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À espera de quê?

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Que espera a Esquerda para conceber e apresentar uma alternativa credível ao caminho de destruição da coesão social entre os portugueses e rápido desmantelamento do Estado Social? Se hoje já é tarde, amanhã será catastrófico.

Conheço bem as divergências e as fracturas históricas que separam os diversos sectores em que se dividem aqueles que se reconhecem como de Esquerda.

Mas há muito de comum entre todos os que se reconhecem nas divisas da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. E na esperança nascida com o 25 de Abril e de alguma forma concretizada naquilo a que chamamos Estado Social – a paz, o pão, habitação,  saúde e educação. Uma sociedade tendencialmente solidária e humanista. Dotada de um serviço nacional de saúde,  escola pública de qualidade, apoio na doença e na velhice. E com a prestação de serviços básicos sob controlo público.

Pela primeira vez na posse de todos os órgãos do poder político – a Presidência da República, uma maioria no parlamento e o Governo-, a Direita nacional rapidamente retirou das arcas a sua velha  agenda politica. A começar na privatização de importantes serviços publicos, como agora os correios, ou a desregulação das relações laborais e a promoção de uma economia de baixos salários.

O que nos trazem P.Coelho, Portas e a troika senão o velho modelo da Direita – a competitividade através do empobrecimento!

As políticas da Direita coligada, apoiada por um presidente da mesma cor política, só surpreendem os mais incautos. Em boa verdade nem mesmo as mentiras deveriam surpreender!

O que verdadeiramente surpreende é a incapacidade que se manifesta em criar uma alternativa politica, civica e eleitoralmente credível na Esquerda. Lembremo-nos que é neste lado do espectro político que o povo português se tem reconhecido em sucessivos actos eleitorais. No plano da representatividade social é mesmo indiscutível.

Como noutras ocasiões da nossa história, está na hora de congregar um grande movimento de unidade democrática em torno do Portugal social, moderno e humanista.

Sentem-se em torno de uma mesa redonda e estabeleçam uma plaforma mínima de entendimento, ante ou post eleitoral, que possa ser convictamente sufragada pelos portugueses. E que responda às principais questões: euro, dívida pública, desenvolvimento económico.

O que interessa não é subir a escadaria da Assembleia; o que interessa é alterar a sua correlação de forças – como, com toda a justeza, proclamou o lider da CGTP-IN.

De pouco nos servirá se cada um se acantonar nas suas posições.

As lideranças dos partidos e de outras forças sociais tem a obrigação histórica de dar esse passo. Sob pena de a uma coligação de direita se seguir uma outra semelhante. E do sonho… restar um pesadelo.

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One thought on “À espera de quê?

  1. Nem mais querido amigo e camarada. Faz tempo que Ávaro Cunhal falava (escrevia Rumo à vitória)nisso e lhe chamavam faccioso, e assim morria a questao. Há que reavivar essa ideia, senao o desastre acontecerá. A direita nao brinca e nao adianta chamar-lhes nomes. O PS é de direita, e sempre foi, mas sao o nosso único aliado mais credivel (nosso da esquerda) sao gente da classe trabalhadora, sao a pequena burguesia urbana… os intelectuais… e por aí fora.

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