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Um ecológico crime ambiental em Loures


Votovoltaico_EspMilhares de pinheiros-mansos começaram a ser abatidos no início deste mês, numa área de 5,4 hectares da chamada Mata do Paraíso, junto ao Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), para ali ser construída uma central fotovoltaica do grupo Martifer.

O facto está a provocar grande indignação.

A Câmara Municipal de Loures apressou-se a esclarecer que o projeto do muito sustentável e ecológico empreendedor, que contempla 9280 painéis solares, foi devidamente licenciado e reuniu os pareceres de todas as entidades competentes. O abate das árvores, sublinha o município, é do conhecimento do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

O caso demonstra à evidência que não basta olhar-se para o PDM, que se encontra em revisão há vários anos, e licenciar-se um empreendimento para que ele deixe de ser um crime ambiental.

Estamos perante uma situação de clara incompetência e incúria, tanto da câmara municipal como dos organismos da administração central implicados.

Mas, o caso serve para demonstrar, também, os riscos enormes da política desenfreada que está a enxamear o território nacional com centros de produtores de eletricidade fotovoltaica e eólica, na base do custe o que custar.

Já antes se alertou, por exemplo aqui, para a insustentabilidade de uma política energética que alavancou durante anos, através de subsídios pagos pelos consumidores de eletricidade, a exponencial proliferação de aproveitamentos privados das energias renováveis.

O problema não está nas energias limpas (sol, vento, água, marés, etc.,) e na sua utilização para produzir eletricidade, mas sim na forma neoliberal de sua exploração capitalista intensa com vista a um fim principal: lucros rápidos e chorudos.

Enquanto estivermos entregues, nas câmaras municipais e na administração central, a esta gente que enche a boca com discursos politicamente corretos acerca da sustentabilidade e do ambiente, mas que, no fundo, o que visa é estimular negócios de exploração gananciosa dos recursos naturais e humanos, estaremos muito mal.

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One thought on “Um ecológico crime ambiental em Loures

  1. Maria José Castro diz:

    Há um mês atrás fiquei chocada e incrédula com a devastação brutal impensável de uma área de Barrocal que avisto da minha casa em S. Brás de Alportel (40 a 50 hectares, integrada na rede natura 2000, REN, e classificada como zona de interesse comunitário). É a central fotovoltaica do Apra, e um crime ambiental! Anunciam-se 10 MW de potência e está a ser construída também pela Martifer . A chaga na serra é brutal, pior que uma pedreira, e ainda só agora começaram a instalar os painéis. A vegetação dizimada, que incluía azinheiras, sobreiros e carrascos centenários (protegidos por lei), para não falar de alfarrobeiras e oliveiras, foi rapidamente aniquilada nos primeiros 15 dias de Maio, em plena época de nidificação de dezenas de espécies de aves! Consegui traçar a origem do investimento até um poderoso grupo bancário sediado em França – BNP Pariba. Ao estado português bastou pagar 3 milhões de euros (não houve maior oferta) – foi quanto custou a destruição deste pedaço de barrocal de serra algarvia e paisagem num raio de quilómetros! Pesquisei mais e fiquei aterrada com a invasão que ainda só agora começou – venda a preços de saldo de pedaços do território, para grandes grupos económicos fazerem negócio de produção e venda de electricidade no centro e norte da europa. As políticas europeias e os objectivos já estão traçados para países como a Grécia e Portugal, reféns dos acordos com a Troika – são o novo El dourado para a ganância de poderosos grupos económicos. Está tudo nos memorandos com a Troika, faz parte das “metas”, ou seja, do espólio ganho pelos credores! As legislações europeia e nacionais já foram rapidamente ajustadas para servir esses interesses. É aterrador o que se avizinha! A imposição da permissão para a exploração dos recursos naturais, que prevê a massiva instalação de painéis solares, turbinas eólicas, exploração de minérios, etc., tem sido cuidadosamente abafada e escondida da opinião pública. Está convenientemente escudada pelas notícias da baixa de salários, reformas e despedimentos e pelo desinteresse trágico que os portugueses têm pelo património natural. O que vamos perder vai ser bem mais precioso e irreversível. Na Grécia parece que já há contestação organizada por parte das populações para defenderem os seus recursos e paisagens naturais. Infelizmente em Portugal, como é dito, as autoridades centrais e locais, deixam passar tudo. É uma mistura de corrupção, servilismo e acima de tudo, profunda incultura, falta de visão e falta de civismo. Nos países que nos vão explorar, como a Alemanha, o licenciamento de centrais solares é restringido por preocupações ambientais, incluindo o impacto negativo na paisagem. Em Inglaterra também vi este cuidado, havendo inúmeras rejeições de projectos para parques eólicos e solares, mesmo de pequena escala. Por cá, não há paisagens onde não se possa tocar, e os valores ambientais não têm qualquer peso na comparação com o ganho de instalações de produção da energia dita “verde”. A população em geral, em nada repara, nada exige, no máximo emcolhe os ombros. É preciso divulgar e organizar acções para que estes assuntos furem o bloqueio de informação que existe e aflorem até à discussão pública! Só para começar a desfiar a meada aterradora por favor vejam e divulguem: http://theportugalnews.com/news/loule-residents-outraged-at-rape-of-valley-to-home-massive-solar-farm/28588
    http://www.portugalglobal.pt/PT/PortugalNews/RevistaImprensaNacional/Investimento/Documents/Portugal%20investimento%20solar_Expresso020313.pdf
    http://www.esquerda.net/dossier/austeridade-e-destrui%C3%A7%C3%A3o-da-natureza-o-exemplo-grego/27906

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