poesia

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define como perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer –

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quer,

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!

(Fernando Pessoa)

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  • pequenas notas 

Este é o último poema da “Mensagem”.

Confirma-se a diferença entre o passado glorioso e o presente  envolto em “nevoeiro”, que turva e perturba o olhar.

Vive-se (não é de agora) um tempo em que ninguém sabe o que quer, o que causa tristeza ao poeta (e em vez de fulgor… baço).

Daí a necessidade da exclamação final – “É a hora!”- que funciona como um apelo aos portugueses e os exorta à acção. É uma exclamação mobilizadora e que chama a atenção para a premência de se construir uma nova realidade, diferente e melhor da que existe hoje.

São muitas e variadas as leituras possíveis e há uma infinidade de sugestões, de revelações e de sonhos que permanecem em aberto, à espera, quem sabe?, de um dia se poderem concretizar. Algo foi iniciado no passado e a ânsia de então ainda não morreu…chora perto, mas está viva.

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