Cultura, Geral, Revolução

João Abel Manta, Cronista de Abril

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Cartoonista de Abril

Exposição de Cartoons

12 de Abril a 10 de Maio

Setúbal/Galeria Municipal do 11

Terças a Sextas das 11h00 às 13h00

e das 14h00 às 18h00

Sábados das 14h00 às 18h00

Encerra aomingos, segundas e feriados

 

40 anos depois da Revolução de Abril, rever os  “cartoons” de João Abel Manta, é reviver alguns dos momentos fortes que balizaram a história daquele tempo que se viveu em aceleração apaixonada, entre o 25 de abril e o 25 de novembro,.

Naquele tempo radiografavam à velocidade do pensamento o que estava a acontecer, hoje são parte imprescindível da história da Revolução. Não perderem a ironia, feroz e subtil, com que João Abel Manta dissecava os sucessos desses dias, traçando um mapa que nos continua a orientar pelas estradas vertiginosas do que ficou conhecido por Processo Revolucionário em Curso-PREC.

Eram comentários urgentes e acutilantes, feitos em cima do acontecimento e o que era e continua a ser espantoso, é nunca perderem o norte e acertarem sempre no alvo com uma precisão tão rigorosa que só é comparável à certeza cinematográfica dos golpes de kung-fu.

Em João Abel Manta, a inteligência cortante, ancorada numa vasta e sempre actualizada cultura, distingue os seus “cartoons”, Desde os primeiros, publicados na revista de Arquitectura aos que se seguiram no Almanaque ou no suplemento literário do Diário de Lisboa ou nas ilustrações do “Dinossauro Excelentíssimo”,personagem que criou em parceria com José Cardoso Pires em que se retratava Salazar-o-Botas, parceria que continuou no “Burro em pé”, uma peregrinação pelas comarcas de Portugal em demanda dessa personagem difusa mas muito popular por essas paragens.

Arquitecto de profissão (um dos melhores conjuntos arquitectónicos de Lisboa, os blocos na avenida Infante Santo, são projecto que realizou com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra) pintor e desenhador por vocação, cartonista por gozo pessoal e para nosso gozo, o traço, mesmo quando é grosso, é de um rigor deslumbrante e filia João Abel Manta entre os Bordalos, os Steinbergs, os Daumier ou os François, colocando-o como um dos melhores “cartoonistas” de todos os tempos

É evidente que não é indiferente ao risco dos “cartoons” o saber adquirido enquanto desenhador e pintor onde evidencia um conhecimento, um talento e uma originalidade que o destacam, mesmo quando deliberadamente procura um academismo palpável, para se demarcar de uma pintura que só existe como arte pelo que se diz sobre ela.

A história contemporânea de arte portuguesa, ensarilhada nas contradanças dos marketings mais diversos, não tem dado a devida atenção a este artista que ocupa um lugar destacado na pintura, no desenho, na ilustração, no cartoon, nas maquetas de cenários, na tapeçaria e na arquitectura. Raramente alguém verteu o seu talento invulgar por tão diversas áreas, realizando obras como, por exemplo, os cenários para Shakespeare, a tapeçaria que foi premiada e figura no salão nobre da Gulbenkian, as ilustrações da “Arte de Furtar” e “Quando os Lobos Uivam” ou as séries temáticas em que uma deslumbrante “Situação Shaskespeariana”, coexiste com outras notáveis “A Mulher e o Pássaro”, “Situação Teatral-Gaslight” “Santo Ofício” ou o desenho distinguido na II Exposição Gulbenkian ou o já referido bloco de habitações na avenida Infante Santo.

No ano passado, no âmbito de uma exposição dedicada a “Três Gerações Manta” em Cascais, mostrou as suas últimas pinturas, demonstrando, se ainda o fosse necessário, que é um dos melhores pintores contemporâneos, sendo de assinalar a enorme vitalidade, a extraordinária cultura deste octagenário príncipe da renascença que habita Portugal nos séculos XX e XXI e o ilumina com a arte e a inventiva do seu engenho.

Em Abril de 2014, há que lembrar que a história de Portugal entre Junho de 1969 e Novembro de 1975 pode sofrer um terramoto, pode ser objecto das melhores ou das piores reescritas, mas existindo os “cartoons” de João Abel Manta, a nossa memória e a memória do país está garantida pelo registo e o selo branco de um dos nossos maiores artistas.

Olhar hoje para os “cartoons” de João Abel é reviver um tempo que alguns de nós vivemos exaltantemente, mas é igualmente descobrir como o seu fazedor coloca o “cartoonismo” entre as artes maiores.

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