A minha homenagem a Mandela é uma gota de água comparada com “o todo” que por aí anda, mas é feita de coração.
Leio os comunicados oficiais desses javardos que se governam à nossa conta e que de repente descobrem Mandela e logo botam discurso em nome do país, com uma “faladura” que se pode aplicar a qualquer personagem importante que morra, independentemente dos seus méritos.
Mas o que esses gajos não sabem nem sonham é que Mandela entrou definitivamente na categoria dos imortais. Mandela já não conta como ser mortal, entrou definitivamente na categoria dos que irão agitar gerações e gerações, pois representa uma ideia, um sonho, um aperfeiçoamento do ser humano.
A par de Gandhi, representa um ideal das ideias humanas, na forma de lidar com os seus inimigos. Curiosamente um ideal herdado do cristianismo, o perdão. Só que este perdão, esta aceitação do “outro”, é forjado na luta, na resistência, na negociação e também por vezes na não-violência.
Não falo de Mandela enquanto “Homem”, não me interessa essa faceta, falo dele enquanto símbolo.
O meu contacto com a luta do povo sul-africano contra o apartheid deu-se por volta dos anos 80, não sei exactamente quando. O despertar do meu conhecimento foi uma canção de Peter Gabriel, denominada Biko, em homenagem a um activista sul-africano, assassinado nas prisões da África do Sul. Curiosamente a mando de um governo que era apoiado pelo actual chefe da nossa banda, na época com o posto de subchefe. O actual subchefe, nessa época andaria provavelmente a traulitar as canções de um conjunto feminino foleiro, muito em voga nesses anos.
Steve Bantu Biko foi um conhecido activista do movimento anti-apartheid na África do Sul, durante a década de 1960. Nasceu em 1946 e foi assassinado em 1977 a mando do governo racista da África do Sul.
Ouçamos então uma versão dessa canção, cantada pelo próprio Peter Gabriel. Junto a letra em português da canção.

Setembro de 1977
Clima agradável no Porto Elizabeth
A rotina era a mesma
Na sala policial 619

Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.

Quando tento dormir à noite
Meus sonhos são vermelhos
Lá fora o mundo é negro e branco
Com apenas uma cor morta.

Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Oh, Biko, Biko, Por que Biko?
Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.

Tu podes assoprar uma chama
Mas não podes fazê-lo com uma fogueira
Uma vez que as fagulhas incendeiam algo
O vento as tornará maiores.
Oh, Biko, Biko, Por que Biko?

Yihla Moja, Yihla Moja – O homem está morto.
E os olhos do mundo agora estão vigilantes.

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