Geral, Internacional, Política

Triunfo Póstumo dos Porcos

Image

A hipocrisia da educação judaica-cristã em que nascemos e vivemos quase obriga a ser benevolente quando alguém morre, descobrindo dons que nunca tiveram em vida. Recusamos e não pactuamos com esse cinismo, um dos traços da nossa civilização, agora agravados pela complexa e discutível pós-modernidade. Civilização onde impera a razão cínica, uma esclarecida falsa consciência que ao mesmo tempo que denuncia e faz inquietantes diagnósticos sobre o mundo compactua tranquilamente com esses diagnósticos, com acções descaradas e desonestas.

Em curso mais uma grande acção mediática do mais completo cinismo. O pretexto a morte de Margaret Thatcher.

São raros os que denunciam que Thatcher e Reagan abriram caminho ao mais desbragado neo-liberalismo. Morreram os dois dementes, como sempre foram em vida, dementes. Iniciaram políticas que dão os resultados que estamos a ver, sempre ao serviço do grande capital financeiro  sequelas materiais e imateriais, ideológicas, económicas e financeiras  que contaminam a vida das sociedades actuais.

Morreu Margaret Thatcher. Querem à força e contra a verdade pintar uma imagem positiva. Não! As políticas de Margaret Thatcher são o triunfo dos porcos. Senhora de um pensamento rasca, medíocre foi a primeiro-ministra mais destrutiva e que criou divisões mais fundas na sociedade britânica. Fechou fábricas a eito, a Grã-Bretanha tem hoje uma indústria residual. Promoveu o desemprego em massa. Destruiu comunidades inteiras. Fez recuar a Inglaterra para índices do princípio do século a começar pela mortalidade infantil e pelo agravamento das carências que provocou nas crianças retirando-lhes o pequeno pacote de leite diário e gratuito. Promoveu a ganância, o egoísmo, com uma indiferença e desprezo brutal para aqueles que perderam os seus postos de trabalho. Tinha ódio aos seres humanos, particularmente aos trabalhadores. vergada ao deus dinheiro, para ela o senhor do mundo. Uma pequena e medíocre mulher que utilizou o seu poder com uma violência de quem não tem uma gota se sangue, de sentimentos, como um animal predador. Nada do que fez a dignifica. Uma cabra sinistra, criminosa! De uma desumanidade brutal! Um Hitler democrático que não precisou de campos de concentração para semear o terror, a morte, fazer regredir o país. Os seus êxitos económicos são a moeda falsa do pensamento dominante. Os resultados estão à vista de todo o mundo. Como morreu , no parlamento inglês além dos esperados elogios dos Tories, os trabalhistas espúrios e sem princípios também reconheceram um pretenso perfil de estadista. Não fora a deputada trabalhista, a grande actriz Glenda Jackson, que sempre se opôs a Tony Blair e seus comparsas, traçar um retrato verdadeiro e autêntico de Thatcher e a vergonha espalhar-se-ia pelo Labour, que continua a trilhar os caminhos da traição aos trabalhadores britânicos. Glenda Jackson  afirmou que “de longe, a demonstração mais dramática e hediondo do thatcherismo [foi] onde cada entrada única loja, a cada noite, tornou-se o quarto, a sala de estar, casa de banho para os sem-tecto”.

É bom lembrar que os seus sucessos foram obtidos com a ajuda de figuras corrompidas dos sindicatos e de um Partido Trabalhista claudicante, falaz, enganador que desaguou na terceira via de Tony Blair, o caminho da traição, da vilania,  aos princípios do partido.Blair, uma marioneta bem falante, arrogante. Um debochado que seguiu as pisadas de Thatcher brandindo a bandeira em farrapos de um socialismo da treta. Como se viu na célebre cimeira doa Açores, Um Teatro de Mentiras em que Durão Barroso foi porteiro e Blair a Monica Lewinski de Bush.

Para o currículo de Margaret Thatcher ficar completo há que lembrar a sua amizade sólida, de ferro com o torcionário Pinochet, com quem confraternizou variadas vezes beberricando chá sobre um tapete de cadáveres vitimas do seu amigo. Provavelmente compartilhando histórias de torturas e assassínios, o açúcar do seu chá. Também não é de esquecer que a dama teve o desplante, o desaforo de apelidar de terrorista Nelson Mandela, avalizando assim o regime de apartheid.

É essa velha senhora, prosélita de velhas e relhas políticas, que vai ter exéquias públicas, à conta do Estado que se empenhou em privatizar. Não há funerais grátis. Números recentes apontam opara um gasto de dez milhões de libras!!! Que a família suporte as despesas, não o erário público. Até porque a família da senhora bem se banqueteou com os dinheiros do Estado, como acabou por ser conhecido. Afinal como é apanágio desses liberais e liberalotes, de alto e baixo coturno, de poucas virtudes públicas e muitos vícios privados.

Dama de Ferro? Não dama de m****!

Anúncios
Standard

Comente aqui. Os comentários são moderados por opção dos editores do blogue.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s