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Setúbal, os resultados das autárquicas

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Agora que estão contados os votos, resta-nos observá-los com mais atenção. Aqui fica um contributo.

1. A expressiva e preocupante dimensão da abstenção e dos votos em branco e nulos.Apenas 38,7% dos eleitores setubalenses inscritos votaram. Tinham sido 47,6% nas eleições autárquicas anteriores (2009), tendo assim o número de votantes diminuído de 47.799 para 40.066. O aumento da abstenção afectou todos os partidos, embora de forma assimétrica, como adiante se verá. A taxa de participação no concelho é assim claramente inferior à média nacional, fixada provisoriamente em 51,9%. Também os votos em branco e nulos mais que duplicam face às eleições de 2009 – passam de 1.353 para 3.147, representando 7,9% dos votos entrados nas urnas, o que os tranforma no quarto “partido” do concelho.

2. A vitória clara da CDU e de Maria das Dores Meira na eleição para a Câmara Municipal com a manutenção de uma maioria absoluta (6 eleitos em 11, face a 5 em 9 no anterior mandato). Apesar da diminuição do número de votos, a CDU amplia a sua representatividade, passando de 38,8% (18.558 votos) em 2009, para 41,93% (16.801 votos). Também na Assembleia Municipal a posição da CDU fica reforçada, elegendo 15 elementos (num total de 33) a que poderá adicionar os seus quatro presidentes de Junta de Freguesia que, por inerência de funções, integram aquele órgão.

3. PS em queda, PSD/CDS ainda mais. O candidato João Ribeiro (cabeça de lista do PS) consegue pior que Teresa Almeida em 2009. Diminui a representatividade do Partido Socialista de 29,8% (14.248 votos, em 2009) para 26,4% (10.583 votos). A debacle da coligação PSD/CDS é ainda maior, passando de 20,3% (9.698 votos em 2009, quando os respectivos partidos concorreram em listas distintas) para 12,9%, perdendo quase metade dos eleitores (5.150 em 2013). Apesar das quebras e devido ao aumento de 9 para 11 eleitos na Câmara, PS aumenta de três para quatro vereadores, enquanto a coligação PSD/CDS mantém um vereador.

4. Voto na presidente? A votação conseguida pela CDU para a Câmara Municipal ultrapassa os resultados da coligação, quer para a Assembleia Municipal (+ 725 votos), quer para três das cinco Assembleias de Freguesia. Ressalve-se as freguesias do lado nascente, Sado e Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra, onde a situação se inverte. Como interpretar? Uma apreciação muito positiva do trabalho destas Juntas de Freguesia e um voto PCP/CDU fortemente enraizado nas freguesias do lado nascente, enquanto nas restantes a figura da presidente Maria das Dores Meira acrescenta votos à coligação PCP/Verdes.

5. CDU domina nas freguesias, mas… A CDU elegeu todos os presidentes de junta de freguesia, com exceção da nova União de Freguesias de Azeitão. Embora com situações diversas: de claro domínio nas duas freguesias do lado nascente (sete eleitos em nove possíveis), mas de menor ou difícil controlo: em São Sebastião (10 em 21 eleitos) ou na União de Freguesias de Setúbal (Anunciada, São Julião e Santa Maria), com 7 em 19. O PS perde as duas presidências que detinha no anterior mandato.

6. O fenómeno dos independentes de Azeitão. Da forçada fusão das duas anteriores freguesias de Azeitão (São Lourenço e São Simão) resultou a União de Freguesias de Azeitão. A lista independente Azeitão no Coração – que já era poder em São Lourenço (2009-2013) e cuja cabeça de lista presidira a São Simão pela CDU entre 2005 e 2009 – conquista a nova freguesia com uma votação expressiva (40,9%, 2.797 votos) ficando com seis eleitos em treze possíveis. Número que se inclui nos 2.964 eleitos por listas de grupos de cidadãos independentes em todo o país e que totalizaram 477.258 votos para assembleias de freguesia.

7. Os pequenos partidos. O Bloco de Esquerda (5,7%, 2.267 votos), em quebra, volta a falhar a eleição de um vereador, enquanto o PAN, Partido dos Animais (2,8%, 1.132 votos), ultrapassa o veterano PCTP/MRPP nesta sua primeira aparição pública em eleições autárquicas.

QUADRO GERAL. Estavam inscritos 103.448 eleitores no concelho de Setúbal, dos quais votaram 40.066. A Câmara Municipal passou a eleger onze eleitos (eram nove até ao mandato agora terminado). Na Assembleia Municipal passaram a eleger-se 33 membros, contra 27 anteriormente. Nas assembleias de freguesias elegeram-se 71 representantes distribuídos por cinco freguesias – eram oito até agora.

Resultados completos em http://autarquicas2013.mj.pt/index.html

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4 thoughts on “Setúbal, os resultados das autárquicas

  1. Anita Vilar diz:

    O dito PCTP que só deixa o seu estado de hibernação a cada 4 anos(safa como eles dormem e descansam)tem de se convencer que o truque já não resulta: hoje cada vez menos eleitores se deixam enganar pelo símbolo que usam exactamente para a trapacice e não, nem seuqer, para de facto, fazerem uso de um direito que lhes assiste.
    Abraço

    Anita

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    • Carlos Anjos diz:

      Pese a evolução politica de muitos dirigentes desse partido – Durão Barroso é apenas um dos muitos exemplos – o MRPP não deixa de ser um dos testemunho históricos do radicalismo burguês de fachada socialista que campeou após o 25 de Abril de 1974. E que com a sua capacidade retorica bem cumpriu um papel de sabotagem dos movimentos populares que então brotavam.

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  2. Pingback: Uma leitura dos resultados eleitorais no concelho de Setúbal | A Ovelha Perdida

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