Cultura, Geral

“Liderança Comunitária” – estudar o associativismo

Liderança ComunitáriaDirigentes associativos voluntários. São muitos milhares os cidadãos que exercem funções, em regra não-remuneradas, em associações culturais, desportivas e recreativas, tendo por referência a melhoria da condição, não só dessas colectividades, como das comunidades em que se inserem.

O associativismo, uma prática que em Portugal mergulha as suas raízes no século XIX, continua a ser uma importante mais-valia social, apesar de ainda mal conhecido do ponto vista científico.

Liderança Comunitária – Estudo Colaborativo com Dirigentes Associativos”, obra que viu recentemente a luz do dia, visa abordar e desenvolver o tema do dirigismo associativo. Tendo por base o conceito de “liderança comunitária”, i.e. aqueles que “promovem a mudança social, procurando respostas inovadoras para os problemas da comunidade”. São eles que “definem uma visão partilhada com os outros membros do seu grupo e com outras organizações da comunidade”.

O pano de fundo desta obra agora saída do prelo é o das colectividades e associações de cultura, recreio e desporto. As mulheres e os homens do associativismo são, eles próprios, o objecto do seu estudo. E recorreram à Universidade para o fazer.

Em boa hora a Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto apostou na edição de um trabalho de investigação produzido por um grupo de dirigentes associativos que juntaram à sua condição o estudo e a reflexão propiciados pela Academia. O projecto nasceu com a participação de cinco dirigentes associativos na licenciatura de Desenvolvimento Comunitário do ISPA-IU, integrados num projecto que contou com o apoio das Fundações Calouste Gulbenkian e Montepio.

A obra centra-se nesse vasto universo das associações de cultura, recreio e desporto – tantas vezes verdadeiros porta-vozes das populações e interfaces junto da administração – apostando os autores num arriscado trabalho de quantificação desse universo. Arriscado por o movimento associativo ser uma realidade dinâmica e de fronteiras algo imprecisas. Aplicada a metodologia descrita, concluem os autores pela existência de 30.122 associações no espaço nacional, identificando um máximo de 3.624 associações no distrito do Porto e um mínimo de 412 na R.A. da Madeira.

Ao longo da obra são abordados os resultados da informação recolhida, discorrendo-se por numerosas categorias de análise, das dimensões individuais às comunitárias, passando-se pelas familiares.

No último capítulo (IV) os autores discutem os resultados. O que motiva os individuos a aderirem à actividade de dirigente associativo voluntário e a identificação das suas competências e experiencias de liderança.

Quanto às motivações: dos motivos básicos, “o interesse pela prática e desenvolvimento das modalidades desportivas e actividades de cultura e recreio realizadas nas colectividades”, ao “estabelecimento de novos contactos e amizades”, “às oportunidades de desenvolvimento e valorização pessoal”, “ao sentimento de responsabilidade cívica e a vontade de contribuir para a melhoria do movimento associativo e da comunidade em geral”.

Porventura no fulcro das suas preocupações, os autores identificam como traços fundamentais na caracterização dos dirigentes associativos voluntários um conjunto de competências e experiências: o “compromisso comunitário”, uma “visão sobre o futuro da comunidade”, o “envolvimento cívico e eficácia colectiva”, a “coesão social”, “o conhecimento da comunidade”, “o desenvolvimento da eficácia pessoal”, a “comunicação com outras organizações” e o “envolvimento de novos dirigentes”.

Há também espaço para a abordagem de algumas das problemáticas mais actuais que perpassam o movimento associativo: a participação de jovens e mulheres e a compatibilização com as situações familiar e profissional.

A metodologia utilizada revela a origem deste trabalho – os dirigentes associativos voluntários e os seus foruns. O trabalho de recolha de informação, uma “investigação colaborativa”, é assim auto-centrado nos dirigentes associativos, assentando num multi-método de três vias: os cinco grupos focais com a participação de 57 dirigentes associativos; as 50 entrevistas, das quais 44 validadas; e os 377 questionários recebidos, correspondentes a 17% dos enviados.

A obra não dispensa uma abundante bibliografia, bem como a menção a todas as entidades associativas que responderam ao inquérito.

“Liderança Comunitária – Estudo Colaborativo com Dirigentes Associativos” é uma obra aconselhada a todos os militantes do associativismo.

Ficha técnica

Autores – José Ornelas (coordenador), Teresa Duarte, Tiago Seixas, José Jerónimo, Artur Martins, Cátia Matos, Deolinda Nunes, Faustino Varela e Luís Costa / Título – “Liderança Comunitária – Estudo Colaborativo com Dirigentes Associativos” / Edição – CPCCRD / 1ª edição – Abril de 2013 / Concepção gráfica – Carlos Galvão / Impressão – Tipografia Lobão, Lda. / Tiragem – 1500 ex. / ISBN – 978-989-98353-0-6 / Depósito legal – 357421/13

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