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Lixo não é negócio

2_baterias_e_acumuladoresNa nossa Região, o Poder Local Democrático, nascido em Abril, operou profundas transformações que melhoraram significativamente a qualidade de vida das populações e qualificaram ambientalmente os territórios, em muitos casos, resolvendo passivos de muitos anos.

Assim foi na construção das redes de abastecimento de água, de saneamento de águas residuais ou na criação de serviços de recolha e tratamento dos resíduos sólidos urbanos, sendo possível afirmar que a Península de Setúbal se encontra ao nível das regiões mais avançadas da Europa nestas áreas.

Na gestão de resíduos sólidos urbanos, somos possuidores de um dos sistemas mais modernos de recolha, tratamento e valorização de resíduos, com claras vantagens ambientais e económicas para a Região.

É este sistema, gerido pela AMARSUL, empresa constituída pela EGF – Empresa Geral de Fomento e pelos 9 Municípios da Península de Setúbal, que está posto em causa, através da decisão de privatização da EGF.

Os Municípios aderiram a este sistema com base em determinados pressupostos que o Governo vem agora pôr em causa, designadamente, o carácter exclusivamente público dos capitais da sociedade e a natureza pública dos bens que gere.

O ainda Governo deste País continua a sua missão histórica de vender o País numa espectacular liquidação total, a que chama de ajustamento.

Como bons vendedores de banha da cobra, dizem que não há nada que não se resolva com a venda de uma qualquer empresa pública, falam com os portugueses como se ainda não tivéssemos reparado que a cada privatização o País fica mais pobre e mais dependente, com uma economia mais frágil e sujeita às consequências das decisões de terceiros, com os sectores estratégicos da economia nacional totalmente ao serviço de interesses particulares, com serviços públicos destruídos, mais caros e mais distantes das pessoas que deveriam servir, e os trabalhadores com menos salários e menos direitos.

Esta foi a receita que conduziu o País ao desastre, esta é a receita que o Governo PSD/CDS continua a aplicar afirmando esperar, agora sim, resultados distintos.

Se a EGF for privatizada e, com ela, as 11 empresas concessionárias, onde se inclui a AMARSUL, alguém ganhará alguma coisa, mas nós teremos posta em causa a qualidade do serviço, a sustentabilidade da empresa, será certo o aumento dos preços praticados, diminuição do investimento no sector, o afastamento dos municípios da gestão deste serviço público e estarão em perigo o emprego e os direitos dos trabalhadores destas empresas.

Por todas estas razões é preciso que a região se mobilize em defesa deste serviço público e que as autarquias locais, as populações e os trabalhadores impeçam este crime económico.

Nota: artigo de opinião originalmente publicado no Jornal O Setubelense, na edição de 12 de Março

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One thought on “Lixo não é negócio

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