Cultura, Geral

Ser humano, ser associativo

Projetos alvaro cunhal 3

A 31 de Maio (*) assinala-se o Dia Nacional das Colectividades. No passado, como no presente, o associativismo é uma dimensão insubstituível do Homem e da vida em comunidade.

Quantos e quantos aprenderam (e aprendem) os primeiros acordes em sociedades musicais e bandas filarmónicas? Quantos puderam (e podem) praticar um desporto no seu clube de bairro? Quantos ali aprenderam (e aprendem) as mais diversas artes? Como seria possível organizar manifestações públicas como festas e marchas populares, desfiles de carnaval, cortejos etnográficos e tantas outras sem o entusiasmo das colectividades?

As colectividades têm  prestado às suas comunidades, ao longo de décadas, um trabalho de valor inestimável. São, frequentemente, porta-vozes e defensores das populações de onde emanam: dos bairros aos grupos de cidadãos com interesses específicos. Um verdadeiro poder do local.

Assentes nessa extraordinária expressão de humanismo que é o voluntariado, as colectividades ajudam hoje a minimizar o impacto de uma sociedade crescentemente monetarizada e vorazamente dedicada ao lucro. Em tempos eram mesmo a única forma de muitos acederem a bens culturais ou desportivos, perante a ausência do Estado e da iniciativa privada ou a mera impossibilidade económica de largos extractos da população. Hoje continuam a proporcionar esse acesso, com novas valências e opções. O lucro, quando o há, é devolvido à colectividade e aos seus associados sob a forma de acesso a serviços.

Estudo recente estima que cerca de 425 mil cidadãos desempenham funções como dirigentes benévolos desse movimento associativo em cerca de trinta mil associações. É muita gente. São uma verdadeira rede social, uma espantosa malha espalhada por todo o país, presente nas aldeias, nas vilas, nas cidades o em locais de trabalho .

As pessoas que militam no associativismo são, em regra, melhores pessoas. Olham para fora de si próprios e dedicam (em muitos casos a maior) parte do seu tempo livre às suas associações e, por essa via, às suas comunidades. Merecem o nosso reconhecimento.

A vida quotidiana das colectividades sofre por estes dias com “a falta de tempo dos dirigentes, o aumento dos custos de funcionamento, a baixa de receitas por dificuldades das famílias e a pressão das entidades inspectivas como a ATA (finanças), ASAE, IGAC, IPDJ, a falta de apoios públicos” como bem assinala a saudação divulgada pela Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto.

De associativismo presencial e directo evolui-se hoje para novas formas de associação e contacto virtual on-line. E de que se dão apenas os primeiros passos…

Comemorações nacionais – ver aqui. Comemorações no distrito de Setúbal – ver aqui.

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(*) A data evoca o 89.º aniversário da fundação da primeira estrutura representativa do movimento associativo das sociedades de recreio. “Em 1924, nos dias 31 de Maio, 1, 2 e 3 de Junho, realizou-se em Lisboa, na extinta Academia Recreativa de Lisboa, popularmente designada por “Academia do Socorro”, o 1.º Congresso Regional das Sociedades de Recreio, com a presença de 65 sociedades, tendo-se constituído a Federação Distrital das Sociedades Populares de Educação e Recreio que foi fundada por 47 sociedades. Aí foram aprovadas as bases estatutárias” (in Historial da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto)

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