Educação, Política

Portugal Surreal

joanmiro1

O desemprego, a fome, a pobreza, a emigração, o abandono escolar por motivos económicos, a diminuição dos apoios sociais e escolares, o subfinanciamento das instituições do ensino superior público, a redução de apoios à investigação, o empobrecimento e condicionamento do associativismo estudantil e juvenil,  a elitização crescente de todos os níveis de ensino, nada disto merece ser discutido, nem tem dignidade suficiente para ser abordado em mil peças jornalísticas ou motivo de debate público e preocupação política.

Estes não são os principais elementos de extrema violência e humilhação exercida sobre alunos e as suas famílias, pelo contrário, nas últimas semanas, ficámos a saber que a principal questão que afecta a juventude e o ensino superior é a praxe.

Questão tão grave que fez o Ministro da Educação descobrir que, apesar do muito que tem feito, ainda existe ensino superior em Portugal.

A praxe é imbecil, mas não menos imbecil é o País que se esconde por detrás dela e uma juventude que não defende o essencial dos seus direitos e interesses e que persegue a cenoura que lhe colocaram à frente, divertindo-se a discutir o traje, a bênção das fitas, os cortejos e a praxe como se essas fossem as questões determinantes para o seu futuro.

De facto, num País assim dominado pelo surrealismo, as obras do Miró são mesmo excedentes irrelevantes passíveis de serem vendidos a preço de amigo.

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