Internacional

Burros (*) e perigosos

OrelhasBurro01Quando é suposto que tudo se faça para retirar o sistema bancário do buraco em que se meteu – e é esse o discurso dominante dos círculos governantes da Europa e das troikas! – o Eurogrupo acaba de desferir a maior das machadadas na credibilidade dessa mesma banca. Que concluir da decisão de taxar todos (mesmo todos!) os depósitos bancários cipriotas como condição para o resgate do país?

Os altos dignitários europeus e o comparsa cipriota de serviço ter-se-ão, tudo o indica, esquecido que a confiança entre o depositante e o seu banco é uma das principais bases do sistema bancário. Quais os efeitos desta medida no resto da Europa, quando é certo e sabido que o principio da crise que hoje vivemos esteve justamente na banca e nas entidades financeiras?

Perante os princípios de um levantamento em massa de depósitos no Chipre e do seu potencial contágio aos países da periferia europeia, os autores já repensam a medida, atrapalhados e despertos para as catastróficas consequências que podem provocar.

Ironia das ironias é o facto de ser esta a “prenda” que o directório europeu e o recém-eleito presidente cipriota Nicos Anastasiades (da direita conservadora e que em Fevereiro sucedeu ao comunista Demetris Christofias) têm para “oferecer” ao povo do Chipre. Desprezando tudo e todos!

Como é possível que tanta gente inteligente produza medidas tão estúpidas?

(*) Não confundir com a simpática espécie asinina que, em boa hora, obteve uma merecida protecção legal.

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2 thoughts on “Burros (*) e perigosos

  1. Carlos Anjos diz:

    Esta é, infelizmente e a par dos sucessivos castigos a que os povos dos países “resgatados” tem sido submetidos, uma das muitas decisões superlativamente estúpidas que tem vem a destruir a escassa confiança que o projeto europeu ainda mantinha junto de uma parte significativa da população.

    Lamento porque o projecto europeu de desenvolvimento e bem-estar dos povos tem contribuído para as décadas de paz que vivemos até agora. E, como não chegámos ao fim da história, a sua “natureza da classe” não é um dado definitivo – assim os povos o queiram…

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