Geral, Política

Bestas piedosas

Sem título

O José Manuel Fernandes é uma “besta piedosa”. Ele que me desculpe, mas não encontro melhor qualificativo…

É o que se pode dizer de alguém que escreve hoje isto no Público: “apresenta-se como uma catástrofe social os cortes a partir de 700 euros na administração pública (cortes que também eu lamento profundamente começarem nesse nível salarial), mas esquece-se que metade dos salários no sector privado é inferior a 650 euros, o que significa que esses trabalhadores não se chocam tanto como as elites com os cortes acima dessa fasquia. Mais: até são capazes de achar que assim se repõe alguma equidade.” Descontando o facto de ter sido o próprio jornal que dirigiu a noticiar que apenas um quinto dos trabalhadores da administração pública (140 mil de 740 mil) escapam aos cortes, o que coloca a dúvida de saber como fez Fernandes as Contas, para esta “besta” apenas é importante o que pensa e sente uma metade dos trabalhadores da administração pública. A outra metade, aquela que ganha mais de 675 euros, é uma “elite” que, aparentemente, não se conforma com a “equidade” que o antigo diretor do “Público” defende.

Achará esta “besta”, sem ofensa, claro, que um técnico superior da administração pública, licenciado, que ganha 1200 euros brutos e leva para casa pouco mais do que 900 — muito menos do que uma mulher a dias no Luxemburgo ou na Alemanha, não desvalorizando as mulheres a dias, até porque, por estes dias deve haver algumas portuguesas e portuguesas licenciadas a fazer esse trabalho naqueles países — pertence a uma “elite”? Saberá do que fala?

Mas podemos nem falar de técnicos superiores qualificados, com formação acima da média, porque na administração pública se incentiva e obriga os funcionários a fazerem formação constante, e sim falar daquele vasto leque de gente que ganha menos de mil euros, o que, para o articulista é um salário “elitista”.

Todos nos admiramos quando vemos os polícias a praticarem aquilo que reprimem nas manifestações, utilizando linguagem obscena e práticas próprias dos piores arruaceiros. Mas o que se pode esperar com discursos destes, de um dos mais destacados defensores deste o Governo?

Esta gente não se apercebeu ainda que anda a semear ventos. O problema é que, no nosso clima, as sementeiras são lentas, mas, mais tarde ou mais cedo, acabam por ter de colher as tempestades.

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