Cultura, economia

Cinemas: para onde foi o público?

Cinema-Paradiso.jpg netO encerramento de 49 salas da Socorama/Castello-Lopes e a diminuição do número de espectadores de cinema (*) traduzem um menor gosto pela sétima arte ou uma mudança de hábitos no acesso aos conteúdos estimulada pelo clima de crise? Alguns estão atentos e continuam a facturar…

De há anos que se percebeu que o tradicional público de cinema tem vindo a ser canibalizado pelos novos suportes de informação, nomeadamente pelos canais de tv cabo e pela internet. A tendência acentua-se com a fortíssima diminuição de rendimentos das famílias.

O encerramento de salas de espectáculo – e, neste caso, de cinema – é algo de muito negativo para as terras que as vêem fechar as portas. Perdem-se espaços colectivos, logo sítios de convívio e de inter-acção. Os habitantes das cidades agora afectadas irão ter menos opções culturais e ficarão mais condicionados aos espaços comerciais. É mais um passo num processo de mediatização das relações entre as pessoas que já matou, por exemplo, as tertúlias dos cafés.

Curiosamente, ou não, o maior exibidor nacional de cinema, a ZON Lusomundo Cinemas (39 % dos ecrãs e 56% da receita de cinema do país em 2011) tem como “irmão” o maior distribuidor de cinema, a ZON Lusomundo Audiovisuais (44% dos filmes estreados e 52% dos espectadores em sala no mesmo ano).

Junte-se-lhes o outro “irmão”, o operador ZON de tv cabo, com cerca de um milhão e duzentos mil clientes e que explora diversos canais de cinema, e conclua-se pela posição determinante que o universo ZON ocupa na gestão do assunto cinema em Portugal.

Para adensar o ambiente, refira-se que a ZON tem vindo a negociar a sua fusão com a Optimus, do universo Sonae, que inclui a Sonae Sierra, proprietária dos centros comerciais onde a Castello-Lopes encerra agora os seus cinemas…

Se a isto não se chama concentração…

A magia do cinema, essa continuará. E as receitas do seu público continuarão a fluir – se não das salas, do cabo…

(*) Espectadores de cinema em Portugal: 2009 – 15,7 milhões; 2010 – 16,6 milhões; 2011 – 15,7 milhões; 2012 (estimativa) – 13,7 milhões. Dados do Anuário Estatístico do Instituto de Cinema e Audiovisuais 2011 (anos 2009 a 2011). Sobre este tema pode ler uma apreciação reportada a 2009

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