Cultura, Geral

HOGAN,o inventor da paisagem

Hoje, a Aliete matias publicou no FaceBook, esta pintura do Hogan. É bom recordar um dos nossos maiores pintores de quem poderemos dizer como Oscar Wilde escreveu sobre Turner, que antes dele o nevoeiro não existia, também poderemos dizer que antes de Hogan a paisagem não existia.

Image

HOGAN

PINTOR DA CANÇÃO DA TERRA

Nas paisagens de Hogan, o luxo da solidão é o espelho da harmonia do mundo. Mundo que se arquiva de tela em tela na ciência lenta do pintor que invade o interior da terra para auscultar a sua respiração. Para viajar pelas forças telúricas, para se apropriar das suas arquitecturas e tudo nos devolver propondo-nos o encantamento de povoarmos com a nossa imaginação aqueles espaços habitados pelo silêncio do vento.

É imensa a serenidade dessas paisagens reduzidas às suas formas essenciais, mesmo quando acontece o subtilíssimo sobressalto de uma toalha de água ou de um verde ocasional ou mesmo de uma árvore de árvore ou árvore de betão. Omnipresente é o registo da ausência da presença humana esmagada pela ausência do azul do céu ou arredada pela estranheza da sua aparição vinda de outro mundo que não pertence à arquitectura icástica da terra de Hogan.

A sensualidade pagã daquelas paisagens abstractas revela com intensidade rara a realidade das outras paisagens de onde foram extraídas para a tela, não permitindo que, depois de as vermos pintadas, viajemos com um olhar distraído.

A pintura de Hogan é uma pintura substantiva, sem margem para retórica. Pintura que progride demoradamente pelo branco da tela imprimindo emoção lenta e preciosa pelos avatares da terra, pelas suas transformações mais imperceptíveis. É a terra, é sempre a terra desnuda em quietação funda a ensinar que poucas coisas são essenciais à vida e que a conquista dessas coisas essenciais é trabalho de Sísifo que acabará por se libertar da condenação eterna fixando a pedra, uma pedra que só pode ter sido pintada por Hogan, no cume da montanha mobilizando e organizando inúmeras vontades.

Esta pintura, essas pinturas têm a vibração da imperfeição pura do som que o arco arranca das cordas do violoncelo, num longo solo bachiano, para podermos ler o sonho incomensurável que Hogan escreveu em pentagramas de rocha pintando uma infinita e vibrante canção da terra.

Manuel Augusto Araújo

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