Geral, Política

Deslouvor da Democracia

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Depois dos vivas à vitória nas eleições europeias, olharam para a mão que estava cheia de muito, mesmo muito pouco. As trombetas da guerra soaram. O sangue começou a escorrer no Largo do Rato. Facadas nas costas são mais que muitas. Chamam jogo democrático a esse espectáculo que agora está em cena no palco do PS, sempre em ensaios no PSD e CDS. O guião é o mesmo, com os pormenores da época. Na teatrada em curso, Seguro pode ter apoios destes e mais daqueles. Não se sabe ao certo de quantas federações e de quantos barões. Pode pensar que os apoios superam os de António Costa. Seguro não devia estar tão seguro. O perigo ronda-o. As ratazanas saltam do barco. A mais videirinha de todas, a que sempre esteve, está e estará agachada na sombra dos vencedores passados, presentes ou futuros, agitando a sua consciência e a sua apurada análise das condições políticas, ambas zero ou menos que zero, ao contrário do seu faro que regista o mais ténue sinal que pode pôr em perigo a sua conversa fiada e os tostões (não poucos, não poucos) que arrecada pela sua dedicação canina, de cão que não conhece dono que não seja o vencedor, o que lhe garante uma confortável casota, foi o primeiro a saltar para o primeiro microfone que viu, para fazer o número do dever de consciência, coisa que nunca teve.

Seguro põe-te a pau, essa ratazana, até hoje, nunca se enganou, e já lá vão uma meia dúzia de secretários gerais. Como não se enganará quando saltar do barco de quem agora vai apoiar. Um tenaz sobrevivente do esgoto politiqueiro que tanto anima jornalistas, “analistas” e políticos que da política quase só sabem contar votos e espingardas, perdidos os horizontes político-ideológicos. A política, para essa gente, é uma variante do jogo de futebol. Como no futebol, os associados votam a reboque de quem manda ou comprou o clube, julgando que estão a participar e a contribuir para a vida do clube, quando só em ínfima parte o fazem. As grandes decisões fazem-se à sua revelia. Também, para esses dirigentes políticos o interesse nos militantes cessa depois de eleitos porque os seus partidos deixaram de ser instrumentos dos interesses dos militantes e dos seus eleitores. Um cenário cada vez mais próximo do sistema norte-americano bem ilustrado na recente votação depois do escândalo da espionagem telefónica. Os que, republicanos ou democratas, votaram pela continuação do programa de espionagem receberam em média, nas campanhas de financiamento, o dobro dos que votaram a favor de controlar esse programa. Por cá devia-se conhecer, se fosse possível, a que grupos económicos ou suas extensões estão ligados, directa ou indirectamente, os analistas e jornalistas e só depois ler o que escrevem ou dizem, com a comovente excepção do Ricardo Costa. Procurar saber quem, do grande capital, na mais solene obscuridade, apoia este ou aquele. Haverá excepções, porque há sempre excepções, mas essas não iludem o panorama geral.Assim poder-se-ia joeirar os textos, tendo mais certeza de avaliar para que lado pende, pendem as balanças. Para já o entretém é ver o êxodo das ratazanas. Algumas, como a referida, dão boas indicações. Para o futuro de Portugal infelizmente, um ou o outro não sendo a mesma coisa, é relativamente indiferente.

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