Cultura, Setúbal

Imperdível !

2013-09-18 14.38.53

Foto CMS.

Um antigo templo do dinheiro é agora o santuário de um dos mais importantes conjuntos de pintura portuguesa do século XVI. Não fosse a arte uma forma superior de riqueza! Descodificando, as instalações sadinas do antigo Banco de Portugal acolhem, desde 15 de Setembro, data de nascimento do poeta Bocage, uma nova galeria municipal recheada com alguns dos Tesouros do Museu de Setúbal/Convento de Jesus.

As deslumbrantes pinturas do retábulo quinhentista (*), produzido entre 1519 e 1530, foram dispostas em dois planos (ver foto) numa montagem aproximada ao que seria a sua colocação original em três alturas na capela-mor da Igreja de Jesus de Setúbal. Ocupam o espaço mais nobre e amplo das instalações do antigo Banco, agora galeria municipal, com acesso a partir da avenida Luisa Todi. A sua contemplação é obrigatória nesta visita, quase nos deixando sem folego!

Tesouros do Museu de SetubalPodemos ainda revisitar, em dependências laterais, alguns exemplares das coleções do (encerrado) Museu de Setúbal. Da pintura dos séculos XV a XX à escultura, representadas por autores com referência à cidade do Sado como João Vaz, Francisco Augusto Flamengo, Fernando Santos, Le Mattre de Carvalho, Álvaro Perdigão, Pedro Carlos dos Reis, Carlos Dutra. Passando por diversos exemplares de ourivesaria sacra. Ocasião quase única para rever algumas das obras à guarda do Museu de Setúbal.

Permita-se-me ainda destacar a breve mostra de várias intervenções arqueológicas efectuadas pelos serviços municipais, quer no próprio Convento de Jesus, quer noutros espaços, como frente à antiga Igreja de Nossa Senhora da Anunciada (actuais instalações da CARITAS Setúbal) ou no antigo Recolhimento da Soledade. Uma mostra que muito esclarece sobre aspectos menos conhecidos da história local de Setúbal.

Desde o encerramento do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, nos anos noventa do século passado (aqui se resume a estória), que as pinturas do retábulo quinhentista se encontravam instaladas numa edificação anexa ao antigo balneário Doutor Paula Borba, próxima do convento. O acesso do público não era o melhor, tal como as crescentes dificuldades em assegurar as condições ambientais adequadas à conservação de tão valiosas obras.

É pois uma mudança de localização que se saúda vivamente. Ficando-se a aguardar que o Museu de Setúbal reabra as suas portas ao público aquando da prevista recuperação do Convento de Jesus – uma das mais aguardadas e merecidas obras de que Setúbal carece e para que se divisa uma luz ao fundo do túnel.

Com a abertura da nova Galeria Municipal – no agora em recuperação edifício do antigo Banco, um exemplar da arquitectura financeira de estilo Arte Nova – e as renovações do Mercado do Livramento, do antigo quartel do RI 11 (actual Escola de Hotelaria e Turismo), do Fórum Municipal Luísa Todi e do antigo Recolhimento de Nossa Senhora da Soledade (séc. XVIII, actual Casa da Baía) a principal avenida de Setúbal passa a dispor de um importante conjunto de equipamentos de usufruto público.

Exposição Tesouros do Museu de Setúbal, na Galeria Municipal do antigo Banco de Portugal, à avenida Luísa Todi. Uma visita imperdível!

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* “O antigo Retábulo da Igreja, composto por catorze tábuas (pinturas a óleo sobre madeira de carvalho, de grandes dimensões) da Escola Portuguesa é considerado um dos mais notáveis conjuntos da arte do Renascimento em Portugal. Foi encomendado pela rainha D. Leonor, viúva de D. João II e irmã de D. Manuel, tendo sido executado provavelmente, entre 1519 e 1530, pela oficina de Lisboa de Jorge Afonso onde trabalharam, por exemplo, Gregório Lopes, Cristóvão de Figueiredo e Gaspar Vaz. O Retábulo tem representadas três histórias ou séries, no sentido iconográfico: Cenas da Paixão de Cristo, na parte superior do conjunto, «Verónica», «Crucificação», «Deposição», «Ressurreição»; com o «Calvário» ao centro (tábua de maiores dimensões); por baixo, a série representativa da Infância de Jesus ou das Alegrias da Virgem, «Presépio», «Adoração dos Magos», «Apresentação do Menino no Templo», tendo como painel central a «Assunção» (tábua de dimensões semelhantes das do «Calvário»); por fim, formando como que uma predela, a série dos Santos Franciscanos, «Estigmatização de S. Francisco», «Mártires de Marrocos», «Aparição do Anjo a Santa Clara, Santa Inês e Santa Coleta» e a tríade «S. Boaventura», «Santo António» e «S. Bernardino de Siena».” In Centro Nacional de Cultura

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