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Vil desemprego

Aquele largo era o lugar de todos os encontros e de todas as brincadeiras… das desgraças também.

Todos os dias ele ali estava. Sentado naquele banco de jardim, mesmo no centro da praça, quase pasmado, bebendo um vinho leve e barato, em pequenos tragos, tentando matar a mágoa inexplicável que sentia por dentro, como acontece aos inocentes quando são presentes à presença do juiz. Sempre que o observava, ele chorava, sofria, como quem aguarda pela morte que tudo apaga, calando definitivamente esperanças e ansiedades durante anos adiadas.

António já não sentia forças para deixar de beber… e, bebendo, eu ouvia-o dizer as mais baixas vulgaridades. Às vezes ria dos insultos que lhe dirigiam e, em vez de responder, baixava a cabeça, num quase recolhimento religioso, apesar de indignado.

A vida tinha mudado… e muito. Já não tinha que fazer, ia para dois anos, apesar de ser um “velho”… ainda novo.

Matilde, sem dizer nada, tinha partido e ele nem sabia para onde.

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One thought on “Vil desemprego

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