Política

Dúvidas para a noite eleitoral

Realizar-se-ão no próximo domingo 308 eleições, tal o número de municípios, a que teremos que adicionar o sufrágio para um número consideravelmente maior de assembleias de freguesia. Cada uma dessas eleições avaliará a governação local, mas a expressão global dos resultados não deixará de ter interpretações nacionais – A. Guterres demitiu-se em 2001 após umas eleições autárquicas…

Se o que está em jogo, num primeiro plano, é a avaliação do trabalho dos autarcas que terminam os seus mandatos e as propostas para os próximos quatro anos, há uma avaliação global que terá obrigatoriamente que ser feita: o número de câmaras e juntas de freguesia por partido e movimentos independentes, a votação global, as mudanças e as continuidades de maiorias nas capitais de distrito e outros grandes centros urbanos.

Diversas questões afectam muito negativamente as eleições deste ano: o atribulado e anti-democrático processo de agregação de freguesias e a indefinição do quadro legal da limitação de mandatos, que esteve na origem de numerosos episódios judiciais. Acrescente-se ainda as limitações auto-impostas à cobertura noticiosa das campanhas eleitorais por importantes meios de comunicação social.

Há alguns aspectos mais interessantes de observar, porque específicos destas eleições e do momento actual:

A dimensão da taxa de abstenção. Ou mais correctamente a dimensão das taxas de abstenção em cada um dos mais de trezentos municípios. Como se reflectirá nos resultados a profunda crise que o país vive? Iremos assistir a um aumento generalizado da abstenção? Ou essa tendência pode ser contrariada nos concelhos onde se prevê uma forte disputa eleitoral? Ou o voto na oposição conseguirá mobilizar todo o capital de protesto que se espalha pelo país?

Qual o grau de sucesso dos (re)candidatos com três mandatos que se apresentam a sufrágio noutras câmaras municipais. O sucesso ou insucesso desta via poderá abrir caminho para as opções dos partidos em futuras eleições autárquicas. Serão assim particularmente interessantes de seguir os resultados de dez candidatos nestas situações: Ribau Esteves (PSD) em Aveiro; Luís Filipe Meneses (PSD) no Porto; Álvaro Amaro (PSD) em Gouveia; Fernando Costa (PSD) em Loures; Fernando Seara (PSD/CDS) em Lisboa; Vitor Proença (CDU) em Alcácer do Sal; Carlos Pinto de Sá (CDU) em Évora; João Rocha (CDU) em Beja; Francisco Amaral (PSD) em Castro Marim e José Estevens (PSD) em Tavira. E ainda de Moita Flores (PSD) em Oeiras, após renúncia em Santarém. Será ou não relevante para esse sucesso que o candidato seja oriundo da presidência de um concelho do lado? Mas, e se vier de mais longe?

O impacto das candidaturas independentes oriundas de cisões no interior dos partidos. O número destas candidaturas aumentou consideravelmente e poderá ganhar uma expressão mais ampla. É sabido que numerosas candidaturas independentes resultam de militantes partidários que não acataram decisões internas das suas organizações partidárias. Os casos mais mediáticos são, porventura, os do Porto, Sintra e Vila Nova de Gaia; mas há outros mais próximos, caso de Sines (originário do mandato que agora termina).

Fica um apelo. Não deixe de votar!

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