Geral, Política

O que há de novo?

divida_publica1A austeridade (…) agravou a recessão, aumentou a dívida pública e impôs sofrimento social à medida que as pensões e salários foram sendo reduzidos”, in manifesto internacionalReestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade” (*)

O manifesto dos setenta (ler aqui) veio mostrar que é possível um consenso. Não sobre tudo, mas pelo menos sobre uma questão fundamental – como enfrentar a dramática dívida pública que atingia no final do ano passado 129% do PIB e que torna negro o futuro do país.

O Presidente Cavaco Silva e a maioria PSD-CDS vêm desde há tempos a fazer o “discurso do consenso”. Apesar de ser um importante sound bite na tática política de Cavaco e P. Coelho, ninguém sabe verdadeiramente o que é que eles pretendem. Mas suspeita-se que não seja nada de bom e que apenas se traduza em mais cortes.

Mas há um facto novo no debate público. E que, curiosamente, não vem dos habituais defensores do “consenso”– trata-se de um manifesto subscrito por personalidades de várias áreas políticas que, de algum modo, representa uma base de consenso.

Perante as pesadas obrigações que resultam dos efeitos conjugados dos juros usurários com a canga dos critérios do tratado orçamental europeu (dívida publica até 60% do PIB e deficit estrutural de 0,5%) só nos resta empobrecer! Esta tem sido a tese da troika, secundada diligentemente pelo Presidente Cavaco Silva e pelo Governo de P. Coelho. Serão vinte anos, pelo menos. Dizem-nos eles que não há outro caminho. Que tem que ser! E que assim cumpriremos as nossas obrigações perante credores e parceiros europeus.

Mesmo que se perceba que o que restará aos portugueses será um país indigente, com baixos salários e dedicado à emigração. A proposta deles é pois a da desesperança completa.

Há mais que uma solução ou estamos condenados a uma via única?

Até há pouco tempo e com excepção da Esquerda (o PS hesitava), poucos eram os que tinham a coragem de exteriorizar a necessidade de renegociar maturidades e taxas de juro dos empréstimos. A “reestruturação da dívida”. Claro que esta não é música que agrade a alemães. Nem por cá a Ulrichs, Espíritos Santos Salgados ou Soares dos Santos e companhia. Ou ao establishment político-financeiro que domina o país.

Mas eis que a via única o deixou de ser. E a “pedrada no charco” só poderia vir da própria Direita! Sim, porque enquanto fossem “os do costume”, o pequeno mundo lusitano continuaria a girar como até então. Por isso o Manifesto dos 70 – “Preparar a Reestruturação da Dívida Para Crescer Sustentadamente”, assinado por personalidades de todas as áreas políticas, parece ser o verdadeiro consenso que se andava à procura.

E o consenso é: 1) Abaixamento da taxa média de juro; 2) Alongamento dos prazos da dívida e 3) Reestruturar, pelo menos, a dívida acima de 60% do PIB.

(*) In manifesto citado pelo jornal PÚBLICO, subscrito por académicos de várias correntes de pensamento económico e de muitas nacionalidades: dos EUA, Canadá, México, Brasil, Argentina, África do Sul, Austrália, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Grécia, Estónia, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Áustria, Polónia e Suíça.

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One thought on “O que há de novo?

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