Geral, Política, saúde

É urgente denunciar, é preciso que se saiba!

Serviço urgenciasA situação do Serviço de Urgência Geral do Hospital de S. Bernardo (e dos outros dois hospitais da Península) vai de mal a pior com as sucessivas contra-medidas economicistas que visam levar o SNS à total paralisação e incapacidade de dar resposta aos utentes.

Na 2 feira, tive a oportunidade de ouvir esta incrível bujarda de um dos Secretários do Ministro predador- mor do SNS: “Ontem, dia 15 de Setembro comemorou-se a data de criação do SNS que visava dar uma resposta às carências na saúde dos portugueses mais carenciados”! Isto foi dito perante uma assistência de médicos, perplexos e duvidosos de terem ouvido tais palavras de um responsável deste governo que se permite (e nós também se não fizermos tudo ao nosso alcance para o pôr na rua) ser o mais ignorante e incompetente de todos os que têm por aqui passado, mas também o mais cínico, manipulador e corrupto.

Na realidade, a ignorância do Sr. Secretário revelou-se ainda quando associou a criação da Ordem dos Médicos com a do SNS!!! Ou vice-versa! A Ordem surgiu em 1938 e o SNS em 1979. Caramba, não há contas que resistam.

Bom, mas voltando ao assunto inicial: A Península de Setúbal (e o Alentejo Litoral) está sob fogo cerrado do Ministro da Saúde. Desinvestindo totalmente numa política de recursos, nomeadamente, humanos, através dessa medida de recrutamento médico através de empresas privadas e pelo exclusivo menor preço/hora, o Ministério estar a conduzir as unidades hospitalares a uma mediocridade nas respostas nas quais a competência, a ética e a deontologia estão a ser postas em causa seja entre pares profissionais seja na relação médico-doente.

A este deplorável panorama (perigoso também) soma-se a já anunciada saída de elementos estruturantes das equipas das urgências e refiro-me aos médicos da especialidade de Medicina Familiar que há anos ali trabalhavam e que foram despedidos de um momento para o outro com a informação de que se pretendessem continuar a prestar serviços ao Hospital o teriam de fazer através da “Sucesso 24”, uma das empresas privadas creditadas pelo Ministério da Saúde. Estes elementos prestavam serviços há mais de 20 anos!

Assistem-se a factos impensáveis há 2 anos. As empresas creditadas pelo Ministro da Saúde contratam “médicos” pelo telefone sem verem os seus curricula, sem com eles dialogarem e enviam-nos directamente para os Hospitais e estamos a falar de especialidades cirúrgicas o que implicaria um muito maior cuidado nesse recrutamento.

O concelho de Sesimbra foi incluído na área de influência do Hospital de S. Bernardo (são mais ou menos 50.000 utentes) sem que fossem tomadas as necessárias medidas em termos de espaço físico, de logística e dotação de pessoal. As consequências têm-se feito sentir no aumento de trabalho adicional extenuante para equipas que já estavam muito desfalcadas em recursos. O stress laboral elevou-se de forma acentuada facilitando situações de conflitualidade e diminuindo muito a qualidade do trabalho realizado.

As equipes cirúrgicas das 20 às 8 horas das urgências têm estado a funcionar, por vezes, com um só cirurgião, mas na maioria das noites com 1 cirurgião já com a especialidade e um interno da especialidade ao qual não podem ser pedidas iguais responsabilidades.

Neste momento, vários colegas, temerosos e com razão, de serem os alvos fáceis do pedido de responsabilidades nos casos em que “ a coisa” correr mal, têm vindo a informar e a pedir ajuda à Ordem dos Médicos, salvaguardando a sua responsabilidade, mas não a das consequências a nível dos doentes já que não podem humanamente responder a situações críticas e graves entradas simultaneamente no hospital ou estarem a operar e entrar uma situação que requer uma intervenção cirúrgica rápida.

Quem vai morrer? Quem se vai deixar sem cuidados? Os dilemas já começaram a surgir e também já começaram a surgir as mortes evitáveis de que não fala o Governo e, muito menos, o Ministro da Saúde.

Pergunto: o que fazem médicos nos órgãos de gestão hospitalar? Esqueceram-se de que são, em primeiro lugar, médicos? Um dia, se forem chamados à responsabilidade, vão justificar-se com “ Recebemos ordens.”? Onde os princípios que deveriam nortear as suas decisões? A Ordem deverá actuar perante a sua complacência, a sua cumplicidade? Como? Estão a faltar aos seus deveres deontológicos, éticos colocando-se ao serviço de gestores e governantes sem etica na sua governação.

O que vai acontecer ao SNS com o novo corte para 2014 de mais 200 milhões impostos pela troika e aceite por estes simulacros de governantes? (mas que estão a levar o país ao maior desastre económico dos últimos anos)

Contudo, as parcerias público-privadas, autênticos buracos negros de sorver dinheiro ao Estado (a nós, claro) continuam, com prejuízos, com más prestações de cuidados sem que o Governo se propunha terminar definitivamente com elas.

A ADSE continua a financiar as grandes unidades de saúde dos melos, champallimaud’s, espíritos santo e quejandos. Os seguros prometem…, não cumprem na hora da verdade e são muito caros!

A população está a ser empurrada para a privada e corre, corre para ela sem perceber que está a ser cúmplice com as decisões de um governo que pretende terminar ou reduzir ao mínimo as funções sociais do Estado. Se a população portuguesa, dentro da União Europeia, já é uma das que mais paga do seu bolso pelos custos de saúde, (além dos vários impostos em que é tributada) esperem para ver o que vai custar a Saúde quando as troikas tiverem conseguido os seus objectivos.

Quem se lembra (ou a memória está assim tão fraca) do que se passava antes do 25 de Abril? Quando é que as pessoas consciencializam os perigos que estão a correr em relação a direitos humanos fundamentais, entre eles, o da Saúde?

Houve diminuição de consultas de que o Governo PSD/CDS – Pedro e Paulo Unidos na Cruzada – se ufana sem explicar a que se deve tal facto e as consequências para as populações. Ufana-se de algo de só os incompetentes e ignorantes governamentais se podem ufanar.

A que conclusões chegou o Observatório Nacional de Saúde sobre o que se está a passar em Portugal? E que medidas já tomou o Governo? Apenas aquilo a que eu designo por contra-medidas economicistas, pois nem uma só se justifica realmente. Nem serviram os interesse do SNS e dos seus potenciais utentes. E uma das que vai ter piores consequências é a da concentração das urgências em Lisboa num só Hospital (ora Santa Maria ou S. José). Somem a população da Península de Setúbal com a do Litoral Alentejano, fechem os olhos e imaginem os serviços de urgência de S. José ou de Santa Maria! Fechem os olhos e pensem nas pessoas que a ele vão ter de chegar!

É urgente unirmos todos os esforços: Sindicatos, Movimentos de Utentes, Ordem Distrital dos Médicos, Associações de Doentes, Autarquias e não permitirmos que se chegue àquela situação.

Viva o SNS com a sua universalidade, equidade e gratuidade! Lutemos por ele!

Standard

Comente aqui. Os comentários são moderados por opção dos editores do blogue.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s