Setúbal

Os estrategos

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Os dirigentes locais de Setúbal do PSD nunca param de surpreender. Depois de, em 2011, o então líder concelhio ter apelidado de “fontanários” um importante conjunto de obras e iniciativas que a autarquia tinha em curso, aparece o agora líder concelhio deste partido, Nuno Carvalho, em artigo publicado no jornal “O Setubalense”, a atacar a autarquia por apenas investir em “betão” e, deduz-se, esquecer a estratégia de promoção turística da cidade.

É assim… Quando não se tem mais nada para dizer, insinua-se que não há estratégia, desvia-se a atenção do essencial, desvaloriza-se o que está feito…

O líder concelhio de então, Paulo Calado, já o tinha feito em 2012, quando, para qualificar o trabalho autárquico da CDU, chamou “fontanários” às obras municipais em curso e previstas, entre as quais se encontravam a Casa da Cultura, o Fórum Municipal Luísa Todi ou o Passeio Ribeirinho da Praia da Saúde. Chamar-lhes fontanários foi, porém, quase um ato de contrição, pois um ano antes, o dirigente social-democrata garantia, em declarações à imprensa local, que tais iniciativas seriam apenas um “conjunto de placas em edifícios públicos a anunciar obras que não se farão no ano de 2011 e que muito dificilmente serão feitas nos anos seguintes”.

Afinal, fizeram-se…

O tal “betão” que, ontem, asseguravam os dirigentes locais do PSD, dificilmente seria concretizado, é o mesmo que lamentam hoje ter sido feito. Nota-se que aqui há estratégia. E da mais elaborada.

Os estrategas locais do PSD dizem-nos agora que é preciso mais turistas em Setúbal e que, se não os há, é porque a autarquia não convida ninguém a visitar a cidade, o que faz com que, no Litoral Alentejano os restaurantes até possam cobrar três vezes mais por um peixe assado, porque aquilo está cheio de turistas. Não se percebe se o articulista acha que anda a pagar pouco em Setúbal ou se prefere ir pagar três vezes mais noutro lado… Seja como for, é importante que os restaurantes locais tomem isto em consideração, pois assim até pode ser que consigam, finalmente, recuperar as perdas que têm registado graças ao brutal aumento do IVA da restauração imposto pelo PSD, aumento que a maioria dos empresários da restauração decidiu absorver para não perder mais clientes. Mesmo que não aumentem os preços, os restaurantes setubalenses podem sempre cobrar mais aos líderes locais do PSD, pois estes até já manifestaram a sua generosa disponibilidade para pagar três vezes mais.

Toda esta conversa surgiu dois dias antes de um fim de semana repleto de iniciativas, como o “Setúbal à Prova”, o “Há Festa No Parque”, o “Sunset Wine Party ”, sempre com o suporte de um centro de divulgação turística de excelência a funcionar na Casa da Baía, espaço onde, pela primeira vez, a autarquia abriu uma loja de vinhos e produtos regionais a preços de produtor e onde os operadores turísticos têm espaço para vender e divulgar os seus produtos, além de aqui se realizarem, em especial no Verão, variadíssimas iniciativas culturais.

Nem é preciso citar muitos exemplos, pois quem vive nesta cidade sabe que nunca como hoje houve tanta gente a visitar-nos, a vir aos nossos restaurantes, a fazer passeios no rio, a ver golfinhos, a conhecer a cidade.

Claro, dirão os estrategas, a responsabilidade disso não é da autarquia…

Mas como sustentar tal ideia, se foi a autarquia quem avançou com uma candidatura conjunta com a AHRESP para modernizar dezenas de espaços de restauração na avenida Luísa Todi e na Fonte Nova?

Se é a autarquia que, com os operadores turísticos e a hotelaria constrói oferta turística que permite a criação de pacotes turísticos, com hotel e experiência associada, seja ver golfinhos ou aves, seja apenas ir conhecer a Arrábida?

Não terá sido a autarquia que investiu num centro de promoção turística como a Casa da Baía? E que assumiu a gestão do Moinho de Maré da Mourisca, transformado em ponto privilegiado de observação de aves e de visita ao estuário do Sado, um segmento turístico integrado no turismo de natureza e com enormes potencialidades na região.

E não é a autarquia que hoje, como nunca, promove a gastronomia local, com semanas temáticas, festivais e outras iniciativas, como o “Setúbal à Prova”? E o investimento na requalificação da zona ribeirinha, não é factor de atração de turistas e outros visitantes? A Festa de fim de ano, promovida, desde há três ou quatro anos, em conjunto com a Amorim Turismo e a Sonae, e que se afirma como uma das grandes festas de fim de ano da pensínsula de Setúbal, não será também uma forma de convidar turistas a visitar-nos, de criar oportunidades de negócio para a nossa restauração e hotelaria?

E não foi a autarquia que devolveu à cidade a sua maior sala de espetáculos totalmente requalificada e integrada nos circuitos nacionais, com espetáculos capazes de atrair mais e novos visitantes?

Já que falamos de turismo e da promoção de Setúbal, não se pode esquecer o portal internet criado pela autarquia, no qual se apresenta vasta informação sobre as potencialidades e equipamentos turísticos locais, portal que, seguramente, o dirigente do PSD não teve ainda oportunidade de visitar. Pode fazê-lo, AQUI.

Embora o articulista não tenha dado exemplos do “betão” a que se referia, pode-se supor que estaria a falar, entre outras obras, da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, investimento que apenas se concretizou porque a autarquia decidiu adquirir ao Estado, por 2,3 milhões de euros, o edifício do Quartel do Onze, para logo de seguida o entregar de novo ao Estado para que ali fosse constituído um centro de formação fundamental para a qualificação da nossa oferta turística.

Setúbal, que tem hoje uma visibilidade mediática como nunca teve, que é alvo de reportagens em televisões estrangeiras, em revistas de viagens ( e nesta também), em revistas de programação cultural; que foi escolhida para ser palco de uma telenovela que estará um ano no ar, na SIC, com a possibilidade de ser vendida para outros mercados, não tem, nas palavras dos dirigentes locais do PSD, estratégia turística.

Claro que, uma vez mais, confundem desejos com realidades, além de misturarem uma profunda ignorância do que se passa na cidade com alguma má-fé política que, como se sabe, é fatal…

 

CORREÇÃO – Por lapso, no primeiro parágrafo deste texto, Nuno Carvalho surgia como líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, cargo que já não desempenha, sendo agora presidente da concelhia deste partido. Ao visado, apresento as minhas  desculpa pelo lapso. (corrigido no dia 27 de maio às 11h13)

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One thought on “Os estrategos

  1. Reblogged this on O Retiro do Sossego and commented:
    A esses senhores já lhe conhecemos as manhas. Enquanto oposição, prometem mundos e fundos, e, tudo o que é feito, está mal ou poderia ser melhor. Mas quando chegam ao poleiro… é o que se sabe. Basta recordar tudo aquilo que foi dito pelo chefe, quando da campanha das legislativas, e ver o que fez depois de eleito.

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