diálogo criam um delicadíssimo desenho, visto de que ângulo for, em movimento ou estando estacionado. Recorta-se fluidamente, o que contraria a bruteza do material conformando-o a movimentos de leveza quase balética que se impõem ao referido ruído visual.

Não escapa a ninguém a ideia que o escultor quer transmitir: o registo do movimento invisível do vento, o que consegue com a mão inteligente de que está possuído.

Sérgio Vicente materializou uma escultura que confere identidade a um contexto descaracterizado, inscrevendo-o nos itinerários artísticos e culturais da cidade de Setúbal, mais uma vez por intervenção da Fundação Buehler-Brockhaus, que muito tem feito pela cultura nesta cidade que escolheram para casa.

Uma nota final. A cidade de Setúbal, com O Zéfiro,pode orgulhar-se de possuir duas das esculturas mais mais significativas da arte pública contemporânea.de Portugal.A outra é o Monumento às Nacionalizações dos escultores António Trindade e Virgílio Domingues e do arquitecto Rodrigo Ollero que, criminosa e estupidamente a gestão Mata Cáceres quis ocultar cercando-a de palmeiras de grande porte.Devia estar movido pela raiva reaccionária às nacionalizações e do ódio paranazi à arte moderna. Infelizmente e por inércia, essa escultura continua visualmente maltratada, acrescentando-se às palmeiras,grandes paineis de publicidade política ou comercial. É tempo de fazer justiça a tão significativa escultura, tanto do ponto de vista estético como simbólico.

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