Política

Por que Durão Barroso deve ser candidato?

39729_gaDe entre todos os candidatos a candidatos a Presidente da República, há um, à Direita, que tem a obrigação de se apresentar como tal. Chama-se Durão Barroso e é um dos mais lídimos representantes dos poderes que tem governado Portugal e a UE nas últimas décadas. Está na hora de os portugueses o avaliarem.

Prestes a regressar, após dez anos à frente da Comissão Europeia, adivinha-se-lhe que pretende um lugar à altura. Daí as suas recentes aparições no terreno. Percebe-se-lhe a necessidade de se “limpar” para ficar bem no retrato que prepara para os próximos capítulos e que deixará para a posteridade.

Por isso não hesita em recorrer à “artilharia” de que dispõe no cargo que ainda ocupa para fazer essa operação de limpeza perante o público nacional. Uma grande operação político-mediática que contou com a participação activa do Presidente Cavaco Silva e do Governo – não fossem todos eles da mesma família. E a que em sequer faltou uma grande entrevista ao semanário “Expresso”.

E porque deve ser ele o candidato da Direita? E será que se estaria a lembrar de si próprio quando propõe que o PS apoie esse mesmo candidato?

Em 2004 era D. Barroso primeiro-ministro quando os portugueses se começavam a adaptar ao homem que lhes anunciara que o país estava de “tanga”. E que lhes prometera que não haveria aeroporto da Ota enquanto houvesse uma criança numa lista de espera de um hospital. O mesmo homem que meteu Portugal na fotografia que marcou a decisão de atacar o Iraque por causa de umas armas de destruição maciça que nunca foram descobertas; com os tristes e dramáticos resultados conhecidos.

E o país lá se ia habituando ao homem.

Eis quando, em boa hora (para ele e quiçá para o país), trocou o lugar para que foi eleito pela maioria dos portugueses eleitores por um posto de “alto funcionário” nomeado pelas grandes potências europeias. Assim ficando bem patente a importância que o país lhe merecia. Convém recordar que outros primeiros-ministros em exercício recusaram o lugar, mas D. Barroso fazia saber que o país ficaria bem servido consigo a dirigir a Comissão Europeia. E muitos até acreditaram.

Com a anuência do então Presidente da República J. Sampaio, o lugar foi passado a um personagem não eleito para o cargo – Santana Lopes. Felizmente que Sampaio rapidamente se arrependeu do erro e convocou eleições.

Ocupado o lugar no olimpo europeu, D. Barroso dirigiu uma Comissão que perdeu em quase tudo o que havia para perder. A iniciativa da Comissão foi sempre obnubilada pelas iniciativas de outros protagonistas do firmamento da UE. O protagonista mais recente foi o BCE dirigido por M. Draghi com os seus programas de compra de dívida que inverteram o caminho de estouro do euro. Longe iam os tempos do prestigiado J. Delors.

Chegada a crise das dívidas soberanas e os “resgates” da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, a Comissão de D. Barroso foi sempre mais papista que os papas do FMI e do BCE. De entre os parceiros da troika foi a Comissão Europeia quem sempre primou por exigir mais austeridade em cima da austeridade. Cortes em cima de mais cortes. Que então foi esse português mais que um porta-voz da chanceler Merkel? Qual o seu contributo para proteger os portugueses da hecatombe que sobre eles se tem abatido?

Veio agora o “florentino” – como alguns dos seus admiradores lhe chamam – recordar que chamou três vezes V. Constâncio, então Governador do Banco de Portugal, para lhe perguntar sobre o que se passava no BPN. Se o regulador pecou por ausência, que fez ele, o “florentino”, então chefe do governo e líder da maioria, para investigar as suspeitas que já então se manifestavam?

Está pois na hora de os portugueses lhe fazerem algumas perguntas que ficaram por fazer. Por isso nada melhor que ser ele o candidato da Direita. Ou será que o “florentino” irá adiar o momento de glória a que julga ter direito por medo desse julgamento? Para já anda a apalpar o terreno.

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4 thoughts on “Por que Durão Barroso deve ser candidato?

    • Carlos Anjos diz:

      Também no capítulo bancarrota estão por esclarecer as responsabilidades de D. Barroso, enquanto Presidente da Comissão Europeia. Não foi daí que vieram as indicações para maciços investimentos públicos na sequência da crise económica de 2008?

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      • Quais «indicações para maciços investimentos públicos» vindos da CE? Agradecia uma confirmação, uma referência a uma fonte. De qualquer modo, desde quando é que todas as «indicações» são obrigatórias? E é inevitável fazer-se investimentos públicos e, em consequência, ir à falência? Duvido… A não ser, claro, que se trate, por exemplo(s), de auto-estradas sem automóveis, e de um banco privado que é nacionalizado à custa de milhares de milhões de euros… dos contribuintes.

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      • Carlos Anjos diz:

        O- aumento da despesa pública foi a estratégia acordada ao nível da UE para evitar uma depressão económica em 2009, como resulta das conclusões do Conselho Europeu de Dezembro de 2008. Foi pomposamente designada por plano de relançamento da economia europeia.Em Novembro de 2008 a comissão europeia anunciara um plano de 200 mil milhões de euros, o equivalente a 1,5% do PIB da UE. Com a fatia maior a ser paga pelos cofres nacionais.
         
        É óbvio que as responsabilidades de execução couberam a Sócrates.  Mas também é indesmentível que os factos tem a marca da UE e de Barroso. Ele próprio já assumiu que houve essa orientação, embora pretenda, habilidosamente, desmarcar-se no que se refere à sua aplicação em Portugal.

        Há uma pequena-grande diferença entre Sócrates e Barroso. Um já foi julgado pelo eleitorado e o outro não! Sócrates divide com Cavaco o Olimpo daqueles que os portugueses mais responsabilizam pelo estado de coisas a que chegamos. D. Barroso ainda acha que não faz parte desse palco.

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