economia, Política

Eles e o meu cansaço

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Há momentos em que sou invadida por um grande cansaço, cansaço que se vai gerando nas ondas dos discursos e vozes que vou ouvindo e que não deixando de os ouvir – por necessidade de me situar pontualmente neste País – acabo muito cansada com eles. Como eles me cansam! Nem imaginam como!

Dei comigo cansada a olhar para o rosto da Ministra das Finanças: vazio, frio, deslavado, seráfico, opaco, impenetrável? Tudo junto ou outra coisa? É que ela cansa-me! Com o seu discurso, semelhante à expressão ou inexpressão do rosto, onde as mentiras vão jorrando! Senão leiam: «Os desequilíbrios mais prementes estão corrigidos e as condições de acesso aos mercados estão melhores, mas ainda é necessário consolidar os progressos e ir mais além no processo de ajustamento» … «Sempre esteve claro (esteve? Eu não dei por isso, mas cansam-me tanto) que o ajustamento teria de prolongar-se além dos três anos definidos no memorando devido aos bloqueios estruturais.» O que é que ela disse ou quis dizer? Porque eu, eu tão cansada que estou!

Diz também pensar que a estratégia actual colocou Portugal no caminho do crescimento sustentado e da criação duradoura de emprego. Como é possível discursar-se assim olhando-nos como patetas? Ou será que é do cansaço que me provoca?

Fala também a seráfica, a vazia ou a cínica num futuro melhor e que não é altura de recuar. Ainda disse mais isto: as propostas de alteração dos partidos ao Orçamento do Estado para 2014 têm de ter “um impacto global neutro no saldo orçamental”. Já sabem que é mesmo grande o meu cansaço, por isso, expliquem-me se o que eu penso é o que pensam desta tirada verbal?

E mais umas das que me cansam da Mariazinha: «garantiu que o Governo está a criar as condições para que a economia portuguesa recupere em 2014.» Contudo, não colocou de parte a hipótese de serem necessárias mais medidas de austeridade (eh, pá, então continuamos na mesma? Na condenação dos que trabalham a apertar o cinto?) para cumprir o défice orçamental definido para 2015: 2,5% do PIB.  

Outro dos cansativos é o ministro do Emprego (ainda lhe pagamos para termos uma ficção como ministro). Senão vejam o que ele considerou muito a sério: «o crescimento da economia portuguesa no terceiro trimestre do ano é “um sinal positivo”, mas reconheceu que ainda “há muitos desafios pela frente.»

«É, sem sombra de dúvida, um sinal positivo, um sinal que dá espessura a um conjunto de outros indicadores que já temos tido, nomeadamente, sobre a matéria do desemprego“, disse Mota Soares à margem do XVII Congresso Nacional do Direito do Trabalho, a decorrer em Lisboa. (claro que foi mesmo à margem do direito ao trabalho).

Até eu que estou muito cansada por eles, percebo que esse ligeiro crescimento se deveu ao ligeiro aumento das exportações do país para a Alemanha e França, as quais estão outra vez em recessão e, portanto, lá se irá o tal de crescimento tão entusiasmante para esta corja de mentirosos.

Não sei por que me cansam tanto! Ou talvez saiba! E fazem-no quase admiravelmente, quase perfeitamente, pois chego quase a dizer-lhes a tudo que sim, desde que me deixem descansar. Perigosos, não? Então ela, a Micas Luís não disse que os partidos da oposição mostravam não compreender nem conhecer os portugueses a propósito do roubo a que estão a ser sujeitos com mais este Orçamento para 14?

Não deixarei de os ouvir, porque quanto mais eles me cansam, mais aumenta a minha vontade de lutar, de prosseguir esta luta contra este cansaço que não me vencerá e hei-de vê-los a todos ir para??? … Onde estão aqueles anjos seráficos (que cansaço me produziam) do Gasparzinho e do Relvinhas? (Pois não tenho de designar assim os tais meninos que certos comentadores e jornalistas persistem chamar a esta quadrilha técnica armada até aos dentes nas minúcias da guerra que nos movem?)

marialuisalbuquerque7

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3 thoughts on “Eles e o meu cansaço

  1. Ana Paula Horta diz:

    Todos eles (do governo) do primeiro ao último, cansam e cansam de tal forma que, cada vez mais me fazem lutar, nem que seja até à morte mas que antes de mim morram eles.

    Gostar

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